Android: a chave para o Linux no desktop?

Há anos eu venho falando sobre a convergência entre a telefonia e a computação desktop. Hoje em dia, cada vez mais empresas anunciam pequenos dispositivos (“netbooks”) que rodam o Android — e não estamos falando de telefones. Será o começo de uma nova revolução? Ou não?

O que é o Android? Uma resposta rápida seria “um framework formado pelo kernel do Linux, um rico conjunto de bibliotecas e ferramentas e uma máquina virtual Dalvik”. A máquina virtual Dalvik pode ser encarada como uma Máquina Virtual Java (Java VM) altamente otimizada (a definição não é formalmente correta, mas serve para este artigo).

Não é a primeira vez que alguém tenta combinar Linux e Java para criar um ambiente de desktop alternativo e paradisíaco. A Sun tentou algo parecido alguns anos atrás: chamava-se “Sun Java Desktop”. Saiu uma análise “interessante” sobre ele no Linux.com e sobre o suporte oferecido. Mas o SJD chegou ao fim da linha. Não deu certo.

A próxima tentativa de trazer o GNU/Linux para o desktop está sendo realizada pelo Ubuntu, que sem dúvida causou impacto no mundo GNU/Linux. Só que o Ubuntu parece ter trazido o GNU/Linux para o desktop de muitas pessoas que já eram usuárias do GNU/Linux, e não conquistou fatias extras do mercado de desktops. Apesar de minhas esperanças e desejos, no momento parece pouco provável que o Ubuntu vá conseguir afanar uma fatia expressiva do mercado do OS X e do Windows. Isso até está acontecendo, mas é um processo muito lento, talvez lento demais. E eu quero viver para ver o GNU/Linux rodando na maioria dos computadores!

E o Android?
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Mas Tony, você não amava o Ubuntu?

Sim, e com certeza ainda amo; acho que o Ubuntu é uma distribuição GNU/Linux absolutamente fantástica. Mas acho que sua maior desvantagem é ser derivado de um sistema voltado para servidores. Os usuários precisam usar o apt-get para instalar aplicativos (pelo terminal ou por meio de uma interface de usuário caprichada). Há problemas com bibliotecas e dependências, e não há uma separação muito clara entre os aplicativos para usuários finais, as bibliotecas de suporte e as bibliotecas de sistema. Compare ao OS X, que na minha opinião é um sistema operacional para desktops feito da maneira certa: um aplicativo é um conjunto de arquivos independente; para copiar o Firefox, você faz o que era de se esperar: arrasta-o para um memory stick, e lá está ele. Aplicativos binários antigos rodam numa boa em versões mais recentes do OS X. Quando instalei o OpenOffice 3.1 no meu Ubuntu Intrepid Ibex, percebi que essa coisa de servidor é forte demais no Ubuntu, e que o OS X acertou.

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E o concorrente de hoje é…

Vamos avançar alguns anos: O Google, após algumas derrapadas (OpenSocial? Google Answers? Google Checkout?) saiu-se com algo que tem chances reais de mudar o mundo para valer: um sistema totalmente aberto e client-side (que roda no cliente) baseado no GNU/Linux.

As pessoas já vêm usando aplicativos do Android há um ano. Há uma loja de aplicativos plenamente operacional, onde vários aplicativos estão disponíveis gratuitamente como software livre. O Android tem uma forte separação entre os aplicativos para usuários finais e o ambiente operacional, e seus aplicativos podem rodar em qualquer telefone com o Android sem que seja preciso recompilar nada.

O mais interessante é que os fabricantes de hardware estão fazendo (ou pensando em fazer) pequenos laptops que virão com o Android, e não com o Windows XP (!) ou com o Ubuntu. Isso ainda não aconteceu, mas estamos todos na expectativa.

Além disso, os desenvolvedores do Ubuntu estão debatendo sobre qual seria a melhor maneira possível de integrar os aplicativos do Android ao Ubuntu. Isso praticamente confirma o fato de que, para eles, o Android será a “próxima onda” do mundo da computação client-side. Escreva uma vez, rode em qualquer lugar — e desta vez é para valer.

Certo?
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Engatinhando…

Eu não sei. Primeiro era a “computação em rede”. Depois, o Java. Agora é o Android. Por mais que o Android possa ser considerado maduro no que diz respeito a um ambiente para telefones, se usado em um laptop, será que vai reconhecer o scanner e a impressora? Vai reconhecer uma webcam externa? O OpenOffice vai rodar nele? E um monitor extra? Vamos poder criar aplicativos para o Android em Python ou Ruby? Esses são só alguns exemplos. Outras distribuições para desktop passaram anos tentando resolver algumas dessas questões. A ideia de ter o Ubuntu como sistema operacional básico e o framework do Android para rodar os aplicativos me parece interessante. O Ubuntu vem fazendo grandes progressos. A parte de servidor dessa história pode ser gerenciada pelo Ubuntu e pela Canonical, enquanto o Android sozinho poderia cuidas dos aplicativos para usuários finais. Mas essa é só uma ideia, mais uma de um autor aleatório tentando prever o futuro.

Para que isso “funcione” em um ambiente de laptop, os aplicativos do Android devem rodar como janelas normais no Gerenciador de Janelas, e deve haver pelo menos alguma liberdade em termos da linguagem usada para escrever esses aplicativos. Ficar preso exclusivamente ao Java me parece uma insanidade. Esses são os dois maiores problemas, mas com certeza há outros. E infelizmente, tenho certeza de que logo logo (talvez em alguns anos) outro concorrente vai aparecer. E ele vai parecer igualmente promissor.

E mais uma vez, a fatia do mundo da computação que tenta desesperadamente se apoderar da dominância da Microsoft está fragmentada, competindo e precisando desesperadamente de direção.

Veremos.

android-1_0

Anexo: Android 1.0 rodando em um HTC G1 da operadora T-Mobile

Créditos a Tony Mobilyfreesoftwaremagazine.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

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