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Discriminação dentro do Serviço Público Federal
5 de dezembro de 2008 | Autor: heinz | Editar

É gritante e criminosa a discriminação existente dentro do serviço público federal, onde burocratas inúteis à população, que passam o dia entre mesas, cafézinhos e bate-papos, chegam a ganhar, no nível médio, sem curso superior e sem a menor responsabilidade com vidas humanas, R$4.190,07, enquanto os servidores da carreira PCCTAE (Plano de Classificação de Cargos dos Técnicos Administrativos em Educação), que engloba de zeladores à farmacêuticos, médicos e outros profissionais de nível desde fundamental até superior, com mestrado, doutorado, todos com altíssimo grau de especialização, o salário inicial é de $1.800,00 no primeiro padrão da carreira na classe E, na qual estão os cargos que exigem nível de escolarização superior. Isso é uma vergonha.

É um crime. Nós, servidores dos hospitais universitários do governo somos os que tem maior responsabilidade, pois lidamos com vidas, mas ganhamos os menores salários, apesar de termos os maiores níveis de escolaridade, enquanto os burocratas ganham os maiores salários sem fazerem nada da relevante, além de tomarem cafezinhos e fazerem política barata e inútil, isso quando não se corrompem, quando não se vendem ao crime e/ou aos interesses de empresas multinacionais.

Leiam na matéria anexada a “cachorrada” criminosa do (dês)governo.

Foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta (5) o edital do concurso público da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), com 247 vagas de nível médio e superior.

A lotação pode ocorrer em quase todos os Estados e no Distrito Federal, de acordo com o cargo.

Não há vagas para Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe. A Anatel informa que o quadro de vagas do edital tem um erro na soma dos cargos oferecidos, mas a distribuição dos postos nos Estados está correta.

Os cargos que pedem nível superior são os de analista administrativo e especialista em regulação de serviços públicos em telecomunicações, com salário de R$ 8.389,60. O primeiro tem vagas nas seguintes áreas: administração (35), biblioteconomia (duas), ciências contábeis (12), jornalismo (duas), direito (sete), engenharia civil (duas) e, em tecnologia da informação, nas especialidades de ambiente operacional (duas), análise de negócios (seis), arquitetura de soluções (cinco) e redes e segurança (dois). No total, são 75 postos.

No segundo, há 69 postos: para ciências contábeis (cinco), direito (25), economia (Cool, engenharia (elétrica, eletrônica ou telecomunicações, com 30 vagas) e estatística (uma).

Para nível médio, o cargo de técnico administrativo paga R$ 4.190,07 e oferece 29 vagas, e o de técnico em regulação de serviços remunera com R$ 4.205,27 e tem 74 postos.

A inscrição pode ser feita no site do Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos), entre as 10h de 5 de janeiro e as 23h59 do dia 27 do mesmo mês (horário de Brasília), com taxas de R$ 85 (nível superior) e R$ 45 (médio).

Os exames, objetivos e discursivos, devem ocorrer no dia 8 de março — de manhã para os postos de nível superior e à tarde para os de nível médio. Assim, é possível se inscrever para dois cargos, de nível de formação diferentes. Os locais e os horários de realização dos testes, que serão realizados em todas as capitais, devem ser divulgados em 18 ou 19 de fevereiro de 2009.

A seleção terá provas objetivas, para todos os cargos; avaliação discursiva e avaliação de títulos, para os de nível superior. Estes também passarão pelo curso de formação, a ser ministrado em (Brasília).

A agência informa que o concurso será regionalizado. Para cada cargo, área e especialidade, os candidatos aprovados serão nomeados de acordo com a ordem de classificação regional. Vagas não preenchidas dessa forma serão oferecidas aos candidatos da lista nacional que não tiverem sido classificados dentro das vagas de sua região.

Pode pedir isenção de taxa o candidato que estiver inscrito no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e for membro de família de baixa renda (ter ganho familiar mensal per capita de até meio salário mínimo, R$ 207,5; ou possuir renda familiar mensal de até três salários mínimos, R$ 1.245). Os pedidos têm de ser feitos até o dia 7 de janeiro de 2009, pelo site do Cespe. O resultado será divulgado até o dia 26 de janeiro de 2009.

As informações foram fornecidas pelo Cespe. É recomendável confirmar datas e horários para se prevenir de alterações posteriores à publicação deste texto. Outros dados podem ser obtidos no site da instituição.

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Direito adquirido
15 de outubro de 2013 | Autor:

Mexer no passado para contratos de exploração de petróleo não pode, pois existe direito adquirido, mas mudar as regras de aposentadoria dos trabalhadores que começaram a trabalhar em outro regime jurídico, em outra época, pode. Isso também não é quebra de direito adquirido?

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Politicamente, Dilma Rousseff preferia muito mais sancionar o projeto aprovado na Câmara sem vetos e não comprar briga com a maioria dos governadores. Só que, técnica e juridicamente, ela não tinha outro caminho.

Sua assessoria jurídica avalia que os Estados produtores, Rio e Espírito Santo basicamente, tinham razão ao protestar contra a mudança na distribuição de royalties dos campos já licitados.

Não seria uma “quebra de contrato” porque não há contrato entre Estados e petroleiras definindo quanto cada um recebe: existe uma lei que em tese pode ser alterada.

A equipe jurídica da presidente entende, porém, que Rio e Espírito Santo têm “direito adquirido” em relação a essa repartição de recursos.

Bastaria os Estados produtores recorrerem ao Supremo Tribunal Federal que a vitória, na avaliação do Planalto, seria líquida e certa por conta do “direito adquirido”.

Daí que a equipe de Dilma diz não ter cedido às pressões do governador Sérgio Cabral, mas tomado o caminho juridicamente correto, evitando questionamentos no STF. O maior receio do governo era o risco de judicialização do processo, que aconteceria se Dilma não vetasse o artigo.

Essa judicialização poderia prejudicar os planos da presidente de retomar os leilões de blocos de exploração de petróleo no país. Tudo o que o governo não deseja num momento em que a economia patina e precisa de estímulos para deslanchar.

Daí que, se optasse pelo caminho do menor desgaste e não vetasse o artigo aprovado na Câmara, Dilma levaria à judicialização do processo.

O risco é o Congresso derrubar seu veto. Número para isso os governadores têm. Dilma, contudo, espera convencer seus aliados do contrário, sob o argumento de que mexer no passado é ilegal e que o melhor é mirar no futuro.

> http://www1.folha.uol.com.br/poder/1194392-analise-dilma-queria-aprovar-projeto-sobre-royalties-mas-temia-reacao-do-stf.shtml

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Em Paris, onde faz visita oficial nesta semana, a presidente Dilma Rousseff afirmou terça-feira que as novas revelaçãoes do empresário Marcos Valério são uma tentativa “lamentável” de atingir a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“É sabida a minha admiração, o meu respeito e minha amizade pelo presidente Lula. Portanto, eu repudio todas as tentativas– e esta não será a primeira vez– de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem.”

Dilma fez a defesa de Lula ao ser questionado sobre o depoimento em entrevista ao lado do presidente francês, François Hollande, no Palácio do Eliseu.

Valério afirmou à Procuradoria-Geral da República que pagou despesas pessoais de Lula em 2003, por meio de depósitos na conta de uma empresa do ex-assessor pessoal de Lula, Freud Godoy, segundo revelou o jornal “O Estado de S. Paulo”.

“Essa é uma questão que eu devo responder no Brasil, mas eu não poderia deixar de assinalar que acho lamentável essas tentativas de desgastar a imagem do ex-presidente Lula. Eu acho lamentável”, prosseguiu a presidente brasileira.

Em seguida, Hollande também se solidarizou com Lula. Ele afirmou que o ex-presidente tem uma “imagem considerável” no país em razão de suas conquistas nos campos econômico e social.

LULA

Também em viagem à França, onde deve participar de jantar na noite de hoje com Dilma e Hollande, Lula chamou de “mentira” as afirmações do empresário Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República

“Isso é mentira”, disse Lula na saída do primeiro dia de seminário organizado por seu instituto e a Fondation Jean-Jaurès, ligada ao Partido Socialista francês, em Paris.

Rodeado de assessores e seguranças, o ex-presidente, que tem evitado falar com a imprensa, deixou rapidamente o local. Questionado se poderia responder mais perguntas sobre o caso, afirmou: “hoje, nem duas”.

No julgamento do mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Valério foi condenado a 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, além do pagamento de R$ 2,7 milhões em multa.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1199596-dilma-diz-que-depoimento-de-valerio-e-tentativa-lamentavel-de-atingir-lula.shtml

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Integrantes da cúpula do PT na Câmara dos Deputados já preparam estratégia para impedir a ida do empresário Marco Valério à Casa para prestar esclarecimentos sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Lula com o esquema do mensalão operado pelo empresário.

Valério afirmou à Procuradoria-Geral da República que pagou despesas pessoais de Lula em 2003, por meio de depósitos na conta de uma empresa do ex-assessor pessoal de Lula, Freud Godoy, segundo revelou o jornal “O Estado de S. Paulo”.

O líder do PSDB na Casa, Bruno Araújo (PE), informou no início da tarde desta terça-feira (11) que irá apresentar requerimentos em comissões técnicas para que Valério apresente e detalhe as informações que prestou no Ministério Público Federal.

Segundo o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), o partido vai trabalhar para derrubar todos os requerimentos. A mesma estratégia foi adotada na semana passada quando todos os requerimentos convidando os servidores citados na Operação Porto Seguro foram derrotados nas comissões temáticas da Câmara.

“Se depender de nós do PT, de jeito nenhum. Não tem o porquê. O Marco Valério tem que estar preocupado com as condições da cadeia e não vir aqui prestar depoimento”, disse Tatto.

O petista se referia ao fato de que o empresário foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão a 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, além do pagamento de R$ 2,7 milhões em multa. Além de Valério também foram condenados o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-ministro José Dirceu.

Tatto desclassificou ainda o depoimento de Valério ao Ministério Público Federal.

“Quem faz esse tipo de depoimento depois de anos é porque é uma medida de desespero e não tem mais credibilidade, se é que teve um dia, para poder falar do presidente Lula.”

Ainda de acordo com a reportagem, Valério também relatou que Lula avalizou pessoalmente, em encontro no seu gabinete, no Palácio do Planalto, os empréstimos contraídos junto ao Banco Rural para alimentar o esquema de compra de apoio parlamentar. Segundo Valério, suas despesas com advogado são pagas pelo PT.

Ao longo de mais de quatro meses de julgamento, o STF definiu que o mensalão foi um esquema de desvio de recursos públicos e empréstimos fictícios para a compra de apoio de político no Congresso no início do governo Lula (2003-2010).

As falas de Valério foram recebidas com cautela pelo Ministério Público Federal, uma vez que a declaração poderia ser uma movimentação para se livrar da condenação.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, já chegou a chamar o empresário de “jogador”.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1199699-cupula-do-pt-prepara-estrategia-para-impedir-depoimento-de-valerio.shtml

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Condenados renovam pressão sobre STF
15 de outubro de 2013 | Autor:

SEVERINO MOTTA
DE BRASÍLIA

Advogados que defendem os condenados no julgamento do mensalão estão buscando argumentos para tentar convencer o Supremo Tribunal Federal a aceitar examinar os recursos que pedem a realização de um novo julgamento para 12 dos 25 condenados no processo, entre eles o ex-ministro José Dirceu.

Nos memoriais que serão apresentados até terça-feira haverá comparações com leis da época da ditadura militar, pareceres de professores e uma especial ênfase no voto do ministro mais antigo na atual composição do tribunal, Celso de Mello, que se mostrou favorável à validade desse recurso recentemente.

O STF deve decidir quarta-feira se é cabível esse último lote de recursos dos réus, chamados de embargos infringentes, que pedem novo julgamento para condenações ocorridas com placar apertado, com pelo menos quatro votos pela absolvição. Caso o tribunal considere incabível esse tipo de recurso, a Procuradoria-Geral da República afirma que pedirá a prisão imediata dos condenados a regime fechado de prisão.

Na busca por argumentos favoráveis, a defesa do publicitário Ramon Hollerbach, ex-sócio do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do mensalão, estuda resgatar até mesmo uma entrevista do criminalista Heleno Fragoso (1926-1985) à revista “Veja” de dezembro de 1980, cuja capa trazia reportagem sobre a morte do Beatle John Lennon.

Nela, Fragoso, que ganhou notoriedade defendendo presos políticos na ditadura, diz que decisões apertadas em tribunais só exprimem dúvidas. “Não é possível mandar alguém para a cadeia sem a possibilidade de reavaliar a situação após um placar de 6 a 4”, diz o advogado de Hollerbach, Hermes Guerrero.

Advogados ouvidos pela Folha disseram que um dos pontos principais que tratarão nos memoriais diz respeito ao voto de Celso de Mello, que no ano passado defendeu a viabilidade dos embargos infringentes no mensalão.

Com isso, as defesas tentarão impedir que Mello mude sua posição sobre os recursos. Nos bastidores circula a informação de que ele estaria reavaliando o voto dado na primeira fase do julgamento.

Entre os novos argumentos, um dos advogados dos réus planeja dizer que até o Código de Processo Penal Militar, produzido no auge da ditadura militar, prevê embargos infringentes. Por esse motivo, não seria possível que na democracia as garantias dos réus fossem menores que as do período autoritário.

Outros juristas que ganharão destaque nos memorais são o ex-presidente do STF Carlos Velloso e o professor Tourinho Filho, que manifestaram-se a favor da aceitação dos embargos infringentes.

Previstos no regimento interno do STF, esses recursos não constam de uma lei de 1990 que regulou os processos no Supremo e no STJ (Superior Tribunal de Justiça). É por isso que os ministros terão de avaliar se são ou não cabíveis no julgamento do mensalão.

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Como presidente, Lula é ótimo pai
15 de outubro de 2013 | Autor:
MEU GAROTO Fábio Luís, o Lulinha: sócio da maior empresa de telefonia do Brasil

MEU GAROTO
Fábio Luís, o Lulinha: sócio da maior empresa de telefonia do Brasil

No episódio do negócio do filho com a Telemar, Lula agiu como pai cioso. Mas como presidente ele errou.

Se o leitor fosse presidente da República e descobrisse que seu filho, até pouco tempo atrás no mercado de trabalho informal, havia subitamente se transformado em sócio de uma empresa que – além de ser uma concessionária do governo – tem parte de seu capital formada por dinheiro público, optaria por:

a) pedir desculpas à nação e determinar a imediata saída de Júnior da sociedade;

b) fingir que o assunto não lhe diz respeito: trata-se apenas de Júnior tentando progredir na vida;

c) queixar-se de que falar do filho é invasão de privacidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protagonista da situação acima, ficou com as duas últimas opções. Primeiro, considerou “normal” a sociedade de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a Telemar, a maior empresa de telefonia do país.

MINA DE OURO Kalil Bittar, sócio da Gamecorp, que captou 5,2 milhões de reais da Telemar

MINA DE OURO
Kalil Bittar, sócio da Gamecorp, que captou 5,2 milhões de reais da Telemar

Depois, em discurso indignado, disse ser alvo de um “golpe baixo” da imprensa destinado a “invadir sua vida privada”. As afirmações do presidente encerram dois equívocos. O primeiro: a operação que resultou na injeção de 5,2 milhões de reais por parte da gigante Telemar na nanica Gamecorp – a empresa de Lulinha e seus sócios, Kalil e Fernando Bittar – não é nada normal. Se fosse, não teria sido caprichosamente montada com o propósito de permanecer em sigilo, como revelou VEJA na edição passada. Também não teria sido feita à revelia da Lei das Sociedades Anônimas, que determina que esse tipo de operação seja comunicado à Comissão de Valores Mobiliários. Instada a explicar o motivo pelo qual omitiu a informação à CVM, a Telemar saiu-se com a seguinte justificativa: agiu assim por considerar que o assunto era de “cunho operacional e estratégico” da empresa. Na verdade, a tentativa de manter oculta a sociedade com a Gamecorp deu-se por um motivo simples: a injeção de milhões de reais feita pela Telemar na empresa do filho do presidente representa, no mínimo, um problema ético para Lula. Isso porque a companhia de telefonia, mesmo sendo privada, tem em seu capital dinheiro de órgãos públicos, como o BNDES, e depende de autorização do governo para funcionar.

A operação entre a empresa de telefonia e a de Fábio Luís ganha contornos ainda mais nebulosos quando se sabe que, diferentemente do que os jornais vêm divulgando, a Gamecorp não produz jogos para telefones celulares. A empresa simplesmente detém os direitos de transmissão do canal de TV americano especializado em games, o G4. Isso possibilita a ela “revender” a terceiros o direito de explorar os produtos licenciados pelo canal, como protetores de tela de computador e sons para toques de celular. Em suma: a Gamecorp captou 5,2 milhões de reais da Telemar não para desenvolver games para os seus celulares, mas para repassar à empresa produtos bem menos complexos. É estranho.

Compreende-se que Lula, como pai, não goste de ver o nome de um filho seu envolvido em histórias nebulosas. Mas, ao não superar esse instinto natural, o presidente comete o segundo equívoco. Presidentes da República não têm vida privada. E a de seus familiares só diz respeito a eles próprios quando não afeta os interesses públicos. Quando se revela que o filho de Lula fez um negócio – aliás, um negocião – envolvendo dinheiro do contribuinte, a questão passa a ser, sim, da alçada da sociedade e de seu líder constitucional, o presidente da República.

http://veja.abril.com.br/200705/p_065.html

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19 de fevereiro de 2009 | Autor: heinz | Editar

Em uma decisão muito feliz, Brasil resolve “chutar o traseiro” da Micro$oft e diz não ao padrão de documentos que ela quer impor.

Padrão de documentos proposto pela Microsoft é rejeitado por comissão técnica brasileira. Companhia americana de software prefere não se manifestar.

Por COMPUTERWORLD
23 de agosto de 2007 – 15h40A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) irá votar “não, com condicionantes” como sua posição oficial em relação ao padrão de documentos OpenXML, proposto pela empresa Microsoft. A informação foi divulgada em nota hoje (23/08).

A decisão define o voto brasileiro na reunião da International Organization for Standardization (ISO) que acontece no dia 2 de setembro e poderá afetar todos os usuários de computador do planeta.

A ISO definiu em 2006 o padrão aberto ODF para documentos eletrônicos como textos e planilhas eletrônicas. Isso significa que, para abrir e usar arquivos de computador, os usuários não ficarão dependentes de um único produto.

A Microsoft, porém, solicitou à ISO um procedimento de urgência (fast track) para a avaliação de um padrão de documentos, o OpenXML, que mantivesse a compatibilidade com vários produtos da empresa protegidos por propriedade intelectual.

Na ISO quem vota pelo Brasil é a ABNT, uma organização não-governamental, de direito privado, que não sofre ingerência do governo. No entanto, a associação não pode deixar de observar as decisões que a diplomacia brasileira tem tomado em relação a software livre nos fóruns internacionais.

O deputado federal Paulo Teixeira (Pt-SP) articulou uma reunião entre a ABNT e diversos representantes de ministérios e da Presidência da República no dia 20 de agosto.

Nesse encontro, o governo brasileiro decidiu optar pelo “não, com condicionantes”, após uma série de esclarecimentos feitos pelo diretor da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone.

A posição governamental foi unânime e contou com o apoio do Assessor Especial do Presidente, Cézar Alvarez, e representantes dos ministérios da Defesa, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Itamaraty, Casa Civil, Serpro e Desenvolvimento, segundo o assessor de parlamentar.

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Quando estourou o escândalo do pagamento de propina à Lulinha, Lula, El Corrupto, disse que ninguém neste país tinha mais moral que ele. Castello Branco e Lula (http://opatriota.org/portal/?p=3797)

Pois bem, confiram aqui, tudo o que pode ser econtrado sobre este escândalo.

https://www.google.com.br/search?q=Lula+E+Telemar&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a

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Integrantes da base aliada do governo derrubaram nesta quarta-feira (5) cinco pedidos feitos pela oposição para que investigados pela Operação Porto Seguro prestassem esclarecimento na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.

Por 12 votos a três, um a um os requerimentos apresentados pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) e pelo deputado Mendonça Filho (DEM-PE) foram derrotados no colegiado no início da tarde de hoje.

“O que vemos é uma coisa absolutamente estranha. A base protegendo as pessoas que estão sendo investigadas”, disse Macris após a rejeição dos convites.

Os requerimentos eram direcionados à ex-chefe de Gabinete Regional da Presidência da República, Rosemary Nóvoa de Noronha; ao ex-advogado-geral-adjunto da União José Weber Holanda; ao ex-diretor de Ingraestrutura da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e ao ex-diretor da ANA (Agência Nacional de Águas), Paulo Rodrigues Vieira, preso na operação sob acusação comandar o esquema de venda de pareceres públicos.

A operação foi deflagrada na última sexta-feira (23) e indiciou 18 pessoas e prendeu seis. Foram exonerados cinco servidores e afastados outros cinco.

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RICARDO MENDONÇA
DE SÃO PAULO

A Folha errou na edição do último domingo ao dizer que a maioria dos eleitores de Marina Silva (PSB) migram para a presidente Dilma Rousseff (PT) quando a ex-ministra do Meio Ambiente é substituída pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na pesquisa Datafolha.

Segundo os dados corretos do instituto, 32% dos eleitores de Marina optam por Campos quando ela não está entre os concorrentes. No cenário mais provável da disputa, é Campos, portanto, o maior herdeiro das intenções de voto de sua nova aliada, Marina Silva.

O segundo maior contingente dos eleitores da ex-ministra, 23%, votam em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos oferecidos no cartão de resposta da pesquisa.

Candidata à reeleição, Dilma fica com 22% dos eleitores marineiros, não com 42%, como diziam a reportagem e o infográfico de domingo. Já o senador tucano Aécio Neves (MG) herda 16% dos eleitores de Marina, não 21%.

O mesmo exercício pode ser feito no cenário em que o ex-governador de São Paulo José Serra aparece como candidato do PSDB no lugar de Aécio Neves.

Neste caso, Serra passa a ser o maior herdeiro dos eleitores de Marina. O tucano fica com 33% dos que manifestavam voto na ex-ministra. Campos vem logo atrás com 28%. Outros 18% optam pelo voto em branco, nulo ou em nenhum candidato. Dilma fica em último lugar com 17%.

A leitura equivocada de uma das tabelas produzidas pelo Datafolha gerou o erro da reportagem da Folha na página A4 do domingo. No texto e nos gráficos daquela edição, os índices apresentados como migração de eleitores de Marina eram, na verdade, as intenções totais de voto de cada candidato.

Na pesquisa realizada sexta-feira, o Datafolha ouviu 2.517 eleitores em 154 municípios do país, o que resulta numa margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

POTENCIAL

Marina filiou-se ao PSB, sigla presidida por Campos, depois de fracassar sua tentativa de montar o partido Rede Sustentabilidade a tempo de disputar as eleições de 2014.

Com isso, ela e o governador de Pernambuco não poderão concorrer ao mesmo cargo no ano que vem.

A pesquisa de sexta mostrou que mais da metade dos eleitores (52%) não ficou sabendo da filiação de Marina ao PSB. Como entre eles há eleitores da própria Marina, seu potencial de transferência de votos para Campos é ainda maior.

O instituto também perguntou se Marina agiu bem ou mal ao ingressar no PSB. Para 37%, agiu bem. Outros 17% disseram que agiu mal. O maior grupo (47%) não soube responder.

Quando aparece como candidata no lugar de Eduardo Campos, Marina chega a ter 29% das intenções de voto. Nessas situações, Dilma não alcança mais da metade das preferências, e a eleição teria que ser decidida no segundo turno.

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Clique para ampliarTrês décadas após seu best-seller “Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada, Prostituída”, Christiane Felscherinow apresentou nesta sexta-feira (11), em Frankfurt, sua segunda autobiografia, revelando os anos que se seguiram à vida errante na Berlim dos anos 1970.

“Sempre me remetem a Christiane F.. Para todo o mundo, eu continuo com 18, ou 16 anos. E é muito difícil, para mim, dizer: ‘eu posso dirigir um carrão, eu posso fazer isso'”, disse ela em uma entrevista coletiva na Feira do Livro em Frankfurt, o mais importante evento mundial do mercado editorial.

“Eu sou sempre uma garota de 15 anos. É por isso que esse livro é necessário para mim”, explicou.

Christiane, hoje com 51, apresentou “Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo” (em tradução livre), sua nova autobiografia escrita em colaboração com a jornalista alemã Sonia Vukovic, em que conta sua vida adulta, entre drogas, tentativas de desintoxicação, aventuras com estrelas e até uma passagem pela prisão.

Essa segunda obra aparece 35 anos depois do depoimento da adolescente alemã que se prostituía para garantir sua dose de heroína. Virou livro, vendeu milhões de exemplares, chegou às telas do cinema, ganhou o mundo. E chocou a Alemanha, ao mostrar o retrato de uma juventude à deriva no submundo da então Berlim Ocidental.

“Nós não douramos a pílula em nada”, garantiu Sonia Vukovic, nesta sexta-feira, sobre o novo livro. “Afirmamos de maneira bem clara que Christiane não se sente bem fisicamente”, completou.

No livro, ela também fala do nascimento de seu filho, Philipp, em 1996, e de seus esforços para ser uma boa mãe. Em 2008, porém, ela decide partir para Amsterdã, e as autoridades retiram-lhe a guarda do filho, que é entregue a uma família de acolhimento.

“A família é muito gentil. (…) Meu filho vai entrar no colégio, e eu me pergunto se é razoável, hoje, dizer de maneira egoísta: ‘agora, eu posso tê-lo novamente, quero que ele volte imediatamente para casa”, acrescenta.

“Nós nos vemos nos finais de semana e durante as férias. Sempre foi assim. (…) É melhor que ele termine o colégio. A evolução atual me agrada, e eu estou orgulhosa”, afirmou.

 

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Erasure – O’Lamour
11 de outubro de 2013 | Autor:

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Diploma de Mestre em Clínica Cirúrgica
11 de outubro de 2013 | Autor:
Clique para ampliarClique na imagem acima para ampliar ou aqui para ver em tamanho real
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Pornografia em propaganda
11 de outubro de 2013 | Autor:

Dá para ver os grandes lábios da vulva da mulher na imagem na home page do UOL

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Tem um errinho grosseiro na notícia: no segundo parágrafo está escrito: “os cientistas dizem que um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como Alzheimer, Mal de Parkinson, Doença de Huntington, entre outras”  O problema é que Parkinson e Alzheimer tem mecanismos muito diferentes. Enquanto o Parkinson é causado pela morte seletiva de neurônios da via nigro-estriatal, o Alzheimer é causado pelo “encapamento” dos axônios (a cauda dos neurônios) do hipocampo e do para-hipocampo por um quelante de íons de ferro. Uma doença não tem nada a ver com a outra. É muita promessa para uma droga só. Leia a descoberta aqui

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A Sombra do Imposto
10 de outubro de 2013 | Autor:

Cartilha muito interessante editada pela Federação da Indústrias do Paraná – FIEP em 2010 e que vale a pena baixar e ler. Baixe aqui

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alzheimer

A descoberta da primeira substância química capaz de prevenir a morte do tecido cerebral em uma doença que causa degeneração dos neurônios foi aclamada como um momento histórico e empolgante para o esforço científico.

Ainda é necessário maior investigação para desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes. Mas os cientistas dizem que um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como Alzheimer, Mal de Parkinson, Doença de Huntington, entre outras.

Em testes feitos com camundongos, a Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, mostrou que a substância pode prevenir a morte das células cerebrais causada por doenças priônicas, que podem atingir o sistema nervoso tanto de humanos como de animais.

A equipe do Conselho de Pesquisa Médica da Unidade de Toxicologia da universidade focou nos mecanismos naturais de defesa formados em células cerebrais.

Quando um vírus atinge uma célula do cérebro o resultado é um acúmulo de proteínas virais. As células reagem fechando toda a produção de proteínas, a fim de deter a disseminação do vírus.

No entanto, muitas doenças neurodegenerativas implicam na produção de proteínas defeituosas ou “deformadas”. Estas ativam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves.

As proteínas deformadas permanecem por um longo tempo, resultando no desligamento total da produção de proteína pelas células do cérebro, levando a morte destas.

Este processo, que acontece repetidamente em neurônios por todo o cérebro, pode destruir o movimento ou a memória, ou até mesmo matar, dependendo da doença.

“Extraordinário”

Acredita-se que este processo aconteça em muitas formas de neurodegeneração, por isso, interferir este processo de modo seguro pode resultar no tratamento de muitas doenças.

Os pesquisadores usaram um composto que impediu os mecanismos de defesa de se manifestarem, e por sua vez interrompeu o processo de degeneração dos neurônios.

O estudo, divulgado na publicação científica Science Translational Medicine, mostrou que camundongos com doença de príon desenvolveram problemas graves de memória e de movimento. Eles morreram em um período de 12 semanas.

No entanto, aqueles que receberam o composto não mostraram qualquer sinal de tecido cerebral sendo destruído.

A coordenadora da pesquisa, Giovanna Mallucci, disse à BBC: “Eles estavam muito bem, foi extraordinário.”

“O que é realmente animador é que pela primeira vez um composto impediu completamente a degeneração dos neurônios.”

“Este não é o composto que você usaria em pessoas , mas isso significa que podemos fazê-lo, e já é um começo”, disse Mallucci.

Ela disse que o composto oferece um “novo caminho que pode muito bem resultar em drogas de proteção” e o próximo passo seria empresas farmacêuticas desenvolverem um medicamento para uso em seres humanos.

O laboratório de Mallucci também está testando o composto em outras formas de neurodegeneração em camundongos, mas os resultados ainda não foram publicados.

Os efeitos colaterais são um problema. O composto também atuou no pâncreas, ou seja, os camundongos desenvolveram uma forma leve de diabetes e perda de peso.

Qualquer medicamento humano precisará agir apenas sobre o cérebro. No entanto, o composto dá aos cientistas e empresas farmacêuticas um ponto de partida.

Estudo de referência

Comentando a pesquisa, Roger Morris da King’s College London, disse: “Esta descoberta, eu suspeito, será julgada pela história como um acontecimento importante na busca de medicamentos para controlar e prevenir o Alzheimer.”

Ele disse à BBC que uma cura para a doença de Alzheimer não era iminente, mas disse que está “muito animado, pois é o primeiro teste feito em um animal vivo que prova ser possível retardar a degeneração de neurônios.”

“O mundo não vai mudar amanhã, mas este é um estudo de referência.”

David Allsop, professor de neurociência da Universidade de Lancaster descreveu os resultados como “muito impressionante e encorajador”, mas advertiu que era necessário mais pesquisas para ver como as descobertas se aplicam a doenças como Alzheimer e Parkinson .

Eric Karran, diretor de pesquisa da organização sem fins lucrativos Alzheimer’s Research UK, disse: “Focar em um mecanismo relevante para uma série de doenças neurodegenerativas poderia render um único medicamento com benefícios de grande alcance, mas este composto ainda está em uma fase inicial.”

“É importante que estes resultados sejam repetidos e testados em outras doenças neurodegenerativas, incluindo o mal de Alzheimer.”

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NSA tentou invadir rede Tor, diz jornal
7 de outubro de 2013 | Autor:

121040-torA Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) tentou invadir (sem sucesso) a rede Tor por anos. Os documentos com detalhes sobre a tentativa de infiltração foram divulgados pelo americano Edward Snowden. As informações são do jornal britânico The Guardian.

Os documentos vazados por Snowden detalham diversos métodos diferentes usados pela NSA na tentativa de descascar as diferentes camadas da rede. Mas nenhum dos processos teve sucesso. Isso significa que nem mesmo os hackers financiados pelo governo americano conseguiram descobrir uma maneira de invadir a rede.

A NSA assumiu que nunca será capaz de tirar a rede do anonimato, muito menos identificar todos os usuários. Mas podem descobrir a identidade de alguns, a partir de rastros deixados pela web.

Segundo o jornal, a NSA também pensou em interromper a rede Tor para tentar descobrir se existe algum método capaz de dificultar o acesso dos usuários. Mas, após explorar a estrutura da rede, a equipe percebeu que essa não era uma opção viável.

Neste processo de tentativa de invasão também estava o serviço de inteligência britânico, o GCHQ. Essa não é a primeira vez que o governo americano tenta invadir a rede. Em agosto, o FBI (Agência Federal de Investigação) também quis infiltrar Tor, embora por razões diferentes da NSA.

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O lado sombrio da web
6 de outubro de 2013 | Autor:

Clique para ampliarSites que vendem drogas, remédios controlados e contrabando estão onde o Google não chega e desafiam a lei com criptografia e meios anônimos de pagamento. INFO entrou no submundo da internet para mostrar como funciona o tráfico na chamada Deep Web

Em cinco meses, a trajetória do portal Atlantis já pode ser comparada à dos grandes sites de e-commerce. Desde seu lançamento, em 14 de março, o Atlantis registrou 600 mil dólares em vendas, com quase 2 mil itens listados em 26 categorias. Sua atuação tem alcance global, e a equipe técnica trabalha para garantir a estabilidade da página, apesar do aumento crescente no número de acessos. Um sistema automático de recomendações também está nos planos. O objetivo é dar aos usuários a melhor experiência de compra, seguindo a estratégia de grandes companhias do varejo online, como Amazon e eBay. Mas há uma diferença importante entre o novo portal e os grandes sites de comércio eletrônico. O Atlantis vende drogas ilegais.

A variedade de substâncias encontradas no site faz com que os cartéis internacionais de drogas pareçam coisa de amador. Cocaína escama de peixe, haxixe marroquino, mescalina, pastilhas de ecstasy no formato de granadas, estampas multicoloridas de LSD e maconha, muita maconha. Afinal, esse é o produto mais popular, com exóticas variedades da erva: neblina da amnésia, sativa havaiana, diesel azedo. O portal oferece também remédios controlados, revistas eróticas, documentos falsos, contrabando, livros sobre o cultivo de cogumelos alucinógenos e até uma inocente coleção do autor Dan Brown, de O Código Da Vinci. Bem-vindo ao submundo da internet.

“As pessoas amam a conveniência de comprar pela internet”, afirma Loera, um dos fundadores do site Atlantis, em entrevista a INFO. “Elas não precisam se encontrar com estranhos ou traficantes de rua, potencialmente perigosos. Também há uma garantia de qualidade da mercadoria, com o nosso sistema de avaliação feita pelos usuários. Os produtos são extremamente puros no Atlantis, o que é raro nas ruas.” Essa pureza a que se o fundador do Atlantis tem preço: 5 gramas de viúva branca, uma variação de maconha holandesa, custam o equivalente a 240 reais.

Não há como saber se Loera é homem ou mulher nem em que país vive. O nome é falso, e remete ao sobrenome de Joaquín “El Chapo” Guzmán Loera, chefe de um cartel mexicano de drogas chamado Sinaloa. O contato de Loera com a reportagem deu-se por meio de uma série de e-mails trocados ao longo de junho.

No fim do mês, depois que o marqueteiro do Atlantis, cujo salário é pago com a moeda virtual bitcoin, lançou uma peça publicitária no YouTube que repercutiu na imprensa internacional, a conversa passou a se dar por meio de um sistema de mensagens criptografadas. O vídeo de animação postado pelo Atlantis no YouTube conta a história de um personagem chamado Charlie, que viaja muito a trabalho e acaba sem drogas. Ele descobre o site, compra a droga e fica “alto como uma pipa”. O vídeo foi logo retirado do ar pelo YouTube.

Mesmo com o barulho causado pelo lançamento do serviço, os administradores do Atlantis não se mostram intimidados com a polícia. “Queremos atrair atenção e mais clientes. As forças da lei saberão da gente, e provavelmente já sabem, independentemente da maneira como divulgamos nosso produto”, disse outro fundador do portal, que preferiu não se identificar, numa entrevista coletiva a usuários do site Reddit.

“Decidimos investir tudo o que ganhamos para transformar o Atlantis no mercado número 1”, afirma Loera. Para alcançar esse objetivo, o Atlantis precisa bater seu maior concorrente, o Silk Road, atual líder no comércio eletrônico ilegal de drogas. Inaugurado em 2011, o site tem mais de 560 vendedores de drogas, de equipamentos de espionagem e de produtos de contrabando. O nome faz referência à rota da seda, que ligou o comércio do extremo oriente, do norte da África à Europa, no início da era cristã. Estima-se que a página tenha movimentado 22 milhões de dólares somente em 2012.

“O Silk Road mostrou que é possível manter ativo esse tipo de negócio ilícito”, disse a INFO Nicolas Christin, especialista em crimes cibernéticos e professor da Universidade Carnegie Mellon, dos Estados Unidos. “Quando outras pessoas viram que, depois de dois anos, as autoridades não conseguiram tirar o Silk Road do ar, surgiu a possibilidade de competir.”

Nicolas Christin coletou dados do Silk Road ao longo de vários meses, de 2011 a 2012, para um estudo acadêmico. De acordo com o levantamento, de 30 mil a 150 mil pessoas navegavam pelo site mensalmente até o fim do ano passado. Para garantir o anonimato de seus usuários, os administradores dos portais que vendem drogas investem em duas tecnologias principais.

O que é deep web – Para entender como funciona a deep web, pense na internet pela qual você navega todos os dias: uma malha de documentos e arquivos ligados por hiperlinks, acessados por browsers como Chrome, Firefox, Internet Explorer e Safari.

Muitas páginas web, no entanto, foram desenhadas de modo a não liberar o acesso vindo de uma conexão normal nem se deixar indexar pelo Google ou por outros mecanismos semelhantes de busca. Esse conjunto de páginas e documentos foi batizado de deep web, ou rede profunda.

Existem várias organizações que utilizam a estrutura da deep web de forma lícita. Universidades, por exemplo, podem usar a rede não indexada para limitar o acesso a artigos acadêmicos. Há ainda redes secretas disponíveis apenas para as agências governamentais. Mas existe também o lado sombrio e ilegal da rede profunda, representado por fóruns para a discussão de terrorismo, pedofilia, sexo bizarro, além dos mercados de drogas, como Silk Road e Atlantis.

Uma peça fundamental nessa estrutura é o Tor, porta de entrada para muitas dessas páginas. O sistema faz conexão com os sites escondidos usando uma rede intrincada de servidores. Rastrear a origem do acesso é quase impossível, o que garante o anonimato dos usuários.

A organização WikiLeaks também depende dessa rede para que seus colaboradores continuem anônimos. Todo o ciberativismo contra regimes opressores utiliza a deep web. “Qualquer comunicação sensível precisa se manter anônima”, diz Natalia Viana, jornalista brasileira que atuou no WikiLeaks.

De forma simplificada, essa é a diferença do acesso normal e o acesso pelo Tor - clique para ampliarDe forma simplificada, essa é a diferença do acesso normal e o acesso pelo Tor – clique para ampliar

1. Deepweb – A estrutura da rede profunda, um conjunto de páginas escondidas de navegadores comuns, como o Chrome, e dos robôs de indexação do Google, é a única maneira de acessar sites como o Silk Road e o Atlantis. O browser usado é o Tor (The Onion Router). Com esse navegador, as conexões da internet passam por uma rede labiríntica de servidores, arquitetada especialmente para frustrar tentativas de monitoramento. O Tor também é usado por ciberativistas e por qualquer um que queira navegar pela web sem ter sua identidade rastreada.2. Moedas criptográficas – Usadas para fazer as transações nos sites, moedas como bitcoin e litecoin não têm uma entidade central, como um banco, para controlar origem e destino. Os portadores dessas moedas criptográficas podem fazer compras de forma anônima, viabilizando as transações ilegais.”O fundador do Silk Road foi visionário, por reunir essas tecnologias em um único lugar”, diz a australiana Eileen Ormsby, dona do blog All Things Vice, especializado em deep web. Eileen refere-se ao Dread Pirate Roberts, criador do Silk Road, que usa o nome de um personagem do romance A Princesa Prometida, de William Goldman. “Havia mercados ilegais antes, mas nenhum tão acessível”, diz Eileen.

Dread Pirate Roberts escreve avisos, dá sua opinião na comunidade e atualiza o código do site. Pouco se sabe sobre ele, nem se há mais de uma pessoa por trás do apelido. Em sua assinatura no fórum do Silk Road, há links para duas leituras recomendadas: O Novo Manifesto Libertário, no site Anarchism.net, e uma versão em PDF do livro Por uma Nova Liberdade, do teórico libertário Murray N. Rothbard. “Ele é uma figura muito carismática, e pensa que faz parte de uma revolução”, diz Eileen. A reportagem da INFO entrou em contato com Dread Pirate Roberts pelo sistema de mensagens privadas do fórum, mas, em resposta, teve a conta banida.

Na estrutura de vendas, Silk Road e Atlantis lembram o site de leilões eBay. Nenhum deles faz venda direta ou mantém um estoque próprio. Eles oferecem plataformas para a distribuição anônima. Qualquer um pode anunciar seus produtos no site, desde que pague uma taxa de até 500 dólares. No Atlantis, o vendedor paga 50 dólares de taxa. “Os vendedores são muito leais o Silk Road e suspeitam do Atlantis”, afirma Eileen. Feita a compra pelos sites, os traficantes usam os serviços de correios para enviar a droga. Nessa etapa, não há criptografia que disfarce as substâncias ilegais do olfato de cães farejadores e dos scanners dos postos de inspeção.

Por isso, há um grande esforço desses portais ilegais para desenvolver técnicas de camuflagem para as drogas. No fórum do Silk Road, por exemplo, existe uma área exclusiva para a discussão do tema. Ali, aprende-se que nem a selagem a vácuo consegue evitar o vazamento de vapor das drogas depois de alguns dias. Usuários mais experientes recomendam embalagens de alumínio e filme PET, capazes de isolar gases por um bom tempo. Cartões alsos de Natal e de aniversário que acondicionam a droga completam o disfarce. Outros membros falam em utilizar, como destinatários, o nome de antigos moradores do endereço de entrega, para evitar que o comprador seja associado ao pacote a ser entregue.

Um usuário anônimo, que se diz funcionário do sistema americano de Correios, revela detalhes das inspeções. “Elas não acontecem todos os dias, a menos que haja um grande carregamento a caminho”, diz ele. “Já vi cartas oferecidas aos cachorros. Nunca vi cães farejarem a esteira, mas eles são sempre levados a carrinhos de encomendas internacionais.”

A reportagem da INFO falou com um vendedor de ecstasy e LSD de sucesso no Silk Road e no Atlantis. Ele pede que sua identidade não seja revelada, por razões óbvias, mas conta que mora na Austrália e fatura em torno de 20 mil dólares americanos por mês usando o site. O australiano afirma que nunca vendeu drogas nas ruas e que acaba de abandonar o emprego para se dedicar totalmente ao tráfico pela internet.

“Percebi que faria mais dinheiro com isso”, diz. “Estou muito satisfeito agora. Meus clientes estão felizes, e isso me faz sentir bem pelo que faço. Muitos dos meus amigos que vendiam nas ruas foram presos. Negociar pela internet é muito mais seguro”, afirma o vendedor. É para os Estados Unidos que vai quase metade do total das drogas vendidas no Silk Road, com 43,8% das encomendas, seguidos por Reino Unido (10,1%), Holanda (6,5%), Canadá (5,8%) e Alemanha (4,5%).

Há indícios de que pacotes comprados nessas páginas ilegais cheguem ao Brasil desde 2011. Um brasileiro escreveu, no fórum do Silk Road, estar com medo de realizar sua primeira compra. Outro usuá­rio responde em seguida: “Não me preocuparia se fosse você. Comprei DMT (uma droga psicodélica) da Holanda. Levou quase dois meses para chegar. Meu envelope foi entregue selado e intacto. Não precisei assinar nada, porque foi enviado como um cartão de aniversário.” A reportagem escreveu para mais de uma dezena de usuários brasileiros no fórum do Silk Road, mas nenhum concordou em dar entrevista.

No Brasil, os Correios não revelam estatísticas de apreensão, mas a empresa detalha o esquema de checagem que implantou para detectar esse tipo de enco­ menda. “Usamos equipamentos de raios X e espec­trômetros de massa”, diz a equipe de comunicação dos Correios, referindo­se a máquinas por onde passam as cartas, capazes de captar e identificar partículas de drogas ilegais. O sistema custou 209 milhões de reais.

A Polícia Federal investiga crimes na deep web desde o início de 2013. A divisão de crimes cibernéticos é a responsável e apoia outras unidades, como a de combate ao tráfico de drogas. “Essa é uma ati­vidade recente”, diz o delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral. “Sabemos que há crimes pratica­ dos na rede não indexada, mas não há um buscador, como o Google, que nos ajude a acessar essas infor­ mações. Precisamos desenvolver outras técnicas.”

Na avaliação de Luciana Boiteux, coordenado­ ra do Grupo de Pesquisas em Política de Drogas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a chance de chegar a esse tipo de crime no Brasil é remota. “A grande dificuldade é a investigação”, diz Luciana. “A maioria das prisões por tráfico no país acontece em flagrante. Sites como o Silk Road invertem essa lógica.” Apenas com a investigação do processo de compra e entrega é possível identificar os infratores.

Um brasileiro que for pego por comprar drogas na internet pode ser enquadrado no Artigo 28 da Lei de Tóxicos, que prevê advertência, prestação de serviços à comunidade e medidas educativas. No caso de venda, o infrator cai no Artigo 33, que prevê até 15 anos de prisão.

Se investigar consumidores e traficantes já é um problema, fechar esses sites é ainda mais complicado. O anonimato, tanto na comunicação como nos meios de pagamento, praticamente bloqueia o acesso das autoridades. Mas existem algumas brechas, segun­ do o estudo de Nicolas Christin, da Carnegie Mellon.

Uma ideia seria acabar com o anonimato oferecido pelo bitcoin, obrigando usuários a associar suas moedas a uma identidade existente. O proble­ ma é que alguns dos sites, como o Atlantis, já utilizam outras moedas criptográficas alternativas.

Outra saída seria atacar diretamente os servidores desses e­commerces, direcionando vo­ lumes anormais de tráfego, em uma espécie de ataque hacker. Nos últimos meses, o Silk Road foi alvo desses golpes, que desestabilizaram a página, tirando­a do ar diversas vezes. Mas Dread Pirate Roberts foi capaz de contornar o problema.

“Ninguém sabe quem estava por trás desses ata­ ques”, diz Eileen Ormsby, do blog All Things Vice. Forças do governo americano e o próprio Atlantis foram acusados pelos usuários do Silk Road, apesar de o concorrente negar. “Nunca usamos essas táticas contra a competição, e nunca usaremos”, disse Loera, do Atlantis. “Admiramos tudo o que o Silk Road conquistou e lutamos a mesma batalha que eles.”

Apesar dos esforços da polícia e de agências de investigação, a tendência aponta para o surgimento de novos mercados anônimos e online, e não para a extinção dos que existem. Além do Atlantis e do Silk Road, há pelo menos quatro outros em operação: Sheep Market, Black Market Reloaded, Russian Anonymous Marketplace e Buy It Now. “Provavelmente esse vai se tornar um negócio multimilionário”, afirma Loera, do Atlantis. “Pensamos no longo prazo.”

Para o professor Nicolas Christin, o Silk Road só perderá a corrida se parar de inovar. “É uma questão tecnológica. Podemos ver uma disputa semelhante à do Facebook contra o MySpace. Vence quem tem as melhores ferramentas para o usuário”, afirma Christin. No começo de julho, Dread Pirate Roberts anunciou mudanças no código para melhorar o sistema de pagamento do Silk Road, em resposta às inovações da concorrência.

Esses sites que vendem todo tipo de droga ilegal mostram que existe um lado sombrio nos avanços tecnológicos voltados para a navegação anônima, que pode chegar ao crime organizado. “Vendedores de rua também compram nesses mercados virtuais, o que enfraquece o controle que as organizações criminosas têm sobre eles”, diz o traficante australiano entrevistado por INFO.

Para o engenheiro libanês Nadim Kobeissi, criador do software de bate-papo anônimo Cryptocat, o crescimento dos portais ilegais é um sintoma da evolução tecnológica e de como a sociedade se adapta a essa evolução. “Qualquer um pode usar um carro de forma que viole a lei e até transformá-lo em bomba”, diz Kobeissi. “Assim como carros podem ser usados para o bem e para o mal, a tecnologia de privacidade também pode. Não devemos permitir que nossos medos atrasem o progresso.” Mesmo que esse progresso esteja na venda de drogas ilegais? Essa discussão está só começando.

Esta matéria está na revista INFO de agosto. Assine INFO e receba todos os meses em sua casa uma edição com o que há mais quente na tecnologia.

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História do Linux
6 de outubro de 2013 | Autor:

O Linux é um fenômeno

Nenhum outro sistema operacional deu tanto o que falar nos últimos anos.

Até meados dos anos 90, quem comprava um computador pessoal tinha de escolher entre um PC rodando DOS e Windows ou um Macintosh.

A versão do Unix para PC e o OS/2 da IBM contavam com seus adeptos, mas nunca se tornaram realmente populares. E, qualquer que fosse a escolha, o usuário pagava por ela. O Linux mudou tudo isso e virou mercado de software pelo avesso.

Criado em 1991 por no Linus Torvalds, um estudante finlandês que tinha na programação de computadores seu passatempo predileto, ou Linux logo se espalhou pelo mundo. Desenvolvido cooperativamente por programadores de muitos países, esse sistema operacional popularizou o conceito de software livre. Pode ser obtido de graça na internet. Quem sabe programar pode modificá-lo para que atenda melhor as suas necessidades, algo impensável com os softwares comerciais.

Empresas de usuários individuais usando o Linux sem pagar nenhuma licença de uso. Companhias distribuidoras – como Red Hat, Caldera, SuSE e a brasileira conectiva – ganham dinheiro vendendo CDs com software, manuais, suporte técnico, cursos e serviços de consultoria. Um único CD com Linux pode ser usado para instalar o software em centenas de computadores. É completamente diferente do que acontece com os softwares comerciais, que exigem pagamento de uma licença para cada máquina em que vão ser instalados. É a revolução do software livre.

O mundo do pinguim tem seus heróis, como John “Maddod” Hall,. Fundador da Organização Linux Internacional. Maddod, um incansável divulgador do software livre, já esteve várias vezes realizando palestras no Brasil. ” Desenvolver software não envolve apenas tempo de estudo no desenvolvimento em si. É preciso ter tempo para identificar os bugs do seu sistema e consertá-los você mesmo. Isso o software fechado não permite . É o seu maior problema”, afirma ele.

A fama do Linux, comprovada, é de ser um sistema operacional eficiente, capaz de rodar com bom desempenho mesmo em micros um pouco de antiquados. Também tem escalabilidade, ou seja, suas várias versões rodam em máquinas que vão desde dispositivos de bolso até um grande mainframe. O fato de ser um sistema em que programadores podem alterar e melhorar o software permite corrigir rapidamente as falhas e mantém o sistema em contínua evolução.

No início, o termo Linux referia-se apenas ao kernel, a parte central do sistema operacional. Com o tempo, passou a identificar, além do kernel, uma coleção de utilitários e aplicativos que rodam sobre este núcleo . Essas coleções são chamados de distribuições. São as versões empacotadas do Linux. Além do sistema operacional propriamente dito, trazem coisas como ferramentas para administração do sistema, e desenvolvimento de aplicativos, interfaces gráficas para o usuário e servidores para internet. Há dezenas de distribuições do Linux, cada um uma com uma seleção de softwares feita por seu respectivo fabricante.

O trabalho desses fabricantes tornou o Linux mais fácil de instalar e de usar. É mais prático encontrar todos os programas básicos num mesmo CD que ficar baixando arquivos isolados na internet. Empresas como Conectiva, Red Hat e SuSE criaram, por exemplo, utilitários de instalação que já preveem a possibilidade de instalar o Linux junto com outro sistema operacional, como o Windows, no mesmo PC. Isso permite experimentar o Linux sem eliminar totalmente o sistema antigo do micro.

As distribuidoras trocam informações entre si para evitar problemas de incompatibilidade, como um aplicativo de uma distribuição não funcionar em outra , por exemplo. Esses problemas ainda acontecem, mas tem se tornado menos frequentes. O kernel tem sempre um mantenedor, o responsável por aprovar cada aperfeiçoamento. Isso garante que, pelo menos no núcleo do sistema, não vão aparecer versões conflitantes. O primeiro mantenedor foi Linus Torvalds, o segundo, o inglês Alan Cox. No fim do ano passado, os dois escolheram o brasileiro Marcelo Tosatti, 18 anos, para cuidar da versão estável do Linux, ou seja aquela que já está em uso (versão 2.4.X). Entre suas missões estão selecionar as correções que podem ser implementadas no sistema e tornar o Linux compatível com novos computadores e periféricos. Torvalds e Cox continuam responsáveis por supervisionar as versões do kernel que ainda estão em desenvolvimento.

O software que veio do frio

Era uma vez um jovem estudante de computação da Universidade de Helsinque, na Finlândia. Para sua própria diversão, em seu quarto com cortinas que protegiam do sol (mesmo morando num país notavelmente frio), achou que seria uma tarefa interessante melhorar o Minix, uma variação do sistema operacional Unix concebido para fins didáticos. Colocou a idéia em prática com a ajuda de internautas de todo o mundo e acabou criando um novo sistema operacional, o Linux. Sua criação mudou o mundo da tecnologia e popularizou o conceito de software livre. Bem, a história do Linux não é um conto de fadas, mas prova que um patinho feio como Linus Torvalds pode, sim, ter sucesso.

Linus Torvalds nasceu em 28 de dezembro de 1969 e, como ele mesmo se descreve em sua autobiografia – Só por Prazer – Linux, os Bastidores da sua Criação, escrita em parceria com o jornalista David Diamond -, era uma criança feia, de cabelos castanhos (no Brasil, seria considerado loiro), com olhos azuis, sem o menor gosto para escolher roupas e com o tradicional nariz dos Torvalds. Segundo ele, há mais nariz do que homens em três gerações da família.

Por ser gênio da matemática, na escola e tirar boas notas, cresceu e aceitou o fato de ser um nerd, muito antes de isso ser considerado um ponto positivo na personalidade de alguém. O sobrenome Torvalds veio de uma corruptela do sobrenome do avô paterno. Torvald (“domínio de Thor”), que adicionou um “s” para tornar o nome mais sonoro e confundir suecos e finlandeses, que não tem dificuldade par pronunciar a palavra do jeito que ela é atualmente. Por causa do sobrenome estranho, Linus sempre aparece na internet como Linux, não como Torvalds – ele afirma que são 21 Torvalds em todo o mundo, e todos são parentes.

Foi por meio do seu avô materno, Leo Waldemar Tornqvist, professor de estatística da Universidade de Helsinque, que Torvalds teve o primeiro contato com computadores. Quer dizer, primeiro foi a calculadora que piscava ao calcular senos e cossenos. Depois veio um Commodore VIC-20, em 1981. “O interesse pela informática começou devagar, e foi crescendo em mim”. Afirma Torvalds. Ele via o avô usando o computador, primeiro como um grande brinquedo, depois como uma calculadora melhorada. Então veio a linguagem Basic, a porta de entrada que levou Torvalds ao mundo da programação. Um dos primeiros programas escritos por ele cumpria a incrível tarefa de mostrar a palavra “Hello” na tela, infinitamente. Tinha duas linhas de código:

10 print “Hello”

20 goto 10

Depois a frase mudou para “Sara is the Best” (Sara é a melhor) para homenagear a irmã mais nova, com quem brigava bastante.

Com a morte do avô, o Commodore passou a ser de Linus. Chegou um momento em que sua mãe, jornalista, assim como o pai, dizia aos amigos que tinha um filho com baixo custo de manutenção em casa. Para deixá-lo feliz bastava guardá-lo em um quarto escuro com um computador e ocasionalmente alimentá-lo com macarrão velho. Linus afirma que os computadores de sua época, por serem menos sofisticados, permitiam às crianças como ele fuçar nos sistemas, o que não ocorre hoje. E os joguinhos eram uma forma de demonstrar isso. Eram feitos sempre em seu quarto com cortinas pretas, uma cama e, ao lado dela, o computador. Contatos com garotas? Só aquelas do colégio que queriam aprender com o gênio da matemática. “Sim, eu era um geek. Sentava na frente do micro e ficava feliz”.

Assim que esgotou os recursos do Commodore VIC-20, Linus Torvalds decidiu que era hora de comprar um novo computador. Ele faz aniiversário próximo do Natal. Na adolescência ganhava dinheiro dos parentes. Juntou mais alguns trocados que optou por comprar um Sinclair QL (isso por volta de 1986/87), que rodava o sistema operacional Q-DOS, tinha processador 6808 de 8 MHz, 128 Kbytes de memória e vinha com Basic avançado – mas nessa época Linus já dominava programação em Assembly. Nada modesto, ele diz que os programas que escrevia, nesta época, já eram perfeitos: “Comprei um controlador de disquetes, mas o Driver para ele era tão ruim que acabei escrevendo meu próprio. Nesse processo, encontrei bugs no sistema operacional, ou pelo menos uma discrepância entre o que a documentação dizia e o que o sistema fazia”, relata em só por prazer. Foi assim que Torvalds mergulhou de cabeça no mundo dos sistemas operacionais, uma aventura que acabaria por levá-lo a desenvolver seu próprio sistema, o Linux .

Minix ou Linux?

Quando entrou na universidade em 1990, o computador de Linus era um velho Sinclair QL. Mas, nesta época, os PCs 386 já eram micros atraentes. Fazendo tudo o que Sinclair fazia e eram produzidos em massa, logo, tinham um preço menor. Começou se desfazer do Sinclair aos poucos, ele pensava que seria divertido comprar uma nova CPU, apesar de não ter dinheiro. Nessa mesma época ele conheceu o livro que mudaria sua vida para sempre e, um tempo depois, o faria ter uma discussão (via Internet, claro) com o autor. O livro era “Sistemas Operacionais: projeto e implantação”, de Andrew Tanenbaum, professor em Amsterdã. A obra descrevia o Minix, projeto criado pelo autor para ser um clone do Unix. Após devorar as 719 páginas, Linus decidiu que queria um computador para rodar Unix. Apesar de a universidade ter máquinas rodando Unix e a partir daquele semestre ter um professor tão novato quanto os alunos no assunto, a versão escolhida para brincar em casa seria o Minix, mesmo.

Chega 1991 e Linus quer comprar um computador que 3500 dólares. O dinheiro recebido no aniversário/Natal não dava para isso, mas era possível financiar o micro, de topo de linha. Ele descreve o computador, que chegou em 5 de janeiro: “Não apenas é um micro sem nome, mas também sem descrição. Era um bloco cinza básico. Não comprei esse computador porque era bonitinho”. O micro funcionava a 33 MHz, tinha 4 MB de memória RAM e rodava MS-DOS. Na livraria local havia um livro sobre Minix, mas o programa teria de ser encomendado. Um mês de espera soou como seis anos.

O Minix chegou numa sexta-feira, e Linus passou o final de semana inteiro descobrindo do que gostava e, principalmente, do que não gostavam do sistema operacional. O emulador de terminal era um ponto que o irritava, pois precisava se conectar ao computador da universidade e a versão criada por Tanembaum não era das melhores. E era inverno na gelada Helsinque.

O projeto do emulador cresceu. Já dava para se conectar com o computador da universidade, ler e-mails e participar do grupo de discussão sobre Minix, mas não para fazer a upload ou download e para isso, precisava gravar os dados em disco. Logo, teria de criar um sistema de gerenciamento de arquivos. Isso deu trabalho, mas ele já via que o projeto se tornaria um sistema operacional. Linux afirma que não se lembra se era dia ou noite quando teve essa idéia, afinal as cortinas cobriam a luz solar. Em 3 de julho, ele envia uma mensagem para um grupo de discussão na Internet pedindo informações sobre regras Posix – padrões que definem o funcionamento do Unix, e a resposta estava na sua própria universidade, em manuais da Sun Microsystems. Começava a nascer o Linux.

GNU não é Unix

No princípio, era o Unix. O sistema operacional que a de 1969 foi a base de muita coisa que conhecemos hoje, incluindo o Linux. O Unix nasceu nos Laboratórios Bell, da AT&T, nos EUA. Em 1974, tornou-se um o primeiro sistema próxima ao escrita em linguagem C. É antes dele, o software básico do computador era sempre escritor em Assembly, linguagem específica para cada plataforma de hardware. O uso da linguagem C permitiu criar o primeiro sistema operacional potável, ou seja, capaz de rodar em diferentes computadores. O Unix foi, também, o primeiro sistema operacional totalmente modular. Isso permitiu acrescentar novas funções a ele por meio de módulos adicionais. Com essas características, o Unix pode evoluir junto com o hardware. É significativo o fato de continuar fazendo sucesso 33 anos depois de criado.

O Unix espalhou-se por várias empresas e universidades, e ganhou muitas variantes. No início dos anos 70, Richards Stallman trabalhava como programador no laboratório de inteligência artificial do instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT). Ele já fazia parte de uma comunidade de troca de software. seu trabalho? Melhorar o sistema operacional do digital PDP-10 um supercomputador dos anos 70, que parou de ser fabricado no início dos anos 80. Com o fim do PDP-10, e da comunidade criada em torno dele, havia duas opções para Stallman. A primeira a entrar no mundo do software comercial, com suas licenças de uso restritivas, e “Descobrir que, no final da carreira, teria passado a vida fazendo do mundo um lugar pior”, na visão do próprio Stallman. Ele cogitou até abandonar a profissão. A segunda possibilidade vislumbrada por ele era criar sua própria comunidade e, por conseqüência, um novo sistema operacional.

Enquanto estava no MIT, os computadores modernos da época, como o VAX e o 68020, tinham seus próprios sistemas operacionais, mas nenhum software era livre. O usuário tinha de assinar um termo de compromisso para obter uma cópia, sem poder compartilhar os programas livremente. Para mudar algo, teria de pedir ao desenvolvedor. Stallman não concordava com as regras do mercado e decidiu fazer um sistema compatível com o Unix, pois isso tornaria fácil, para os usuários de Unix usá-lo e modificá-lo. Em 1984, Stallman criou a Free Software Foundation (FSF). Seu objetivo era desenvolver o sistema operacional GNU, sigla que vem de “GUN não é Unix”, nome irônico escolhido por uma tradição hacker. A FSF nunca concluiu totalmente seu projeto. Mas Linus Torvalds usou muitos dos utilitários, ferramentas de desenvolvimento e e aplicativos do GNU em seu Linux. Sem GNU, não existiria o Linux como o conhecemos hoje.

O pinguim vira símbolo

Por que um pinguim? A ideia surgiu com uma mordida de um deles no dedo de Linus, num zoológico da Austrália. Depois disso, a ave, apelidada de Tux, virou símbolo do sistema operacional.

Linus descreve que pensava que o sistema operacional seria um substituto do Minix, com melhorias naquilo que ele achava ruim ou insuficiente. Quando viu, havia criado um shell, o termo UNIX para interface entre o usuário sistema operacional. E a primeira coisa que o kernel, o núcleo do sistema criado por Linus, fazia era acionar o shell, que era um clone do Bourne Shell, um dos shells originais do Unix. Em meados de agosto, o shell estava pronto e com ele era fácil criar e compilar outros programas. O verão na Finlândia e estavam no auge e Linus continuava trancado no quarto, chamando sistema secretamente de Linux, embora tivesse o nome Freax reservado.

Com a ajuda dos grupos de discussão na web, Linix pedia aos colegas que dissesse o que gostariam de ver no Minix, já que estava criando um sistema operacional como hobby para PCs. Em 17 de setembro de 1991, o shell funcionava o Linux passava a ser distribuído gratuitamente em um servidor da Internet. A versão era a 0.01, o que indicava que o software não estava tão pronto assim. Eram cerca de 10.000 linhas de código. Hoje, são mais de 10 milhões.

Em outubro, vem a versão 0.02, depois a 0.03. No mês de novembro o software já estava na versão 0.10. Os internautas apareciam com dúvidas para instalar e melhorar o sistema, que começava a fazer barulho na comunidade underground de tecnologia. “De repente, as pessoas começavam a substituir o Minix pelo Linux”, relata Torvalds. O número de usuários cresceu de 5, 10, 20 pessoas identificáveis a centenas de anônimos que, a pedido do Linus, mandavam cartões-postais para sua casa. Os cartões chegavam do mundo inteiro. Daí para o reconhecimento e adoção mundial do Linux por empresas como IBM, e a criação de companhias como Red Hat, VA Linux e tantas outras foi um pulo.

Linus foi o primeiro desenvolvedor do Linux e ainda coordena os trabalhos. Depois dele, Alan Cox foi escolhido como guardião do pinguim e, no ano passado o brasileiro Marcelo Tosatti, de 18 anos, foi indicado para coordenar as atualizações do kernel estável, ou seja, daquele que já está em uso. Torvalds e Cox continuam cuidando do desenvolvimento de novas versões. Se não fosse pelo esforço do estudante Linus Torvalds, talvez o mundo dos sistemas operacionafosse um pouco mais insegura em menos divertido. Hoje Linus trabalha na Transmeta, uma fabricante de chips. Mora n.o vale do silício, nos estados unidos, e, como sua mãe previa, a mãe natureza fez seu serviço: Linus casou-se com Tove, uma aluna que o convidou para sair por e-mail. Ele tem três filhas e uma BMW Z3. Se houvesse um conto de fadas geek, poderíamos dizer que é o primeiro do gênero, com um final até o momento feliz. Ou que está na versão 2.4. X, como o kernel do Linux.

Qual é o nome mesmo?

Para completar o sistema operacional Linux, Linus Torvalds e sua equipe usaram componentes desenvolvidos pela Free Software Foundation, como parte do projeto GNU. e isso causa uma confusão de nomenclatura: se Linux e o núcleo, mas utilitários do GNU susstentam o software, porque não chamá-lo de GNU/Linux? Pelo menos essa é a visão de Richard Stallman, criador da FSF. “No início dos anos 90, já tínhamos ocupado todo o sistema, exceto o núcleo (e nós ainda estamos trabalhando num kernel, o GNU/Hurd).

Desenvolver esse núcleo tem sido bem mais difícil do que esperávamos, e nós ainda estamos trabalhando em sua finalização. Felizmente, você não precisa esperar por ele, por que o Linux e está funcionando agora. Quando Linus Torvalds escreveu o Linux, ele completou a última grande lacuna”, explica Stallman. “Pessoas pudera, então, colocar o Linux junto com GNU para compor um sistema livre completo, um sistema GNU baseado em Linux, ou GNU/Linux, para simplificar”, diz.

Essa visão causa polêmica, claro. Grande parte da comunidade linuxista, apesar de não questionar a grande contribuição do GNU para o Linux, acha essa nomenclatura uma bobagem. joe Kaplenk, especialista no assunto e autor de livros sobre sistemas operacionais, lembrou que, para fazer realmente justiça, o Linux deveria se chamar GNU/BSD/AT&T/Unix/Multics/Minix/Linux. Afinal, antes do GNU, já existia software livre. E o Linux incorpora, em suas distribuições, muita coisa do GNU, mas também muito software que não há GNU. Considerando tudo isso, o nome Linux está de bom tamanho, diz Kaplent.

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