{"id":18704,"date":"2013-09-22T05:22:50","date_gmt":"2013-09-22T05:22:50","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=18704"},"modified":"2021-04-08T01:28:54","modified_gmt":"2021-04-08T01:28:54","slug":"de-2000-para-ca-leishmaniose-visceral-matou-mais-que-a-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=18704","title":{"rendered":"De 2000 para c\u00e1, leishmaniose visceral matou mais que a dengue"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Desde que a epidemia de dengue se intensificou no pa\u00eds, h\u00e1 alguns anos, todo mundo ouve o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciar medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. Mas pouca gente sabe o que tem sido feito para combater o Lutzomyia longipalpis, esp\u00e9cie de mosquito-palha respons\u00e1vel por uma doen\u00e7a que, de 2000 a 2011, causou mais mortes que a dengue em nove Estados \u2013 a leishmaniose visceral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m conhecida como calazar, a doen\u00e7a, que antes era limitada a \u00e1reas rurais e \u00e0 Regi\u00e3o Nordeste, hoje encontra-se em todo o territ\u00f3rio e, segundo especialistas ouvidos pelo UOL, est\u00e1 fora de controle. Levantamento feito com base em n\u00fameros do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostra que, nos \u00faltimos 11 anos, a leishmaniose provocou 2.609 mortes em todo o pa\u00eds, enquanto a dengue foi respons\u00e1vel por aproximadamente 2.847 mortes (veja quadro abaixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico Carlos Henrique Costa, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, professor da Universidade Federal do Piau\u00ed e autor de v\u00e1rios estudos sobre a leishmaniose visceral, conta que doen\u00e7a era considerada tipicamente rural at\u00e9 1980. A partir de ent\u00e3o, a enfermidade come\u00e7ou a invadir algumas cidades grandes, como Teresina (PI) e S\u00e3o Lu\u00eds (MA). Em pouco tempo, passou a afetar \u00e1reas urbanas de outras regi\u00f5es, como Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Ara\u00e7atuba e Bauru (SP), entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sudeste<\/strong><br \/>\nA expans\u00e3o da doen\u00e7a no Sudeste, regi\u00e3o mais populosa do pa\u00eds, preocupa \u00ad \u00ad- os dados indicam que o total de casos quase dobrou de 2000 para 2011 (foram 314 e 592, respectivamente). E, o que \u00e9 mais alarmante, o n\u00famero de mortes foi quase seis vezes maior: saltou de 9 para 52.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o mais preocupante \u00e9 a de Minas, que de 2000 a 2011 registrou 445 mortes pela doen\u00e7a &#8211; o n\u00famero de v\u00edtimas da dengue n\u00e3o chega a metade disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vetor j\u00e1 se instalou na periferia de Belo Horizonte, segundo especialistas. \u201cHouve um \u2018boom\u2019 de condom\u00ednios com grandes jardins e essa terra provavelmente foi trazida de locais com presen\u00e7a do L. longipalpis\u201d, afirma o pesquisador Reginaldo Brazil, do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos sugerem que a leishmaniose visceral canina precede casos da doen\u00e7a em humanos no Brasil. Se a hip\u00f3tese for verdadeira, a periferia de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m corre risco de virar foco, j\u00e1 que h\u00e1 registros de animais contaminados em cidades vizinhas como Campinas e Embu das Artes. Cidades um pouco mais distantes, como Ara\u00e7atuba, s\u00e3o consideradas end\u00eamicas (casos ocorrem frequentemente na regi\u00e3o) h\u00e1 bastante tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, um foco importante da leishmaniose tamb\u00e9m foi encontrado em um canil no cemit\u00e9rio do Caju, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria Municipal de Sa\u00fade, todos os animais \u2013 ao todo 26 cachorros \u2013 foram sacrificados e o ambiente foi dedetizado. \u201cO local vem sendo monitorado constantemente e nenhum outro caso foi notificado at\u00e9 o momento\u201d, informou a pasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nUma vez que a esp\u00e9cie de mosquito-palha causadora da leishmaniose visceral acompanhou a migra\u00e7\u00e3o populacional para o Sudeste, como um mosquito do campo foi capaz de se adaptar t\u00e3o bem ao ambiente urbano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem v\u00e1rias hip\u00f3teses, nenhuma delas comprovada. \u201cAlguns pesquisadores acreditam que se trata de uma popula\u00e7\u00e3o de vetores geneticamente distinta\u201d, diz Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m pode ser que o L. longipalpis seja simplesmente um inseto de f\u00e1cil adapta\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 um vetor robusto, que teve capacidade de se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as do homem\u201d, sugere Brazil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inseticida<\/strong><br \/>\nOs famosos \u201cfumac\u00eas\u201d promovidos para combater a dengue n\u00e3o ajudam a combater o mosquito-palha? Infelizmente, n\u00e3o. O pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz explica que o L. longipalpis \u00e9 mais noturno &#8211; aparece depois que o fumac\u00ea j\u00e1 passou, e os inseticidas usados para controlar o Aedes n\u00e3o t\u00eam efeito residual. \u201cO vetor percebe o cheiro e se esconde\u201d, descreve. Ou seja: o fumac\u00ea pode at\u00e9 desalojar o vetor da leishmaniose temporariamente, mas n\u00e3o o elimina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A subst\u00e2ncia mais eficaz para o controle do L. longipalpis \u00e9 o DDT, que tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou muito o Brasil no combate \u00e0 mal\u00e1ria, mas o composto foi banido por causar riscos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs piretroides, usados atualmente, tamb\u00e9m s\u00e3o t\u00f3xicos para humanos, mas bem menos que o DDT\u201d, diz a biom\u00e9dica Clara L\u00facia Mestriner, professora associada de parasitologia da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os inseticidas dispon\u00edveis hoje, no entanto, parecem n\u00e3o ter tanta efic\u00e1cia contra o vetor, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outras limita\u00e7\u00f5es, como a possibilidade de o inseto se tornar resistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Material org\u00e2nico<\/strong><br \/>\nMedindo de 2 a 3 mil\u00edmetros, o L. longipalpis \u00e9 um inseto que gosta de sombra e material org\u00e2nico em decomposi\u00e7\u00e3o. A destina\u00e7\u00e3o incorreta do lixo, t\u00e3o comum no pa\u00eds, \u00e9 o chamariz perfeito para o vetor. Mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico foco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 f\u00e1cil achar o Aedes aegypti, que deposita suas larvas em locais onde h\u00e1 ac\u00famulo de \u00e1gua, a miss\u00e3o \u00e9 mais ingrata no caso do vetor da leishmaniose, cujas larvas podem estar escondidas na terra, ao lado de um arbusto ou de uma \u00e1rvore frut\u00edfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As prefer\u00eancias e a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do vetor fazem com que a doen\u00e7a n\u00e3o esteja restrita a \u00e1reas de pobreza e sem saneamento, apesar do estigma. Mas essa \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que continuar\u00e1 a ser a mais prejudicada, j\u00e1 que a doen\u00e7a \u00e9 mais grave em pessoas com sa\u00fade debilitada e baixa nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2012\/11\/22\/de-2000-para-ca-leishmaniose-visceral-matou-mais-que-a-dengue-em-nove-estados.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2012\/11\/22\/de-2000-para-ca-leishmaniose-visceral-matou-mais-que-a-dengue-em-nove-estados.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que a epidemia de dengue se intensificou no pa\u00eds, h\u00e1 alguns anos, todo mundo ouve o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciar medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. 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