{"id":18961,"date":"2013-09-22T08:32:31","date_gmt":"2013-09-22T08:32:31","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=18961"},"modified":"2021-04-08T01:30:23","modified_gmt":"2021-04-08T01:30:23","slug":"a-bomba-do-tempo-de-hipocrates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=18961","title":{"rendered":"A bomba do tempo de Hip\u00f3crates"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Todo mundo conhece Hip\u00f3crates (460-370 a.C.). Isso por causa do Juramento, que poucos m\u00e9dicos sabem de cor, ou lembram, a n\u00e3o ser a proibi\u00e7\u00e3o de fazer sexo com as pacientes. Os Preceitos que adornam o Juramento advertem os praticantes da medicina contra cobrar demais, vestir-se com eleg\u00e2ncia excessiva e usar perfume, ao mesmo tempo aconselhando um corte de cabelo decente e unhas aparadas, encorajando a suposi\u00e7\u00e3o de um modo agrad\u00e1vel de tratar os pacientes (a express\u00e3o em ingl\u00eas, bedside manner, nos foi legada pelo Punch, em 1884).<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Como Watt inventou o motor a vapor, Hip\u00f3crates inventou a medicina cl\u00ednica. \u00c9 um mecanismo simples, a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da observa\u00e7\u00e3o inteligente. O que importa \u00e9 o homem doente, n\u00e3o as teorias do homem sobre a doen\u00e7a. E o paciente todo deve merecer aten\u00e7\u00e3o, bem como o ambiente que o cerca &#8211; medicina hol\u00edstica que foi moda h\u00e1 21 s\u00e9culos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Primeiro Hip\u00f3crates:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ele encostava o ouvido no peito para ouvir a fric\u00e7\u00e3o das membranas inflamadas, nos casos de pleurisma, que sovama como couro novo.<\/li>\n<li>Ele notou o nariz agu\u00e7ado, os olhos fundo, as orelhas frias da face pr\u00f3xima da morte, a facies hipocratica, usada por Falstaff em Henrique V, quando seu nariz ficou agudo como uma pena e com o \u201cbalb\u00facio de campos verdes\u201d.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ele meditou sobre a respira\u00e7\u00e3o estranha de um homem agonizante, desde o caso de \u201cFilisco, que vivia ao lado do muro e caiu de cama no primeiro dia de febre aguda\u2026 mais ou menos no meio do sexto dia, ele morreu. A respira\u00e7\u00e3o era o tempo todo como a de um homem tentando refazer de um esfor\u00e7o, e espa\u00e7ada e profunda\u201d.Esses famosos \u00faltimos suspiros ressurgiram em 1818 em Dublin, John Cheyne (1777-1836) descreveu um caso de apoplexia. \u201cDurante v\u00e1rios dias sua respira\u00e7\u00e3o foi irregular, parava completamente por um quarto de minuto, ent\u00e3o come\u00e7ara muito fraca, depois gradualmente ficava pesada e r\u00e1pida e, aos poucos, parava outra vez. Essa revolu\u00e7\u00e3o no estado da sua respira\u00e7\u00e3o durava mais ou menos um minuto.\u201d Vinte e oito anos depois, Willian Stokes (1804-1878) despertou novamente a aten\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos de Dublin, os nomes desses dois escoceses \u00e9migr\u00e9s foram para sempre ligados ao termo respira\u00e7\u00e3o \u201cCheyne-Stoking\u201d &#8211; uma defici\u00eancia no centro respirat\u00f3rio do c\u00e9rebro &#8211; que fazia os m\u00e9dicos balan\u00e7arem a cabe\u00e7a, o an\u00fancio certo do fim.<\/li>\n<li>Hip\u00f3crates descobriu que o alcatr\u00e3o (um anti-s\u00e9ptico) detinha a supura\u00e7\u00e3o dos ferimentos. Ele retirava o pus, alinhava fraturas e corrigia deslocamentos da coluna.<\/li>\n<li>Ele estabeleceu o princ\u00edpio: \u201cNossa natureza \u00e9 o m\u00e9dico das nossas doen\u00e7as\u201d. O que significa que a maioria das pessoas melhora, de um modo ou de outro.<\/li>\n<\/ul>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3crates nasceu na ilha grega de C\u00f3s, na costa da Turquia e ensinava sob um olmo (digno de ser visto por turistas). Ele nos deu a palabra \u201caforismo\u201d. Ele criou 412 aforismos, tais como:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A vida \u00e9 curta, a arte \u00e9 longa.\u201d Uma frase deprimente, gravada nas entradas das escolas de medicina.<\/li>\n<li>A oportunidade \u00e9 passageira, a experi\u00eancia perigosa, o julgamento dif\u00edcil. O mesmo que a primeira.<\/li>\n<li>Casos desesperados precisam de rem\u00e9dios desesperados.<\/li>\n<li>Os velhos suportam melhor o jejum, depois os de meia-idade, os jovens suportam mal e as crian\u00e7as pior do que todos. Da\u00ed a fortuna representada por livros com dietas para a meia-idade).<\/li>\n<li>N\u00e3o julgue as fezes por sua quantidade, mas por sua qualidade. \u201cDuas vezes em volta do recipiente e pontiaguda nas duas extremidades\u201d, era o que um velho m\u00e9dico rural considerava erradamente o perfeito.<\/li>\n<li>O sono que p\u00f5e fim ao del\u00edrio \u00e9 bom, sono fora de hora \u00e9 sonol\u00eancia indicam doen\u00e7a, bem como o cansa\u00e7o sem motivo.<\/li>\n<li>Os velhos ficam doentes com menor frequ\u00eancia que os jovens, mas levam suas doen\u00e7as para o t\u00famulo.<\/li>\n<li>A morte s\u00fabita \u00e9 mais comum no gordo do que no magro.<\/li>\n<li>Se uma mulher saud\u00e1vel p\u00e1ra de menstruar e sente enj\u00f4o, est\u00e1 gr\u00e1vida. N\u00f3s todos sabemos estas coisas. Mas Hip\u00f3crates foi o primeiro a saber).<\/li>\n<\/ul>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O \u201cPai da Medicina\u201d foi um ancestral desastroso. Ele nos deixou a tradi\u00e7\u00e3o hipocr\u00e1tica. Ou seja: qualquer leigo que diga a um m\u00e9dico como fazer seu trabalho est\u00e1 cometendo uma impertin\u00eancia ultrajante. Qualquer interfer\u00eancia nos meios que contribuem para a devo\u00e7\u00e3o desinteressada de qualquer m\u00e9dico aos seus pacientes \u00e9 chocantemente imoral.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3crates teria se admirado com a declara\u00e7\u00e3o de Plat\u00e3o de que ele era a Autoridade de Sa\u00fade na \u00c1rea de C\u00f3s. O pr\u00f3prio Marco Aur\u00e9lio teria hesitado em descer do Capit\u00f3lio para dizer a Galeno que seu or\u00e7amento ia ser cortado. Eheu fugaces! No fim do s\u00e9culo XX, a medicina proliferou tanto e seu custo cresceu tanto, que um tratamento adequado est\u00e1 muito al\u00e9m dos meios dos sofredores assustados e, no futuro, est\u00e1 al\u00e9m dos meios de qualquer cidad\u00e3o sofredor e pagador de impostos. A n\u00e3o ser que os rem\u00e9dios aprendam a praticar economia, al\u00e9m de medicina, Hip\u00f3crates se tornar\u00e1 redundante, porque ningu\u00e9m mais poder\u00e1 se dar ao luxo de ficar doente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3crates brilha elegantemente na galeria de e est\u00e1tuas antigas dos homens de medicina, com chuva sua barba crespa e testa franzida para os males da humanidade (pode ser vista do Museu Brit\u00e2nico). Frequentemente eles est\u00e1 usando o cajado de Escul\u00e1pio, o Deus da cura, com serpente enrolada. Na desordem e confus\u00e3o do Olimpo, Escul\u00e1pio era filho de Apolo (m\u00e9dico dos deuses) de Coronis (ninfa). Ele era t\u00e3o bom na sua profiss\u00e3o que enfureceu Plut\u00e3o, por diminuir a popula\u00e7\u00e3o do Hades, o rei dos infernos o explodiu com um rel\u00e2mpago. Ele pode ser visto na Tate Gallery, no quadro de Sir Edward Pointer , de 1880, que representa cl\u00ednica de Escul\u00e1pio: um jardim murado com fontes cantantes e o arrulho das pombas, as pacientes, quatro mulheres voluptuosas, completamente nuas, bem providas de seios e de mons veneris, sendo bom unico sofredor um homem, que mostra ao m\u00e9dico o calcanhar dolorido do pr\u00e9 esquerdo. Homem de sorte, o velho Escul\u00e1pio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3crates escreveu seis livros, embora fosse t\u00e3o plaus\u00edvel a ideia de atribuir a sua obra a v\u00e1rias pessoas quanto dizer isso de Shakespeare.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo conhece Hip\u00f3crates (460-370 a.C.). Isso por causa do Juramento, que poucos m\u00e9dicos sabem de cor, ou lembram, a n\u00e3o ser a proibi\u00e7\u00e3o de fazer sexo com as pacientes. 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