{"id":18996,"date":"2013-09-22T08:53:20","date_gmt":"2013-09-22T08:53:20","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=18996"},"modified":"2021-04-08T01:30:21","modified_gmt":"2021-04-08T01:30:21","slug":"fabulas-febrifugas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=18996","title":{"rendered":"F\u00e1bulas febr\u00edfugas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os acessos de febre da mal\u00e1ria, de dois em dois dias ou tr\u00eas em tr\u00eas dias, indicam o tempo necess\u00e1rio para que quatro tipos diferentes de parasitas realizem seu ciclo reprodutor assexuado, no sangue. O ciclo sexual \u00e9 realizado dentro do mosquito. O quinino, com seu gosto extremamente amargo, era o rem\u00e9dio para a mal\u00e1ria desde o s\u00e9culo XVII. Tradicionalmente este chamado de \u201cchinchona\u201d, por causa da condessa Chinchon, que foi despachada com o marido da Espanha para o Peru e se curou da mal\u00e1ria com a casca da \u00e1rvore quina-quina, nativa do lugar. A efici\u00eancia da quina-quina foi descoberta por um paciente com febre alta. A \u00fanica \u00e1gua que ele encontrou para beber era de um pequeno lago, onde haviam sido jogadas algumas dessas \u00e1rvores e, por isso, era amarga demais para o paladar das pessoas saud\u00e1veis. A condessa mandou moer a casca e generosamente a distribuiu na cidade de Lima, antes de presentear benevolentemente a Espanha com o p\u00f3. A condessa morreu antes de o marido ser nomeado vice-rei do Peru; a segunda mulher dele jamais ficou doente e continuou no Peru, mas a boa fic\u00e7\u00e3o \u00e9 mais estranha do que a verdade. A \u201ccasca dos jesu\u00edtas\u201d, importada e adulterada com outras madeiras, foi ent\u00e3o confiscada pela Europa inteira para curar mal\u00e1ria, exceto por Oliver Cromwell, por motivos religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na II Guerra Mundial, o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico podia proteger convenientemente seus soldados com mepacrina, um medicamento que os inteligentes qu\u00edmicos alem\u00e3es haviam criado a partir dos corantes de cores vivas que eles sintetizaram em Wuppertal, em 1930. Espalhou-se entre os soldados, como acontece com qualquer medicamento obrigat\u00f3rio, o boato de que a mepacrina provocava impot\u00eancia. O rumor do bromido no ch\u00e1 dos soldados \u00e9 t\u00e3o velho quanto a hist\u00f3ria dos dois Pensionistas de Chelsea admitirem que o medicamento come\u00e7ava a fazer efeito. A mentira foi negada por meio de cartazes mostrando pax\u00e1s rodeados por suas mulheres alegremente tomando os comprimidos e declarando que jamais ficariam sem eles. Aparentemente isso convenceu os soldados.<\/p>\n<p>Agora temos melhores medicamentos proentivos contra a mal\u00e1ria e melhores inseticidas, mas temos ainda a mal\u00e1ria. N\u00e3o podemos acabar com todos os mosquitos da Tail\u00e2ndia e da Mal\u00e1sia. E os parasitas est\u00e3o come\u00e7ando a se defender dos medicamentos. Exatamente como os germes combatidos pleos homens na d\u00e9cada de 1880.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os acessos de febre da mal\u00e1ria, de dois em dois dias ou tr\u00eas em tr\u00eas dias, indicam o tempo necess\u00e1rio para que quatro tipos diferentes de parasitas realizem seu ciclo reprodutor assexuado, no sangue. O ciclo sexual \u00e9 realizado dentro do mosquito. 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