{"id":22938,"date":"2014-10-08T19:39:20","date_gmt":"2014-10-08T19:39:20","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=22938"},"modified":"2021-04-02T05:03:37","modified_gmt":"2021-04-02T05:03:37","slug":"medicas-tambem-optam-pelo-parto-domiciliar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=22938","title":{"rendered":"M\u00e9dicas tamb\u00e9m optam pelo parto domiciliar"},"content":{"rendered":"<div class=\"author\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O parto domiciliar planejado no Brasil ainda \u00e9 alvo de muitas cr\u00edticas e preconceitos apesar de alguns pa\u00edses, \u00a0como Holanda e Inglaterra, terem esse tipo de parto de forma rotineira. Muitas\u00a0 vezes quem pretende ter esse tipo de experi\u00eancia no Brasil chega a esconder de familiares a sua escolha justamente para evitar julgamentos e press\u00e3o para escolher o mais tradicional, ou seja, agendar a ces\u00e1rea em uma maternidade qualquer. Mas, se o parto domiciliar n\u00e3o fosse seguro, por que m\u00e9dicas estariam escolhendo suas casas para os filhos nascerem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ginecologista e obstetra Fl\u00e1via Maciel de Aguiar Fernandes de Mendon\u00e7a, 37, teve um parto domiciliar h\u00e1 oito meses. A filha Bianca nasceu em casa e a escolha foi tomada ap\u00f3s o nascimento do filho Rodrigo ocorrido h\u00e1 pouco mais de dois anos. \u201cEle nasceu por ces\u00e1rea eletiva [agendada] sem nenhuma indica\u00e7\u00e3o por conta de um medo meu\u201d, comenta. Fl\u00e1via diz que tamb\u00e9m era uma \u201cobstetra cesarista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando engravidei, agi comigo da mesma forma que agia com as minhas pacientes. Havia medo do desconhecido e um total descr\u00e9dito no poder do meu corpo e da fisiologia do parto. Ap\u00f3s a ces\u00e1rea, percebi o quanto o processo era frio e desconexo e passei a me questionar e buscar respostas. Foi a\u00ed que encontrei o mundo da humaniza\u00e7\u00e3o e mergulhei nele\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fl\u00e1via diz que quando o filho tinha dez meses engravidou de novo e que ap\u00f3s assistir o filme \u201cO Renascimento do Parto\u201d, teve a certeza que n\u00e3o gostaria de ter o filho em um ambiente hospitalar.\u00a0 \u201cIsso me remeteria a toda aquela assist\u00eancia falida que eu estava t\u00e3o acostumada. Isso foi o substrato para eu construir o parto domiciliar com o \u00a0apoio das parteiras, amigas e colegas da humaniza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do meu marido\u201d, diz. Fl\u00e1via teve o parto em casa acompanhada por enfermeiras obst\u00e9tricas ao lado do marido e do filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e de primeira viagem, a obstetra Juliana Giordano Sandler, 33, tamb\u00e9m escolheu parir em casa. Eduardo nasceu na banheira infl\u00e1vel montada na casa dela no in\u00edcio de julho. Para a m\u00e9dica, a escolha foi feita porque existem v\u00e1rios trabalhos cient\u00edficos s\u00e9rios que respaldam a escolha do parto em casa como op\u00e7\u00e3o segura para gestantes de baixo risco. \u201cOptei pelo parto domiciliar por acreditar na fisiologia do nascimento, e que para que tal processo ocorra naturalmente \u00e9 melhor que a mulher que est\u00e1 parindo se sinta ao mesmo tempo protegida e dona da situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 melhor lugar que a minha casa pra eu me sentir assim\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) diz que a mulher deve escolher onde se sente mais segura para ter seu filho. O parto domiciliar, segundo os m\u00e9dicos, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o apenas para gestantes de baixo risco e que t\u00eam um plano B com um hospital pr\u00f3ximo caso haja alguma intercorr\u00eancia. Os \u00edndices de remo\u00e7\u00e3o, no entanto, s\u00e3o pequenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERVEN\u00c7\u00d5ES DESNECESS\u00c1RIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica Marina Bagnara Fernandes, 33, tamb\u00e9m optou pelo parto domiciliar do filho Raul, que hoje tem 1 ano. A primeira filha, Renata, tamb\u00e9m nasceu de parto normal, mas no hospital com \u201cv\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias\u201d, descreve a m\u00e9dica. \u201cEpisiotomia, posi\u00e7\u00e3o de litotomia, indu\u00e7\u00e3o medicamentosa, ocitocina sint\u00e9tica, anestesia\u201d, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marina, que mora em Ribeir\u00e3o Preto, no interior de SP, diz que na cidade ainda n\u00e3o h\u00e1 op\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia humanizada e que teria que ir at\u00e9 S\u00e3o Carlos para conseguir esse tipo de atendimento em um hospital. \u201cMas viajar 100 km em trabalho de parto n\u00e3o me agradava apesar de eu saber dos limites da assist\u00eancia na minha regi\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marina conta que se formou na USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) em 2008 e \u00a0que \u00a0s\u00f3 depois soube que o est\u00e1gio em obstetr\u00edcia\u00a0que fez na faculdade\u00a0era ultrapassado. \u201cA ideia que eu tinha era de que aquela assist\u00eancia era a melhor e foi muito pr\u00f3ximo a isso que tive no meu primeiro parto. Fiquei muito chocada e confusa quando descobri que aquela assist\u00eancia era ultrapassada, muito intervencionista e que n\u00e3o seguia as melhores e mais atuais evid\u00eancias cient\u00edficas\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, al\u00e9m de usar pr\u00e1ticas inadequadas, como episiotomia de rotina, era uma assist\u00eancia que pouco se preocupava com o conforto e privacidade da gestante. \u00a0\u201c\u00c9 uma assist\u00eancia centrada no m\u00e9dico, poucas decis\u00f5es s\u00e3o compartilhadas, a mulher \u00e9 obrigada a ficar deitada em uma posi\u00e7\u00e3o que favorece a equipe e n\u00e3o participa do processo. \u00c9 comandada o tempo todo, sente medo, inseguran\u00e7a. Muito da dor do parto \u00e9 devido ao medo que a mulher sente. Os profissionais, geralmente n\u00e3o se preocupam com isso e at\u00e9 desconhecem, n\u00e3o sabem o que fazer\u201d, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marina, que tamb\u00e9m pariu com duas enfermeiras obst\u00e9tricas, diz que n\u00e3o faz apologia ao parto domiciliar. \u201cEntendo que \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e que a escolha deve ser da gestante. Mas, infelizmente, o parto hospitalar de acesso a maioria das mulheres brasileiras deixa muito a desejar\u201d, opina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O QUE DIZ O CFM?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CFM (Conselho Federal de Medicina) \u00a0diz que o parto normal deve acontecer preferencialmente em ambiente hospitalar, mas n\u00e3o pro\u00edbe que os profissionais atendam partos em casa, como tentou fazer o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro). No m\u00eas passado, conforme mostrou o <strong>Maternar<\/strong>, a Justi\u00e7a Federal <a title=\"anulou resolu\u00e7\u00e3o do Cremerj\" href=\"http:\/\/maternar.blogfolha.uol.com.br\/2014\/09\/23\/justica-anula-resolucao-que-proibia-parto-em-casa-cremerj-vai-recorrer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anulou resolu\u00e7\u00e3o do Cremerj<\/a> que proibia m\u00e9dicos de atender partos em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de n\u00e3o proibir, o CFM publicou recentemente em sua p\u00e1gina no Facebook uma foto de um beb\u00ea que gerou pol\u00eamica. A foto de um beb\u00ea que aparentava estar morto ao ter marca\u00e7\u00f5es com n\u00famero no peito da crian\u00e7a levava a mensagem de que o parto domiciliar n\u00e3o \u00e9 recomendado pela entidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem foi compartilhada e criticada por muitos internautas que acusavam a entidade de usar a foto de uma crian\u00e7a morta para chocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurado pelo <strong>Maternar<\/strong>, o CFM disse que os canais das redes sociais \u201ct\u00eam o objetivo de informar m\u00e9dicos e sociedade sobre assuntos de interesse para a sa\u00fade e a medicina; orientar profissionais e pacientes sobre assuntos relativos \u00e0 pol\u00edticas p\u00fablicas; e estimular h\u00e1bitos saud\u00e1veis de vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a foto publicada, eles informaram que foi retirada de um banco de imagens internacional que tinha na legenda um beb\u00ea recebendo os primeiros cuidados, ou seja, a foto n\u00e3o seria de uma crian\u00e7a morta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo a entidade, o \u00a0uso dessa imagem ilustrou posicionamento da entidade, que defende o parto hospitalar como a forma mais segura para m\u00e3es e filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstudos cient\u00edficos indicam que nestes ambientes h\u00e1 menor possibilidade de riscos de complica\u00e7\u00f5es para ambos. A autarquia defende o parto normal e o respeito \u00e0s autonomias do profissional e da mulher no contexto da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente. O CFM possui uma Comiss\u00e3o em Defesa do Parto Normal, que trabalha pela redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de ces\u00e1reas\u201d, conclui a nota.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"author\" style=\"text-align: justify;\">Por Giovanna Balogh<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"time\"> 08\/10\/14 07:39 <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O parto domiciliar planejado no Brasil ainda \u00e9 alvo de muitas cr\u00edticas e preconceitos apesar de alguns pa\u00edses, \u00a0como Holanda e Inglaterra, terem esse tipo de parto de forma rotineira. 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