{"id":30245,"date":"2017-05-14T16:07:51","date_gmt":"2017-05-14T16:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blogmed.antonini.psc.br\/?p=30245"},"modified":"2021-04-08T01:52:53","modified_gmt":"2021-04-08T01:52:53","slug":"a-planta-que-curou-feridas-de-milhares-de-soldados-na-1a-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=30245","title":{"rendered":"A planta que curou feridas de milhares de soldados na 1\u00aa Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30248\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/esfagno1-e1494778188185.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"351\"\/>O ano era 1916. Crescia o n\u00famero de soldados feridos na 1\u00aa Guerra Mundial e o algod\u00e3o usado para trat\u00e1-los come\u00e7ava a ficar escasso nas trincheiras dos Pa\u00edses Aliados. Foi quando um cirurgi\u00e3o e um bot\u00e2nico escoceses redescobriram as propriedades de uma simples planta, que acabou sendo usada em larga escala pelo Reino Unido para tratar os feridos em combate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se do <em>Sphagnum<\/em>, tipo de musgo conhecido pelo nome de esfagno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas esp\u00e9cies de esfagno seco podem absorver e reter at\u00e9 20 vezes o equivalente a seu peso em \u00e1gua. Ou em sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas do Ex\u00e9rcito perceberam que a planta era duas vezes mais absorvente que o algod\u00e3o e, em dois anos, o Reino Unido, que produzia 200 mil bandagens de esfagno por m\u00eas em 1916, passou a produzir um milh\u00e3o em 1918.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30251\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/esfagno2-e1494778458569.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"357\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na 1\u00aa Guerra Mundial, as ataduras de esfagno (abaixo \u00e0 esquerda), eram consideradas as mais eficazes Na 1\u00aa Guerra Mundial, as ataduras de esfagno (abaixo \u00e0 esquerda), eram consideradas as mais eficazes. Em seguida, as bandagens foram enviadas para mais de 50 hospitais de campanha em diferentes pontos da frente de batalha, como Alexandria, no Egito, de acordo com relatos da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o cirurgi\u00e3o Charles Walker Cathcart e o bot\u00e2nico Isaac Bayley Balfour n\u00e3o fizeram nada al\u00e9m de redescobrir algo que povos antigos j\u00e1 usavam para curar feridas de soldados h\u00e1 mil anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os alem\u00e3es, inimigos na guerra, tamb\u00e9m adotavam o recurso desde o in\u00edcio dos combates, em 1914.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o Reino Unido deu in\u00edcio a uma opera\u00e7\u00e3o em larga escala sem precedentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dever patri\u00f3tico<\/strong><br \/>\nO musgo de esfagno \u00e9 uma planta n\u00e3o-vascular (que n\u00e3o apresenta mecanismos de condu\u00e7\u00e3o de fluidos) que se desenvolve especialmente em climas \u00famidos e frios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cathcart e Balfour fizeram testes at\u00e9 concluir que duas esp\u00e9cies <em>Sphagnum papillosum<\/em> e <em>Sphagnum palustre<\/em> eram consideradas as melhores para estancar sangramentos e ajudar a curar feridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30253\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/esfagno3-e1494779268135.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"357\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura do esfagno permite que suas paredes porosas absorvam grandes quantidades de l\u00edquidos A estrutura do esfagno permite que suas paredes porosas absorvam grandes quantidades de l\u00edquidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambas cresciam em abund\u00e2ncia na Esc\u00f3cia, Irlanda e Inglaterra, onde um pequeno ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios formado em sua maioria por mulheres e crian\u00e7as se reunia para colher e secar as plantas, que seriam usadas posteriormente em ataduras e compressas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a historiadora brit\u00e2nica Thelma Griffiths, era um trabalho \u00e1rduo. O musgo \u00e9 encontrado no entorno de riachos e pequenos lagos e em regi\u00f5es pantanosas. Eram coletados em sacos, que depois eram pisoteados para extrair a \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As mulheres deviam sentir frio e estar encharcadas, arrastando suas saias longas molhadas&#8221;, afirmou Griffiths \u00e0 BBC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas acreditavam que era um dever patri\u00f3tico&#8221;, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse batalh\u00e3o de volunt\u00e1rios logo se espalhou pelos Estados Unidos e Canad\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Duas propriedades impressionantes<\/strong><br \/>\nA capacidade do esfagno em absorver \u00e1gua como uma esponja se deve a sua estrutura celular 90% do volume de suas&nbsp; folhas s\u00e3o formados por c\u00e9lulas mortas, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente armazenar \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30254\" src=\"http:\/\/blogmed.antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/esfagno4-e1494779544483.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"353\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Essas ataduras pouparam muitos esfor\u00e7os. Por serem mais absorventes, n\u00e3o precisavam ser trocadas com tanta frequ\u00eancia, o que significava menos trabalho para a equipe m\u00e9dica e menos dor para os pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, al\u00e9m da impressionante capacidade de absor\u00e7\u00e3o, o esfagno tinha outra enorme vantagem sobre o algod\u00e3o, que tamb\u00e9m era mais caro: propriedades antiss\u00e9pticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e9lulas do esfagno t\u00eam a capacidade de diminuir o pH do ambiente a seu redor, tornando-o \u00e1cido o suficiente para inibir a prolifera\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa propriedade tinha um valor inestim\u00e1vel em tempos de guerra, quando m\u00e9dicos e enfermeiros do ex\u00e9rcito travavam uma batalha particular contra a infec\u00e7\u00e3o de feridas, que muitas vezes levava \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o de membros ou \u00e0 morte de soldados por sepse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, as ataduras e compressas de musgo permitiam, de forma natural, a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente esterilizado em torno da les\u00e3o, que era curada com mais facilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Simplesmente um musgo<\/strong><br \/>\nCom o fim da guerra, a demanda por ataduras diminuiu, e o ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios desapareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalhoso processo de produ\u00e7\u00e3o deixou de valer a pena e as compressas deixaram de ser usadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de terem sido produzidos em pequena escala na 2\u00aa Guerra Mundial, os curativos de esfagno voltaram para o reduto da medicina alternativa. E por ali ficaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a planta \u00e9 usada na horticultura e como biocombust\u00edvel, mas n\u00e3o salva mais vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 1916. Crescia o n\u00famero de soldados feridos na 1\u00aa Guerra Mundial e o algod\u00e3o usado para trat\u00e1-los come\u00e7ava a ficar escasso nas trincheiras dos Pa\u00edses Aliados. Foi quando um cirurgi\u00e3o e um bot\u00e2nico escoceses redescobriram as propriedades de uma simples planta, que acabou sendo usada em larga escala pelo Reino Unido para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-30245","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-videos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/30245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=30245"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/30245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41967,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/30245\/revisions\/41967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=30245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=30245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=30245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}