{"id":33479,"date":"2018-06-09T03:00:47","date_gmt":"2018-06-09T03:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.psc.br\/?p=33479"},"modified":"2022-05-07T22:17:47","modified_gmt":"2022-05-07T22:17:47","slug":"a-mulher-bomba-de-gilmar-mendes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=33479","title":{"rendered":"A mulher bomba de Gilmar Mendes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A advogada Dalide Corr\u00eaa e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, se conheceram h\u00e1 pouco mais de duas d\u00e9cadas. Ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando Gilmar era o advogado-geral da Uni\u00e3o, Dalide chefiava o departamento jur\u00eddico da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Como tinham assuntos em comum a tratar, acabaram se aproximando. Come\u00e7ou ali uma s\u00f3lida rela\u00e7\u00e3o. Anos mais tarde, j\u00e1 ministro da Suprema Corte, Gilmar convidaria Dalide para ser sua assessora parlamentar. Ainda no come\u00e7o da amizade, ele viu nela algumas raras qualidades. A principal era a facilidade com que Dalide se relacionava com as pessoas, de dentro e de fora do poder. \u201cA Dalide \u00e9 uma profissional de rela\u00e7\u00f5es institucionais. Em pouco tempo ela vira a melhor amiga de qualquer um. \u00c9 uma pessoa que se comunica bem, conhece todo mundo\u201d, costuma dizer o ministro, ao ser indagado sobre a mulher que, com o passar do tempo, se tornaria quase que seu alterego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Gilmar se tornou s\u00f3cio e, depois, o controlador do Instituto Brasiliense de Direito P\u00fablico, o IDP, foi a Dalide que ele confiou a miss\u00e3o de tocar o dia a dia da institui\u00e7\u00e3o \u2014 na pr\u00e1tica, uma faculdade de direito que tamb\u00e9m organiza eventos e cursos para servidores p\u00fablicos. Durante anos, Dalide foi os olhos, os ouvidos e a boca do ministro no IDP. Tinha poderes para falar em nome dele \u2014 e para decidir em nome dele. Era a Dalide que cabia, por exemplo, gerenciar os vultosos patroc\u00ednios que o IDP passou a receber de algumas das maiores empresas do pa\u00eds. Parte delas, como <strong>Cruso\u00e9<\/strong> mostrou recentemente, colaborava com as atividades do instituto, na forma de patroc\u00ednios, mas fazia quest\u00e3o de n\u00e3o aparecer. Parte delas tinha e tem interesses em curso no tribunal de que Gilmar Mendes faz parte. Em sua defesa, o ministro diz que uma coisa nada tem a ver com a outra. Sustenta que os patroc\u00ednios ao IDP nunca interferiram em suas decis\u00f5es no Supremo. Dalide, por\u00e9m, com sua decantada aptid\u00e3o para as \u201crela\u00e7\u00f5es institucionais\u201d, sempre soube explorar ao m\u00e1ximo o potencial de atra\u00e7\u00e3o de parcerias \u2014 e patroc\u00ednios \u2014 \u00e0 custa da imagem de Gilmar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33481\" src=\"http:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gilmar-1.png\" alt=\"\" width=\"513\" height=\"611\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio final da investiga\u00e7\u00e3o: a ex-assessora de Gilmar disse que delegado queria atingir o ministro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algumas situa\u00e7\u00f5es, ela operou alguns contatos \u2014 e contratos \u2014 capazes de gerar embara\u00e7os para o ministro. Um deles, com a Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio do Rio de Janeiro (Fecom\u00e9rcio-RJ), acaba de render uma dor de cabe\u00e7a para Gilmar. Na \u00faltima quarta-feira, o bra\u00e7o fluminense da Lava Jato pediu \u00e0 procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, que questione no Supremo a atua\u00e7\u00e3o de Gilmar nos processos criminais que envolvem Orlando Diniz, ex-presidente da federa\u00e7\u00e3o. Na sexta-feira anterior, o ministro concedeu um habeas corpus a Diniz, preso desde fevereiro sob suspeita de integrar uma quadrilha que desviava dinheiro dos cofres p\u00fablicos do Rio em parceria com o ex-governador S\u00e9rgio Cabral. No per\u00edodo em que Orlando Diniz estava no comando, a Fecom\u00e9rcio patrocinou alguns eventos do IDP. Obra de Dalide, diria o ministro. Em um desses eventos, em 2015, o pr\u00f3prio Diniz esteve presente \u2014 na companhia de Gilmar, como Cruso\u00e9 mostrou ainda na semana passada. Mesmo com a Fecom\u00e9rcio tendo sido patrocinadora de seu instituto, o ministro n\u00e3o se fez de rogado ao receber em seu gabinete o pedido de habeas corpus. E tratou de libertar o velho parceiro do IDP em um dos vinte habeas corpus assinados por ele no \u00faltimos 15 dias para soltar presos da Lava Jato no Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi essa rela\u00e7\u00e3o de proximidade via IDP que levou os procuradores a pedir \u00e0 PGR que levantasse a suspei\u00e7\u00e3o ou o impedimento de Gilmar nos processos criminais envolvendo Orlando Diniz (no of\u00edcio enviado a Raquel Dodge, por sinal, eles mencionam informa\u00e7\u00f5es publicadas por Cruso\u00e9). At\u00e9 esta quinta-feira, Gilmar Mendes nada falou sobre o assunto. N\u00e3o veio a p\u00fablico nem sequer para repetir, mais uma vez, o argumento que carrega na ponta da l\u00edngua sempre que \u00e9 indagado sobre eventuais cruzamentos de interesse entre os patroc\u00ednios do IDP e as decis\u00f5es que profere no Supremo: \u201cIsso \u00e9 coisa da Dalide\u201d. No ano passado, na esteira da dela\u00e7\u00e3o premiada da JBS, tamb\u00e9m patrocinadora de seu instituto, o ministro tratou de adotar uma provid\u00eancia urgente. J\u00e1 antevendo os questionamentos que poderiam vir, o ministro tirou Dalide do IDP. Depois de anos como diretora-geral do instituto, ela estava fora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33482\" src=\"http:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gilmar-2.png\" alt=\"\" width=\"496\" height=\"245\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do come\u00e7o ao fim, o caso girou em torno do suposto pedido de 200 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de sa\u00edda de Dalide Corr\u00eaa coincide com a eclos\u00e3o da dela\u00e7\u00e3o premiada da JBS, empresa com a qual a agora ex-bra\u00e7o-direito de Gilmar mantinha rela\u00e7\u00f5es estreitas. Tanto que a JBS e o pr\u00f3prio Joesley Batista, acostumados a patrocinar o IDP, passaram a usar o instituto como uma esp\u00e9cie de quartel-general a partir do qual se davam ao desfrute de atuar em Bras\u00edlia, especialmente na \u00e1rea jur\u00eddica. Uma dessas situa\u00e7\u00f5es, que tamb\u00e9m coincide com o, digamos, rompimento entre Gilmar e Dalide, virou, literalmente, caso de pol\u00edcia. Um caso cujos detalhes acabaram relegados aos arquivos secretos da Lava Jato, mas que Cruso\u00e9 traz \u00e0 luz nesta reportagem. Era novembro de 2016. Havia um ano que a JBS j\u00e1 patrocinava os eventos do IDP. A rela\u00e7\u00e3o de Joesley e companhia com o instituto ia \u00e0s mil maravilhas. A dela\u00e7\u00e3o premiada ainda n\u00e3o estava nos planos do empres\u00e1rio, mas ele e seu conglomerado j\u00e1 eram alvo de investiga\u00e7\u00f5es que, entre outras suspeitas, apuravam pagamento de propinas milion\u00e1rias a autoridades por neg\u00f3cios com fundos de pens\u00e3o de estatais e em troca da libera\u00e7\u00e3o de financiamentos p\u00fablicos na Caixa e no BNDES. Como as investiga\u00e7\u00f5es encontravam-se sob a responsabilidade da Justi\u00e7a Federal de Bras\u00edlia, Joesley estava decidido que precisava se aproximar dos ju\u00edzes Ricardo Leite e Vallisney Oliveira, respons\u00e1veis pela 10\u00aa Vara, onde corriam os casos. \u00c0quela altura, estava em negocia\u00e7\u00e3o um acordo de leni\u00eancia em que a holding da JBS poderia ser obrigada a pagar nada menos do que 11 bilh\u00f5es de reais. Ele precisava reduzir esse valor, mas para isso dependia da benevol\u00eancia de um dos magistrados. Em busca de uma solu\u00e7\u00e3o, ele recorreu a Dalide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coube \u00e0 ent\u00e3o super-assessora de Gilmar Mendes tentar promover a aproxima\u00e7\u00e3o. Joesley e o diretor jur\u00eddico da holding, Francisco de Assis, estavam em visita ao IDP. E Dalide tratou de coloc\u00e1-los frente a frente com Rony Moreira, diretor do Imafe, um instituto criado havia pouco tempo e que tinha como s\u00f3cios exatamente os dois ju\u00edzes federais dos quais Joesley queria tanto se aproximar. O encontro se deu no instituto de Gilmar. Dalide diz que foi obra do acaso, pura coincid\u00eancia. Joesley, que como mostrou a sua pr\u00f3pria dela\u00e7\u00e3o dominava a arte de fazer amigos e conquistar pessoas, se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para, da mesma forma que patrocinava o IDP, patrocinar tamb\u00e9m o Imafe. Rony Moreira, o diretor do instituto, saiu do encontro animado. E levou a oferta ao conhecimento de Ricardo Leite. O juiz estranhou. Entendeu que poderia estar em curso uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o indevida. Quando os termos da dela\u00e7\u00e3o da JBS vieram \u00e0 luz, em maio do ano passado, o assunto voltou \u00e0 tona. Especialmente porque, na famosa grava\u00e7\u00e3o da conversa com Michel Temer, Joesley dizia ao presidente que estava conseguindo \u201csegurar\u201d os dois ju\u00edzes encarregados dos processos que mais o incomodavam \u00e0quela altura em Bras\u00edlia.&nbsp;Ficou no ar, entre aqueles que conheciam o epis\u00f3dio ocorrido meses antes, uma pergunta: na reuni\u00e3o clandestina com Temer, Joesley teria se referido \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o promovida pela ent\u00e3o auxiliar de Gilmar Mendes? Houve quem tivesse certeza que sim. E a\u00ed teve in\u00edcio uma das hist\u00f3rias mais nebulosas (e mais bem guardadas) dos bastidores da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33483\" src=\"http:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gilmar-3.png\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"551\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dalide Corr\u00eaa e Gilmar Mendes: ela deixou o IDP, mas \u00e9 mantida por perto (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o conhecimento da c\u00fapula da Pol\u00edcia Federal e do comando da for\u00e7a-tarefa da Lava Jato em Bras\u00edlia, um delegado da intelig\u00eancia da PF que tomara conhecimento do encontro na sede do IDP procurou o juiz Ricardo Leite pessoalmente, para tentar convenc\u00ea-lo a prestar depoimento relatando o que havia acontecido no encontro em que Joesley se disp\u00f4s a patrocinar seu instituto \u2013 e detalhando, inclusive, a participa\u00e7\u00e3o da assessora do ministro Gilmar Mendes na suposta trama. Com a dela\u00e7\u00e3o da JBS j\u00e1 p\u00fablica, e diante da declara\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Joesley de que estava conseguindo cooptar os ju\u00edzes, seria uma forma de passar a hist\u00f3ria a limpo. E de o pr\u00f3prio Ricardo Leite esclarecer que n\u00e3o havia topado receber o patroc\u00ednio da JBS. Nesse meio tempo, surgiu um dado adicional \u2013 grave, grav\u00edssimo. A ponto de ampliar ainda mais o potencial explosivo do enredo: ao delegado havia chegado o relato de que, na conversa na sede do IDP, os participantes haviam comentado que, caso Joesley conseguisse reduzir da forma que planejava a multa a ser arbitrada pelo juiz Ricardo Leite no acordo de leni\u00eancia, os respons\u00e1veis por essa vit\u00f3ria da JBS poderiam ganhar nada menos que 200 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33484\" src=\"http:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gilmar-4.png\" alt=\"\" width=\"506\" height=\"489\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz Ricardo Leite disse \u00e0 PF que entendeu o movimento de Joesley como uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o indevida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo a hist\u00f3ria ganhou forma: Rony Moreira teria relatado ao pr\u00f3prio Ricardo Leite que foi Dalide quem solicitou \u00e0 JBS os 200 milh\u00f5es de reais como forma de conseguir que o magistrado reduzisse a multa de 11 bilh\u00f5es para 3 bilh\u00f5es de reais. Ricardo Leite n\u00e3o gostou nada de ouvir o relato. E ficou preocupado com os desdobramentos que a hist\u00f3ria poderia ter. Discretamente, ele pediu uma reuni\u00e3o com Gilmar Mendes. Quis saber do ministro por que Dalide havia feito aquela aproxima\u00e7\u00e3o. A conversa foi nervosa. Gilmar garantiu que n\u00e3o tinha conhecimento do epis\u00f3dio. E logo em seguida chamou Dalide para conversar. Era 25 de maio de 2017. Gilmar relatou o que acabara de ouvir do juiz. Disse, textualmente, ter ouvido que ela teria solicitado 200 milh\u00f5es de reais para ajudar a JBS a conseguir o que queria na 10\u00aa Vara Federal. Dalide negou que tivesse tratado de valores durante o encontro na sede do IDP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabedores da propor\u00e7\u00e3o que o caso poderia ganhar \u00e0quela altura, os personagens envolvidos trataram de tomar suas provid\u00eancias. Gilmar cobrou explica\u00e7\u00f5es de Leandro Daiello, ent\u00e3o diretor da Pol\u00edcia Federal. Quis saber por que, afinal, um delegado da intelig\u00eancia da PF estava tentando convencer o juiz Ricardo Leite a prestar um depoimento relatando o epis\u00f3dio ocorrido na sede do IDP. O ministro viu na iniciativa do delegado uma tentativa de envolv\u00ea-lo nas tramoias da JBS. Estaria a Pol\u00edcia Federal executando uma opera\u00e7\u00e3o clandestina para tentar fisg\u00e1-lo? Na conversa, Daiello, polidamente tratou de acalmar o ministro. E negou que houvesse uma a\u00e7\u00e3o institucional para investig\u00e1-lo. O delegado que procurou o juiz Ricardo Leite para tentar convenc\u00ea-lo a relatar a \u201ctentativa de aproxima\u00e7\u00e3o indevida\u201d ocorrida na sede do IDP teria tomado a inciativa por conta pr\u00f3pria, embora houvesse comunicado a situa\u00e7\u00e3o a seus superiores. Gilmar n\u00e3o se deu por satisfeito. Sugeriu a Dalide que, para evitar que a suspeita sobre ela e o IDP se avolumasse, procurasse a PF e pedisse uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o ocorrido. E assim foi feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia era que Dalide tomasse a r\u00e9dea da hist\u00f3ria. E denunciasse o delegado que tentou tirar do juiz Ricardo Leite um depoimento que a incriminaria. Para dar peso \u00e0 den\u00fancia que faria, ficou acertado que Dalide iria \u00e0 Pol\u00edcia Federal na companhia de um delegado conhecido na corpora\u00e7\u00e3o. Assim seu caso seria tratado com a gravidade que merecia. De novo, assim foi feito. O escolhido para acompanh\u00e1-la foi um certo Fernando Segovia, amigo da pr\u00f3pria Dalide e pr\u00f3ximo tamb\u00e9m do ministro Gilmar Mendes (Segovia, igualmente \u00edntimo de pol\u00edticos do MDB, seria nomeado meses depois diretor da Pol\u00edcia Federal). O objetivo foi atingido: a queixa de Dalide virou uma investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o para apurar a poss\u00edvel exist\u00eancia de crime por parte de Joesley ao oferecer patroc\u00ednio ao instituto dos ju\u00edzes encarregados de seus processos, mas para averiguar a conduta de Felipe Leal, o delegado da intelig\u00eancia que tentou dar partida a uma investiga\u00e7\u00e3o mais ampla. \u00c0 PF, Dalide disse ter tomado conhecimento, por meio de Gilmar Mendes, que o delegado \u201cteria insistido na necessidade de o juiz (Ricardo Leite) formalizar uma declara\u00e7\u00e3o de conduta criminosa\u201d atribu\u00edda a ela. Afirmou ainda que o intuito do delegado, ao tentar convencer o juiz a relatar o epis\u00f3dio, tinha por objetivo \u201catingir o ministro Gilmar Mendes\u201d e \u201ccolocar em total descr\u00e9dito a seriedade de sua atua\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, o pr\u00f3prio Gilmar tratou de desarmar a bomba. Logo depois da conversa que teve com o ministro, em seu gabinete do Supremo, Dalide correu para tirar satisfa\u00e7\u00e3o com Rony Moreira, personagem da origem de toda a hist\u00f3ria, o diretor do Imafe que havia passado adiante o teor da conversa que haviam tido com Joesley no IDP. Os dois marcaram o encontro em uma padaria. Dalide gravou a conversa. E tentou tirar de Rony Moreira uma declara\u00e7\u00e3o negando que ela tivesse pedido os tais 200 milh\u00f5es. Assustado, e alertado das consequ\u00eancias criminais que o epis\u00f3dio poderia ter, Rony procurou amenizar o relato. Instado pela interlocutora, na conversa gravada, ele desta feita negou que ela tivesse tocado em assunto de dinheiro. Na sequ\u00eancia, Dalide levou uma c\u00f3pia da grava\u00e7\u00e3o para Gilmar Mendes. Seria a prova de que tudo n\u00e3o havia passado de um grande mal-entendido. Gilmar, ent\u00e3o, deu mais um passo no sentido de acalmar os \u00e2nimos dos envolvidos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33485\" src=\"http:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gilmar-5.png\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"436\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trecho do depoimento do delegado Felipe Leal: ele disse ter estranhado a oferta de patroc\u00ednio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas dias depois de ter sido procurado pelo juiz Ricardo Leite, que queria satisfa\u00e7\u00e3o sobre a postura de Dalide no encontro na sede do IDP, Gilmar convidou o magistrado para uma nova conversa. Agora na sua casa. Era um domingo. Na companhia de sua mulher, Ricardo Leite foi ent\u00e3o ao endere\u00e7o do ministro. Gilmar o aguardava, tamb\u00e9m com a sua mulher, Guiomar Feitosa. O juiz n\u00e3o sabia, at\u00e9 porque n\u00e3o tinha sido avisado disso, mas Dalide estava l\u00e1. E eis que ela se materializou na frente dele. Gilmar queria passar a hist\u00f3ria a limpo. E, numa caixa de som port\u00e1til, p\u00f4s para tocar a grava\u00e7\u00e3o da conversa de Dalide com Rony, aquela da padaria, em que a hist\u00f3ria foi colocada em panos quentes. Ricardo Leite ainda ensaiou cobrar explica\u00e7\u00f5es da ent\u00e3o bra\u00e7o-direito do ministro, desta vez pessoalmente, mas n\u00e3o havia clima para isso. O ambiente estava pesado. O juiz percebeu que o recado, ali, era claro: a hist\u00f3ria tinha mesmo que ficar restrita a um grande mal-entendido. O juiz foi embora contrariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201csindic\u00e2ncia investigativa\u201d para apurar a conduta do delegado Felipe Leal foi instaurada em 26 de junho do ano passado. Todos os personagens da trama, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Gilmar Mendes, foram ouvidos: Dalide Corr\u00eaa, Rony Moreira, o juiz Ricardo Leite e, claro, o pr\u00f3prio Felipe Leal. Ao final, a Pol\u00edcia Federal concluiu n\u00e3o ter havido qualquer desvio de conduta por parte do delegado \u2013 e que ele estava no estrito cumprimento do seu dever. Nenhum outro procedimento foi aberto, por\u00e9m, para apurar a hist\u00f3ria de fundo. O Imafe, o instituto do ju\u00edzes federais de Bras\u00edlia ao qual Joesley Batista queria dar dinheiro, acabou fechado. Foi nessa \u00e9poca que Gilmar se deu conta de que precisava tirar Dalide de suas proximidades. N\u00e3o antes de ela se envolver em outro imbr\u00f3glio que envolveu o nome do ministro. T\u00e3o logo a dela\u00e7\u00e3o da JBS veio a p\u00fablico, Dalide se encarregou de procurar uma advogada de Bras\u00edlia que trabalhava para a holding de Joesley. Queria que ela fosse a S\u00e3o Paulo apurar em que medida as revela\u00e7\u00f5es contidas na dela\u00e7\u00e3o avan\u00e7avam sobre o Judici\u00e1rio. Dalide estava especialmente preocupada com mensagens \u2014 cujo teor, at\u00e9 hoje, \u00e9 guardado a sete chaves \u2014 que havia trocado com Francisco de Assis, o diretor jur\u00eddico da JBS. \u201cA Dalide ferrou o Gilmar\u201d, resumiu a advogada da JBS em uma conversa j\u00e1 conhecida e atualmente em poder da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dalide Corr\u00eaa negou que tenha deixado o IDP por causa de sua rela\u00e7\u00e3o com a JBS e das hist\u00f3rias rumorosas que dela derivaram. \u201cEu j\u00e1 vinha sinalizando havia mais de um ano que pretendia sair. Inclusive tinha come\u00e7ado a fazer a transi\u00e7\u00e3o para a nova dire\u00e7\u00e3o (foi o filho de Gilmar, Francisco Mendes, quem assumiu o comando do instituto). N\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o com esse epis\u00f3dio com a JBS\u201d, disse ela. Sobre a confus\u00e3o em torno do suposto pedido de dinheiro para ajudar Joesley Batista a resolver os problemas que queria na Justi\u00e7a Federal de Bras\u00edlia, ela afirmou nunca ter tratado desse assunto: \u201cPergunta \u00e0 pr\u00f3pria JBS se alguma vez eu pedi dinheiro para eles que n\u00e3o fosse dinheiro para eventos do IDP. O pr\u00f3prio Rony Moreira acabou confessando que ele criou essa hist\u00f3ria dos 200 milh\u00f5es\u201d.&nbsp;Depois de perder o posto de diretora-geral do IDP, a ex-faz-tudo de Gilmar Mendes abriu um escrit\u00f3rio de advocacia no nobil\u00edssimo Lago Sul de Bras\u00edlia. Ela passou a estar fisicamente distante, mas segue pr\u00f3xima do ministro. Tanto que \u00e9 acionada por ele para responder a questionamentos sobre assuntos como os rumorosos patroc\u00ednios do IDP. Foi assim quando Cruso\u00e9 publicou reportagem sobre o assunto.&nbsp;Na ocasi\u00e3o, Dalide Corr\u00eaa tratou de assumir tudo \u2013 e de eximir Gilmar Mendes de qualquer responsabilidade. Como ele mesmo diz: \u201cIsso \u00e9 coisa da Dalide\u201d. A mulher-bomba est\u00e1, ainda, sob controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A advogada Dalide Corr\u00eaa e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, se conheceram h\u00e1 pouco mais de duas d\u00e9cadas. Ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando Gilmar era o advogado-geral da Uni\u00e3o, Dalide chefiava o departamento jur\u00eddico da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Como tinham assuntos em comum a tratar, acabaram se aproximando. Come\u00e7ou ali [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[122],"tags":[],"class_list":["post-33479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-zp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=33479"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33487,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33479\/revisions\/33487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=33479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=33479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=33479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}