{"id":33830,"date":"2018-07-15T17:43:02","date_gmt":"2018-07-15T17:43:02","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/?p=33830"},"modified":"2021-04-02T05:00:01","modified_gmt":"2021-04-02T05:00:01","slug":"um-muro-invisivel-contra-radiacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=33830","title":{"rendered":"Um muro invis\u00edvel contra radia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Um campo de for\u00e7a invis\u00edvel e impenetr\u00e1vel, a cerca de 11 mil km da superf\u00edcie da Terra, protege nosso planeta de doses letais de radia\u00e7\u00e3o. A descoberta surpreendente e at\u00e9 agora inexplicada foi feita por uma dupla de sat\u00e9lites da Nasa e reportada na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista cient\u00edfica brit\u00e2nica \u201cNature\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33832\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muro_radiacao-e1532367911894.png\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"337\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7adas em 2012, as Van Allen Probes tinham por principal objetivo estudar os chamados cintur\u00f5es de Van Allen, dois an\u00e9is de radia\u00e7\u00e3o concentrada produzidos pela intera\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico da Terra com a torrente de part\u00edculas carregadas emanada constantemente do Sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cintur\u00f5es, ali\u00e1s, foram a primeira descoberta da era espacial, feita em 1958 pelo cientista americano James Van Allen, da Universidade de Iowa, com dados colhidos pelo primeiro sat\u00e9lite ianque, o Explorer-1. A ambi\u00e7\u00e3o original do pesquisador era estudar raios c\u00f3smicos, mas o sat\u00e9lite acabou fazendo a detec\u00e7\u00e3o de uma concentra\u00e7\u00e3o anormal de part\u00edculas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Originalmente foram detectados dois cintur\u00f5es: um mais baixo, entre 600 e 10 mil km de altitude, concentra pr\u00f3tons de alta energia, e outro mais distante, entre 13,5 mil e 57,6 mil km de altitude, agrupa el\u00e9trons de alta energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova surpresa s\u00f3 foi poss\u00edvel agora, gra\u00e7as aos instrumentos mais sofisticados j\u00e1 usados para explorar o ambiente dos cintur\u00f5es. Os cientistas liderados por Dan Baker, ex-aluno do pr\u00f3prio Van Allen e pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder, perceberam que todos os el\u00e9trons com os n\u00edveis mais altos de energia, que viajam em velocidades pr\u00f3ximas \u00e0 da luz, eram barrados um pouco acima do primeiro dos cintur\u00f5es. Nenhum deles conseguia passar a barreira dos 11 mil km.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda bem para n\u00f3s, pois essa seria uma radia\u00e7\u00e3o nociva, se chegasse \u00e0 superf\u00edcie da Terra. Mas a surpresa \u00e9 que o bloqueio abrupto observado contraria a expectativa original dos pesquisadres. Eles imaginavam que esses el\u00e9trons fossem detidos gradualmente pela atmosfera terrestre, conforme aconteciam colis\u00f5es entre eles e as mol\u00e9culas de ar. Uma barreira distinta a 11 mil km \u00e9 totalmente incompat\u00edvel com essa premissa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 quase como se esses el\u00e9trons estivessem trombando com uma parede de vidro no espa\u00e7o\u201d, disse Baker, em nota. \u201c\u00c9 um fen\u00f4meno extremamente intrigante.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mist\u00e9rio<\/strong><br \/>\nOs cientistas ainda n\u00e3o t\u00eam uma explica\u00e7\u00e3o clara do que daria origem \u00e0 barreira, mas o campo magn\u00e9tico da Terra parece n\u00e3o ter nada a ver com isso. Para descartar essa hip\u00f3tese, eles estudaram com especial aten\u00e7\u00e3o o comportamento dos el\u00e9trons sobre o Atl\u00e2ntico Sul. Por alguma raz\u00e3o pouco compreendida, o campo magn\u00e9tico do planeta \u00e9 mais fraco naquela regi\u00e3o \u2014 tanto que os cintur\u00f5es de Van Allen chegam um pouco mais perto da superf\u00edcie por ali. Se a barreira invis\u00edvel fosse causada pelo magnetismo terrestre, seria natural que os el\u00e9trons conseguissem maior penetra\u00e7\u00e3o por ali. Mas n\u00e3o. Mesmo naquele ponto o fim da linha \u00e9 ao redor dos 11 mil km.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, a melhor ideia com que Baker e seus colegas conseguiram se sair \u00e9 a de que as poucas mol\u00e9culas gasosas presentes \u00e0quela altitude formam um g\u00e1s ionizado chamado de plasmasfera, que por sua vez emite ondas eletromagn\u00e9ticas de baixa frequ\u00eancia. Seriam elas as respons\u00e1veis por rebater os el\u00e9trons altamente energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33836\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muro_radiacao2-e1532368240415.png\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"340\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como testar a hip\u00f3tese? O segredo \u00e9 continuar monitorando os cintur\u00f5es, em busca de novas pistas do mist\u00e9rio. E \u00e9 exatamente o que as Van Allen Probes v\u00e3o fazer. Uma das descobertas j\u00e1 realizadas pelos sat\u00e9lites \u00e9 que, durante momentos de grande atividade solar, os dois cintur\u00f5es se desdobram em tr\u00eas. Recentemente, os pesquisadores envolvidos com a sonda desenvolveram software para apresentar as condi\u00e7\u00f5es daquela regi\u00e3o do espa\u00e7o praticamente em tempo real, o que facilita o acompanhamento din\u00e2mico dos cintur\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o desses fen\u00f4menos \u00e9 fundamental para proteger nossos sat\u00e9lites em \u00f3rbita, que podem ser danificados pela radia\u00e7\u00e3o concentrada dos cintur\u00f5es. E tamb\u00e9m \u00e9 importante para garantir a sa\u00fade dos astronautas que porventura viajem al\u00e9m da \u00f3rbita terrestre baixa. Os tripulantes das miss\u00f5es Apollo, que visitaram as imedia\u00e7\u00f5es da Lua entre 1968 e 1972, tiveram de atravessar os cintur\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a travessia foi feita rapidamente, em cerca de 30 minutos, isso n\u00e3o afetou de forma adversa os intr\u00e9pidos viajantes espaciais. Um fen\u00f4meno curioso, contudo, \u00e9 que muitos deles reportaram a visualiza\u00e7\u00e3o de flashes luminosos durante a travessia. E eles viam isso at\u00e9 quando estavam com os olhos fechados. As tais \u201cvis\u00f5es\u201d eram resultado de part\u00edculas energ\u00e9ticas do cintur\u00e3o colidindo diretamente em c\u00e9lulas da retina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NA TV:<\/strong>&nbsp;Neste s\u00e1bado (29), na GloboNews, o&nbsp;<strong>Mensageiro Sideral<\/strong>&nbsp;ir\u00e1 contar a hist\u00f3ria da pr\u00f3xima espa\u00e7onave americana destinada a levar astronautas al\u00e9m da \u00f3rbita terrestre. O primeiro lan\u00e7amento de teste da c\u00e1psula \u00d3rion acontecer\u00e1 no fim da semana que vem, num voo sem tripula\u00e7\u00e3o. E um dos objetivos da miss\u00e3o ser\u00e1 justamente avaliar o impacto do mais interno dos cintur\u00f5es de Van Allen sobre o ambiente no interior do ve\u00edculo. Tudo isso e muito mais, neste s\u00e1bado, a partir das 22h, no \u201cJornal das 10\u201d da GloboNews!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/mensageirosideral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook<\/a>&nbsp;e no&nbsp;<a href=\"http:\/\/twitter.com\/salnog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um campo de for\u00e7a invis\u00edvel e impenetr\u00e1vel, a cerca de 11 mil km da superf\u00edcie da Terra, protege nosso planeta de doses letais de radia\u00e7\u00e3o. A descoberta surpreendente e at\u00e9 agora inexplicada foi feita por uma dupla de sat\u00e9lites da Nasa e reportada na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista cient\u00edfica brit\u00e2nica \u201cNature\u201d. 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