{"id":40982,"date":"2019-10-04T14:45:20","date_gmt":"2019-10-04T14:45:20","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.psc.br\/?p=35561"},"modified":"2021-03-31T21:21:57","modified_gmt":"2021-03-31T21:21:57","slug":"todos-os-anexos-de-palocci","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=40982","title":{"rendered":"Todos os anexos de Palocci"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Cruso\u00e9 obteve a \u00edntegra dos cap\u00edtulos da dela\u00e7\u00e3o premiada do ex-ministro de Lula e Dilma. Saiba o que h\u00e1 de novo nos relatos.<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<div id=\"wrap\">\n<div id=\"page\">\n<article id=\"post-33721\" data-access=\"paid\">\n<header id=\"postheader\" data-post-id=\"33721\">\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Marcello Casal Jr\/Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div id=\"attachment_35566\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-35566\" class=\"wp-image-35566\" src=\"http:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/paloccilula1-700x459-e1570200875640.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"354\"\/><p id=\"caption-attachment-35566\" class=\"wp-caption-text\">Palocci com Lula no auge da era petista no poder: neg\u00f3cios na superf\u00edcie e nas sombras<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">Quarenta dias depois, policiais federais voltaram na manh\u00e3 desta quinta-feira, 3, \u00e0 sede do BTG Pactual, no 14\u00ba andar de um moderno edif\u00edcio espelhado na avenida Faria Lima, centro financeiro de S\u00e3o Paulo. Estavam atr\u00e1s de novos documentos que possam elucidar mais uma suspeita envolvendo o banco fundado por Andr\u00e9 Esteves. Desta vez, o vazamento de informa\u00e7\u00f5es privilegiadas do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central, o Copom, entre os anos de 2010 e 2012, no governo Dilma Rousseff. Como na a\u00e7\u00e3o realizada no fim de agosto, que tamb\u00e9m bateu na casa do banqueiro, a nova investida da Lava Jato est\u00e1 baseada na dela\u00e7\u00e3o premiada do ex-ministro petista Antonio Palocci, com quem Esteves mantinha uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade desde 2005, no governo Lula. Segundo o delator, o controlador do BTG \u201cgrampeou\u201d o BC para conseguir de forma antecipada as altera\u00e7\u00f5es da taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, e lucrar com opera\u00e7\u00f5es financeiras. Seu informante, diz Palocci, era o ent\u00e3o ministro da Fazenda, Guido Mantega.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lista de malfeitos atribu\u00eddos por Palocci a Andr\u00e9 Esteves \u00e9 t\u00e3o extensa que o banqueiro \u201cganhou\u201d um cap\u00edtulo exclusivo na dela\u00e7\u00e3o de Palocci.&nbsp;Cruso\u00e9&nbsp;teve acesso aos 39 anexos entregues aos investigadores em que o ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma elenca uma s\u00e9rie de pagamentos il\u00edcitos feitos a ele, ao ex-presidente petista e a campanhas do partido. Os repasses eram feitos por empres\u00e1rios beneficiados com medidas do governo ou contratos de bancos p\u00fablicos e estatais. Em um dos cap\u00edtulos, precisamente o de n\u00famero 9, Palocci narra suas pr\u00e1ticas esp\u00farias com o banqueiro ao longo de quase dez anos e detalha como iniciou a trama dentro do Pal\u00e1cio do Planalto para que o Banco Central pudesse ajudar na campanha de Dilma em 2010. Ele conta que, para o esquema dar certo, era preciso tirar Henrique Meirelles do comando do BC e colocar algu\u00e9m que pudesse vazar as informa\u00e7\u00f5es ao PT. H\u00e1 detalhes. Palocci diz que em 2009, quando era deputado federal, recebeu de Lula, em uma reuni\u00e3o \u00e0 noite no Pal\u00e1cio da Alvorada, um pedido para comunicar Meirelles que ele seria demitido. O posto seria ocupado pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo. No encontro estavam presentes Mantega e o pecuarista Jos\u00e9 Carlos Bumlai, amigo de Lula. O delator disse ter se manifestado contra a ideia, mas que daria o recado a Meirelles, seu indicado para o cargo em 2003.<\/p>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"readingtextparagraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Palocci afirma que dias ap\u00f3s o encontro conseguiu convencer Lula a manter Meirelles at\u00e9 o fim do governo. Por isso, viria a ser cobrado por Mantega mais tarde, em uma reuni\u00e3o na sede da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Era 2010. Naquele ano, Andr\u00e9 Esteves, que j\u00e1 havia se livrado de uma puni\u00e7\u00e3o no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional em 2005 com a ajuda de Palocci em troca de uma doa\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es de reais para a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Lula em 2006, procurou novamente o ex-ministro. Ofereceu dinheiro para a campanha de Dilma. A ideia era resgatar o plano frustrado do BC no ano anterior e \u201cser um grande parceiro\u201d no pr\u00f3ximo mandato petista. Segundo o delator, 7 milh\u00f5es de reais do BTG abasteceram a vitoriosa campanha presidencial, dos quais 5 milh\u00f5es de reais por fora. Em 1\u00ba de janeiro de 2011, Alexandre Tombini assumiu o comando do Banco Central e a trama arquitetada por Mantega e Esteves finalmente se desenrolou, conta Palocci.<\/p>\n<div id=\"move-banner-box1\">\n<div id=\"gpt-box\" data-google-query-id=\"CPHvnKboguUCFc58wQods3YIlg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/61881175\/Crusoe_EdSem_Desktop_Post_Box_0__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O caso mais emblem\u00e1tico ocorreu em agosto do ano seguinte, 2011. Segundo Palocci, Tombini informou Mantega e Dilma em uma reuni\u00e3o que, ap\u00f3s dois anos de alta, o BC iria reduzir a taxa Selic de 12,5% para 12%. Mantega, ent\u00e3o, teria repassado a informa\u00e7\u00e3o privilegiada para Esteves, antes da divulga\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o pelo Copom. De acordo com a dela\u00e7\u00e3o, o BTG realizou nos dias seguintes uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es no mercado financeiro obtendo lucros muito acima da m\u00e9dia. Ap\u00f3s as opera\u00e7\u00f5es, o patrim\u00f4nio do Fundo Bintang, administrado pelo BTG, cresceu de 20 milh\u00f5es para 38 milh\u00f5es de reais em menos de tr\u00eas meses. O ex-ministro diz que a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios, a CVM, chegou a abrir uma investiga\u00e7\u00e3o para apurar o caso, mas n\u00e3o constatou irregularidades. Em contrapartida pela informa\u00e7\u00e3o privilegiada, Esteves teria doado 9,5 milh\u00f5es de reais para a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, em 2014, e repassado 10% dos lucros obtidos pelo Bintang a Lula.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Esteves chegou a ser preso pela Lava Jato em novembro de 2015, acusado de tentar comprar o sil\u00eancio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerver\u00f3 \u2014 nesse caso, ele foi absolvido no ano passado. As novas suspeitas envolvendo o banqueiro v\u00e3o muito al\u00e9m das opera\u00e7\u00f5es no mercado financeiro. Na opera\u00e7\u00e3o deflagrada em agosto, a Lava Jato investiga pagamento de 15 milh\u00f5es de d\u00f3lares por meio de um fundo que seria reservado a Lula em troca de benef\u00edcios ao BTG nos contratos das sondas do pr\u00e9-sal, caso tamb\u00e9m delatado por Palocci. Esteves tamb\u00e9m teria distribu\u00eddo propina, segundo o delator, para retardar a aprova\u00e7\u00e3o de um projeto que permitia a compra de hospitais por empresas estrangeiras at\u00e9 que ele fechasse a aquisi\u00e7\u00e3o da Rede D\u2019Or, do ramo hospitalar. Feito o neg\u00f3cio, depois ele mesmo pressionou para que a proposta fosse aprovada em 2015. A ideia era vender a rede com lucro bem maior a um grupo canadense.<\/p>\n<p>O BTG n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico banco mencionado por Palocci no acordo de colabora\u00e7\u00e3o, que foi fechado com a Pol\u00edcia Federal \u2014 o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal rejeitou a proposta do ex-ministro alegando fragilidade das provas. Institui\u00e7\u00f5es como Banco do Brasil, Bradesco, Ita\u00fa, Safra e Santander tamb\u00e9m s\u00e3o citadas em supostos pagamentos il\u00edcitos a agentes p\u00fablicos e ao PT em troca de favores dentro do governo. No caso do Safra, Palocci relata ter sido procurado, em 2008, por Joseph Safra, o dono do banco. Na conversa, o ex-ministro ouviu que o empres\u00e1rio havia recebido uma oferta superior a 3 bilh\u00f5es de reais para o Safra vender sua participa\u00e7\u00e3o na empresa Aracruz Celulose ao Grupo Votorantim. Apesar de Palocci ter estimulado o neg\u00f3cio, Safra n\u00e3o quis vender sua parte naquele momento. Mais tarde, por causa da crise financeira internacional de 2008, a Aracruz teve um preju\u00edzo bilion\u00e1rio e Safra pediu ajuda de Palocci, que conseguiu um empr\u00e9stimo de 2,4 bilh\u00f5es do BNDES para o Votorantim comprar a parte do banco. Em contrapartida, Safra fez doa\u00e7\u00f5es de 2,5 milh\u00f5es de reais ao PT, em 2010, e de 5 milh\u00f5es de reais, em 2014, al\u00e9m de repasses ao Instituto Lula.<\/p>\n<p>Em outro anexo, Palocci aborda o que ele classifica como \u201cbatalha de grande porte\u201d dos bancos para evitar perdas com a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a impetradas por cidad\u00e3os que se sentiram lesados com os planos econ\u00f4micos brasileiros \u2014 entre eles, o Real. Quando esses casos come\u00e7avam a chegar nas cortes superiores de Bras\u00edlia, o banqueiro Pedro Moreira Salles, da fam\u00edlia acionista do Unibanco, segundo Palocci, o procurou para tratar de uma a\u00e7\u00e3o de cerca de 400 milh\u00f5es reais. O caso estava relacionado com a\u00e7\u00e3o movida pelo banco Multiplic contra o Unibanco.<\/p>\n<p>Segundo o relato do ex-ministro, o banqueiro pedia a interven\u00e7\u00e3o dele junto ao ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva porque o caso se transformaria numa contesta\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Plano Real. Palocci diz ter conversado com Lula, que indicou o ent\u00e3o secret\u00e1rio para assuntos Jur\u00eddicos da Casa Civil, o atual presidente do STF, Dias Toffoli, para atuar junto com Palocci em favor dos interesses do Unibanco. \u201cAlguns dias depois, Pedro Moreira Salles envia um longo fax para a casa de Palocci, o qual repassa o documento para Dias Toffoli que, por sua vez, vai ao STF debater a quest\u00e3o com os ministros, em especial com Sep\u00falveda Pertence, ent\u00e3o relator da a\u00e7\u00e3o\u201d, diz trecho do anexo entregue por Palocci. De acordo com ele, Pertence, ap\u00f3s esse encontro com Dias Toffoli, suspendeu a tramita\u00e7\u00e3o desse processo e de v\u00e1rios outros relacionados ao mesmo tema. \u201cRepresentou uma importante vit\u00f3ria para o Unibanco\u201d, diz o anexo. Dias depois da conquista, Fernando Salles, irm\u00e3o de Pedro, diz o ex-ministro, fez um convite para ele palestrar em uma das empresas da fam\u00edlia. Antes da palestra come\u00e7ar, conta Palocci, Fernando disse: \u201cNosso convite \u00e9 uma contrapartida que estamos lhe dando pelo que voc\u00ea fez por nossa fam\u00edlia junto ao STF. Queremos cham\u00e1-lo aqui durante algum tempo, em agradecimento\u201d.<\/p>\n<p>Como mostrou&nbsp;Cruso\u00e9, a primeira busca realizada pela PF no BTG rendeu uma volume t\u00e3o absurdo de informa\u00e7\u00f5es que foram necess\u00e1rios sete dias para baix\u00e1-los nos sistemas dos investigadores. Agora, a \u00edntegra dos anexos do ex-todo poderoso da \u00e1rea econ\u00f4mica nos governos do PT mostra que as investiga\u00e7\u00f5es abertas podem criar embara\u00e7os n\u00e3o s\u00f3 para o banco, mas para outros gigantes do setor, bem como para v\u00e1rios personagens importantes da cena pol\u00edtica. Resumimos, a seguir, o que disse Palocci nos principais cap\u00edtulos de sua dela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Consultoria e vantagens indevidas<\/strong><\/p>\n<p>Palocci revela como usou sua empresa Projeto Consultoria para receber pagamento de propina de empresas por favores prestados a elas quando era ministro da Fazenda (2003 a 2006), deputado federal (2007 a 2010), ministro da Casa Civil (2011) ou simplesmente consultor com influ\u00eancia no governo. Menciona repasses feitos por dez pessoas ou empresas que s\u00e3o detalhados nos demais anexos, como um contrato de 1,5 milh\u00e3o de reais com o tamb\u00e9m ex-ministro e advogado M\u00e1rcio Thomaz Bastos para ajudar a anular a Opera\u00e7\u00e3o Castelo de Areia no STJ, em 2011.<\/p>\n<p><strong>Lula<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro relata que Lula recebia altas cifras de propina atrav\u00e9s da empresa de palestras LILS e do Instituto Lula \u2014 e que ele, al\u00e9m disso, operava uma esp\u00e9cie de mesada em esp\u00e9cie de at\u00e9 100 mil reais a Lula, com dinheiro repassado pela Odebrecht e pelo Banco Safra. Os pagamentos eram feitos pessoalmente ao ex-presidente ou por Branislav Kontic, assessor do ex-ministro. Palocci tamb\u00e9m lista as vantagens indevidas que Lula teria recebido da Odebrecht e da OAS por meio do triplex no Guaruj\u00e1, da reforma do s\u00edtio de Atibaia, da aquisi\u00e7\u00e3o da sede do Instituto Lula em S\u00e3o Paulo e de um apartamento em S\u00e3o Bernardo. Menciona a conta de 300 milh\u00f5es de reais que a Odebrecht teria disponibilizado ao ex-presidente, cita doa\u00e7\u00e3o de dinheiro de empresas para financiar o filme biogr\u00e1fico do petista e narra um repasse de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares feito pelo ex-ditador l\u00edbio Muammar Kadhafi \u00e0 campanha de Lula em 2002, em uma opera\u00e7\u00e3o cujos detalhes foram revelados por&nbsp;Cruso\u00e9&nbsp;no ano passado. O dinheiro, diz, foi depositado em uma conta do marqueteiro Duda Mendon\u00e7a na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Dilma e Ambev<\/strong><\/p>\n<p>Palocci diz que a gigante Ambev, por meio de dois executivos, o contratou para que ele atuasse junto ao governo para impedir ou atrasar o aumento do PIS\/Cofins que incide sobre bebidas alco\u00f3licas. Ele conta ter ajudado a empresa em tr\u00eas ocasi\u00f5es \u2014 2010, 2013 e 2014 \u2014 e que recebeu vantagens indevidas do grupo por interm\u00e9dio de um contrato de consultoria. Segundo Palocci, Lula recebeu 350 mil reais por meio de um dep\u00f3sito na conta de sua empresa de palestras. Em 2014, a Ambev ainda teria doado 7,5 milh\u00f5es de reais para a campanha de Dilma.<\/p>\n<p><strong>Castelo de Areia<\/strong><\/p>\n<p>Antonio Palocci afirma que em um encontro realizado na resid\u00eancia oficial de Dilma Rousseff, o ex-ministro e advogado M\u00e1rcio Thomaz Bastos disse que a Camargo Corr\u00eaa iria doar 50 milh\u00f5es de reais para a campanha presidencial da petista em 2010 em troca de uma ajuda do governo para \u201cderrubar\u201d a Opera\u00e7\u00e3o Castelo de Areia no Superior Tribunal de Justi\u00e7a. A ajuda do governo seria fomentar a indica\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente do STJ, Cesar Asfor Rocha, para uma vaga no STF. A opera\u00e7\u00e3o foi anulada em abril de 2011, mas como a indica\u00e7\u00e3o de Rocha ao Supremo acabou n\u00e3o se concretizando, a Camargo Corr\u00eaa teria pago 5 milh\u00f5es de reais ao ministro. Pelo servi\u00e7o prestado, Palocci recebeu 1,5 milh\u00e3o de reais por meio de sua empresa de consultoria.<\/p>\n<p><strong>Casino versus Ab\u00edlio Diniz<\/strong><\/p>\n<p>O delator afirma que recebeu uma oferta de propina de um intermedi\u00e1rio de Ab\u00edlio Diniz para conseguir a libera\u00e7\u00e3o de um empr\u00e9stimo do BNDES que permitisse ao Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar comprar o Carrefour e impedir que o grupo Casino assumisse o controle acion\u00e1rio da empresa criada por Ab\u00edlio Diniz. Palocci diz que depois descobriu que o tamb\u00e9m ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu estava atuando em defesa do Casino para \u201cmelar\u201d o plano do fundador do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. Segundo Palocci, Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, teria oferecido 30 milh\u00f5es de euros a Lula e o ex-presidente, depois, pediu que ele parasse de ajudar Ab\u00edlio Diniz. Com a interfer\u00eancia de Lula, o BNDES n\u00e3o emprestou dinheiro ao P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, segundo Palocci. Os repasses seriam feitos pelo Banco Safra. Segundo a dela\u00e7\u00e3o, Safra repassou 2 milh\u00f5es de reais para a campanha do ex-prefeito Fernando Haddad, em 2012, 10 milh\u00f5es de reais para a campanha de Dilma, em 2014, e ainda fez repasses ao Instituto Lula.<\/p>\n<p><strong>Safra, Aracruz, PT e Palocci<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata que foi procurado em 2008 por Joseph Safra, dono do Banco Safra, dizendo que tinha recebido uma oferta superior a 3 bilh\u00f5es de reais para vender sua participa\u00e7\u00e3o na empresa Aracruz ao Grupo Votorantim. Apesar de Palocci ter estimulado o neg\u00f3cio, Safra n\u00e3o quis vender o ativo naquele momento. Mais tarde, por causa da crise financeira internacional de 2008, a empresa Aracruz teve preju\u00edzo de bilh\u00f5es de reais e Safra pediu ajuda de Palocci, que conseguiu um empr\u00e9stimo de 2,4 bilh\u00f5es do BNDES para o Votorantim comprar a parte de Safra na Aracruz. Em contrapartida, Safra fez doa\u00e7\u00f5es de 2,5 milh\u00f5es de reais ao PT em 2010 e de 5 milh\u00f5es de reais em 2014, al\u00e9m de repasses ao Instituto Lula. Votorantim e Aracruz tamb\u00e9m doaram, juntas, 11,8 milh\u00f5es ao partido.<\/p>\n<p><strong>PDG Realty<\/strong><\/p>\n<p>Palocci conta que recebeu 480 mil reais da PDG Realty para atuar junto ao BNDESPar, a fim de que o banco fizesse um aporte de 155 milh\u00f5es de reais na empresa que o contratou em 2009, por meio da aquisi\u00e7\u00e3o de deb\u00eantures convers\u00edveis. Ele disse que ligou para o ent\u00e3o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, fazendo o pedido da PDG, que foi aceito pelo dirigente da institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Camargo Corr\u00eaa e Petros<\/strong><\/p>\n<p>O delator descreve que o executivo Luiz Nascimento, da Camargo Corr\u00eaa, repassou 28 milh\u00f5es de reais ao PT, ao tamb\u00e9m ex-ministro Luiz Gushiken e a Lula, via instituto, empresa de palestras e em uma conta no exterior aberta pela JBS, para que a Petros, o fundo de pens\u00e3o dos funcion\u00e1rios da Petrobras, comprasse a participa\u00e7\u00e3o de 5% da empreiteira do Ita\u00fa S\/A. Segundo Palocci, o neg\u00f3cio foi efetivado em novembro de 2010, por mais de 1,6 bilh\u00e3o de reais.<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Esteves<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro narra uma s\u00e9rie de pagamentos il\u00edcitos do banqueiro fundador do BTG Pactual em troca de informa\u00e7\u00f5es privilegiadas do Banco Central que permitissem sua empresa lucrar com opera\u00e7\u00f5es no mercado. Segundo Palocci, o ex-ministro Guido Mantega antecipava a Esteves as decis\u00f5es do Copom sobre a taxa b\u00e1sica de juros. Em troca, Esteves teria doado 9,5 milh\u00f5es de reais para a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, em 2014, e repassado a Lula 10% dos lucros obtidos por um fundo beneficiado com as informa\u00e7\u00f5es privilegiadas.<\/p>\n<p><strong>Refis da Crise<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata detalhes da compra da Medida Provis\u00f3ria 470, conhecida como o Refis da Crise, por ter institu\u00eddo um programa de refinanciamento das d\u00edvidas de empresas com o governo federal. Segundo o delator, o texto da MP foi redigido por Maur\u00edcio Ferro, ent\u00e3o diretor jur\u00eddico da Odebrecht. Segundo Palocci, a empreiteira repassou 50 milh\u00f5es de reais ao PT via caixa 2; Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderg\u00fargica Nacional, repassou 14 milh\u00f5es de reais por meio da Odebrecht; e Rubens Ometto, da Cosan, fez doa\u00e7\u00f5es oficiais ao PT.<\/p>\n<p><strong>Carf<\/strong><\/p>\n<p>Palocci afirma que, no primeiro semestre de 2011, quando era ministro da Casa Civil do governo Dilma, foi procurado por um diretor da RBS que lhe pediu ajuda para resolver uma multa de 500 milh\u00f5es de reais aplicada \u00e0 empresa pela Receita Federal. Segundo o delator, Dilma deu sinal verde para ele entrar no circuito e resolver a quest\u00e3o. Palocci disse ter pedido para o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Nelson Barbosa, interferir no caso e recomendado que a RBS pagasse propina aos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf. Em contrapartida, \u201cdiversas interven\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas por parte da RBS foram realizadas em prol dos interesses do governo Dilma\u201d.<\/p>\n<p><strong>Petrobras e Sete Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro diz que a Petrobras, na gest\u00e3o de Gra\u00e7a Foster, reduziu o pre\u00e7o de venda dos ativos na \u00c1frica de 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares e que 50% foram arrematados por Andr\u00e9 Esteves mediante pagamento de propina de 15 milh\u00f5es de d\u00f3lares, intermediada por Guido Mantega. Segundo Palocci, Esteves tamb\u00e9m interferiu para trocar o comando da Sete Brasil, a empresa de sondas do pr\u00e9-sal. O delator cita ainda corrup\u00e7\u00e3o envolvendo contratos de publicidade da Petrobras na gest\u00e3o do ex-diretor Wilson Santarosa. Um dos casos mencionados envolve um contrato de 2,6 milh\u00f5es de reais para an\u00fancios na revista&nbsp;Isto\u00c9.<\/p>\n<p><strong>Banco Panamericano<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata repasses il\u00edcitos de 19 milh\u00f5es de reais feitos ao PT pelo Grupo Silvio Santos, para que a Caixa Econ\u00f4mica Federal comprasse 35% do Banco Panamericano em 2009, por 739,3 milh\u00f5es de reais. Depois, o ex-ministro convenceu Andr\u00e9 Esteves a comprar outra parte do Panamericano, que passou a receber aportes financeiros da Caixa.<\/p>\n<p><strong>Fernando Pimentel<\/strong><\/p>\n<p>Palocci menciona o pagamento de 2 milh\u00f5es de reais da Camargo Corr\u00eaa \u00e0 campanha do ex-governador de Minas Gerais em 2010 e o envolvimento do petista na guerra de dossi\u00eas envolvendo os tucanos A\u00e9cio Neves e Jos\u00e9 Serra na elei\u00e7\u00e3o presidencial daquele ano.<\/p>\n<p><strong>Gleisi Hoffmann<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro detalha uma doa\u00e7\u00e3o oficial de 1 milh\u00e3o de reais da Camargo Corr\u00eaa \u00e0 campanha da ex-ministra ao Senado, em 2010. Fala ainda de um repasse de 800 mil reais da OAS e de 2 milh\u00f5es de reais entregues via caixa 2 da Odebrecht.<\/p>\n<p><strong>Carlos Zarattini<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata caixa 2 de 50 mil reais da Odebrecht para a campanha do deputado petista em 2010.<\/p>\n<p><strong>Jilmar Tatto<\/strong><\/p>\n<p>Um dos anexos da dela\u00e7\u00e3o menciona um caixa 2 de 500 mil reais para o ex-deputado em 2010.<\/p>\n<p><strong>Ti\u00e3o Viana<\/strong><\/p>\n<p>Palocci narra o repasse de 1,5 milh\u00e3o de reais via caixa 2 pela Odebrecht para a campanha de ex-governador do Acre em 2010.<\/p>\n<p><strong>Lindberg Farias<\/strong><\/p>\n<p>A Odebrecht, diz Palocci, repassou 3,2 milh\u00f5es de reais via caixa 2 para a campanha de ex-senador petista.<\/p>\n<p><strong>Obstru\u00e7\u00e3o \u00e0 Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Palocci narra o plano de nomear Marcelo Navarro ministro do STJ para estancar avan\u00e7o da Lava Jato e soltar Marcelo Odebrecht, em 2015. Tamb\u00e9m fala da nomea\u00e7\u00e3o de Lula para a Casa Civil no governo Dilma, para tentar tirar o ex-presidente da al\u00e7ada da 13\u00aa Vara Federal de Curitiba, comandada pelo ent\u00e3o juiz &nbsp;Sergio Moro.<\/p>\n<p><strong>Engeform<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro confessa ter recebido propina de 160 mil reais da Engeform por meio de sua empresa de consultoria, em 2011, para ajudar a empreiteira entrar para o clube das prestadoras de servi\u00e7os da Petrobras.<\/p>\n<p><strong>Parmalat<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata que, em 2008, atuou em benef\u00edcio da Parmalat para que a empresa conseguisse uma libera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito do Banco do Brasil. \u00c0 \u00e9poca, o presidente do banco era Rossano Maranh\u00e3o, que havia sido indicado por ele. O ex-ministro disse ter recebido propina de 100 mil reais da Parmalat nesse caso.<\/p>\n<p><strong>Fus\u00e3o Ita\u00fa-Unibanco<\/strong><\/p>\n<p>Palocci cita repasse de 4 milh\u00f5es de reais \u00e0 campanha de Dilma, em 2010, para a atua\u00e7\u00e3o da base governista em favor da fus\u00e3o Ita\u00fa-Unibanco e para que o Banco Central aprovasse o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>Banco Bradesco<\/strong><\/p>\n<p>O delator narra uma s\u00e9rie de doa\u00e7\u00f5es feitas pelo banco a campanhas do PT, em troca da defesa dos interesses da institui\u00e7\u00e3o no conselho de administra\u00e7\u00e3o da Vale, como a manuten\u00e7\u00e3o de Roger Agnelli na presid\u00eancia da empresa, e em troca de informa\u00e7\u00f5es privilegiadas junto ao Banco Central, para que o Bradesco n\u00e3o perdesse dinheiro com as varia\u00e7\u00f5es da taxa Selic. Segundo Palocci, Bradesco e a Vale repassaram mais de 53 milh\u00f5es de reais ao PT entre 2002 e 2014.<\/p>\n<p><strong>Votorantim<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata que atuou para salvar o Grupo Votorantim da crise financeira, fazendo com que o Banco do Brasil comprasse 49% do Banco Votorantim \u2014 foram injetados 4,2 bilh\u00f5es de reais na institui\u00e7\u00e3o. O delator menciona ainda sua participa\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o de multas do Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica, o Cade, aplicadas ao Grupo Votorantim.<\/p>\n<p><strong>Aeroportos de Viracopos e Gale\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata que, em 2012, a ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff se envolveu diretamente na concess\u00e3o do aeroporto do Gale\u00e3o, no Rio, para que a Odebrecht ganhasse a concess\u00e3o. Segundo o delator, o edital foi direcionado para a empreiteira em troca de repasses para campanhas do PT. Ele diz que 4 milh\u00f5es de reais foram pagos ao ex-ministro da Avia\u00e7\u00e3o Moreira Franco.<\/p>\n<p><strong>Banco do Brasil e Brasil Seguros<\/strong><\/p>\n<p>Palocci cita pagamentos il\u00edcitos feitos pela seguradora Mapfre ao PT no exterior, em troca de favorecimento em neg\u00f3cios com a Brasil Seguros. Segundo ele, o dinheiro foi depositado na conta aberta para o partido no exterior pelo empres\u00e1rio Joesley Batista, dono da JBS.<\/p>\n<p><strong>Luciano Coutinho<\/strong><\/p>\n<p>O delator descreve o papel do ex-presidente do BNDES na intermedia\u00e7\u00e3o de caixa 2 para campanhas do PT. Segundo Palocci, ele recebia os tesoureiros do PT Edinho Silva e Jos\u00e9 de Filippi Junior e pedia contribui\u00e7\u00e3o eleitoral \u00e0s empresas que tinham contrato com o banco em prol da manuten\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>Fus\u00e3o da Sadia com a Perdig\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata como atuou para a libera\u00e7\u00e3o de um empr\u00e9stimo do BNDES e para que a fus\u00e3o fosse aprovada pelo Cade, em 2011. Ele menciona a participa\u00e7\u00e3o do ex-ministro Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, da Justi\u00e7a, nas tratativas e doa\u00e7\u00f5es de dinheiro ao PT e ao Instituto Lula.<\/p>\n<p><strong>Porto da Odebrecht, TCU e MP<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro fala sobre como atuou dentro do governo e junto ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o para defender interesses da Odebrecht na aprova\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria 595\/12, a MP dos Portos, que foi transformada em lei em 2013, beneficiando a empreiteira no terminal portu\u00e1rio da Embraport, em Santos.<\/p>\n<p><strong>Tributa\u00e7\u00e3o da Bolsa de Valores<\/strong><\/p>\n<p>Palocci narra neste anexo que, em 2004, foi procurado pelo ent\u00e3o presidente da BM&amp;F, Manoel Felix Cintra Neto, que tinha interesse na redu\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o sobre opera\u00e7\u00f5es financeiras de ganhos sobre a\u00e7\u00f5es. Nos anos seguintes, Palocci diz ter editado ao menos duas medidas provis\u00f3rias que iam ao encontro dos interesses de Cintra Neto. Como contrapartida, em 2006, a BM&amp;F repassou 350 mil reais para a campanha presidencial do PT e 50 mil para a campanha do pr\u00f3prio Palocci \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p><strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas<\/strong><\/p>\n<p>Palocci aborda aqui sua atua\u00e7\u00e3o no programa de submarinos nucleares, o Prosub, e na compra de ca\u00e7as e helic\u00f3pteros. No caso dos submarinos, Palocci conta que foi procurado por Marcelo Odebrecht, que reclamava dos pedidos de propina de Guido Mantega e de Jo\u00e3o Vaccari. Diz ainda que Odebrecht lhe contou ter destinado 50 milh\u00f5es de reais \u00e0 \u201cparte francesa\u201d envolvida no neg\u00f3cio, que seria representada pelo operador Jos\u00e9 Amaro Pinto Ramos. No caso dos ca\u00e7as, Palocci afirma que participou de reuni\u00f5es sobre o tema, mas que ficou de fora das tratativas ap\u00f3s deixar o governo.<\/p>\n<p><strong>Angola<\/strong><\/p>\n<p>Palocci conta ter sido procurado por Marcelo Odebrecht em busca de ajuda em temas relacionados ao BNDES e ao aumento nas linhas de financiamento a obras em Angola. O herdeiro da empreiteira baiana teria dito que a \u201cboa vontade\u201d de Palocci poderia render um \u201csignificativo valor adicional\u201d para o PT. Palocci teria dito que n\u00e3o poderia ajudar, mas soube que Odebrecht estava tratando do tema com o ex-ministro Paulo Bernardo. A atua\u00e7\u00e3o nesse caso, segundo Palocci diz ter ouvido de Marcelo, teria resultado no comprometimento da empresa em repassar 64 milh\u00f5es de reais de propina.<\/p>\n<p><strong>Assessores e funcion\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>O ex-ministro aborda neste t\u00f3pico a atua\u00e7\u00e3o de tr\u00eas ex-funcion\u00e1rios dele nos esquemas il\u00edcitos: Branislav Kontic, Juscelino Dourado e Rog\u00e9rio Buratti. Al\u00e9m disso, cita trabalhos prestados a ele por dois motoristas, Carlos Possente e Claudio Gouveia. Possente, por exemplo, teria feito entregas para Lula e retiradas de valores no banco Safra. Gouveia, por sua vez, teria levado Dilma para se encontrar com o banqueiro Andr\u00e9 Esteves e feito entrega para Lula.<\/p>\n<p><strong>Belo Monte<\/strong><\/p>\n<p>Palocci narra neste anexo que foi procurado, em 2010, pelo ent\u00e3o presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Ot\u00e1vio Azevedo, para que ajudasse na licita\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte. Palocci teria dito que n\u00e3o poderia porque era uma \u00e1rea de influ\u00eancia de Dilma Rousseff. Azevedo conta que havia negociado uma propina de 1% do valor da obra a ser dividido entre o PT e o PMDB.<\/p>\n<p><strong>Prefeitura de Ribeir\u00e3o Preto e Banco Santander<\/strong><\/p>\n<p>Quando era prefeito de Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo, Palocci diz que tratou com um ent\u00e3o dirigente do Santander, que havia adquirido o Banespa, para manter as contas do munic\u00edpio no banco. No anexo, diz Palocci, um diretor do banco se comprometeu a doar para o PT na campanha de 2002, quando Lula foi eleito presidente. A doa\u00e7\u00e3o foi de 2 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p><strong>Qualicorp<\/strong><\/p>\n<p>Palocci fala sobre a rela\u00e7\u00e3o com a empresa Qualicorp, de Jos\u00e9 Siripieri J\u00fanior. Segundo o ex-ministro, a empresa bancou o pagamento do advogado para defender Rosemary Noronha, ex-funcion\u00e1rio do governo federal ligada a Lula que foi alvo da opera\u00e7\u00e3o Porto Seguro, da PF. Al\u00e9m disso, Palocci contou que a empresa emprestava avi\u00e3o e helic\u00f3ptero sempre que Lula precisava.<\/p>\n<p><strong>Unibanco e Multiplic<\/strong><\/p>\n<p>Nesse t\u00f3pico, o ex-ministro cita sua atua\u00e7\u00e3o em favor do Unibanco, da fam\u00edlia Moreira Salles, no que chamou de \u201cbatalha de grande porte\u201d dos bancos para evitar perdas com a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a impetradas por cidad\u00e3os que se sentiram lesados com os planos econ\u00f4micos brasileiros \u2014 entre eles, o Real. Quando esses casos come\u00e7avam a chegar nas cortes superiores de Bras\u00edlia, o banqueiro Pedro Moreira Salles, da fam\u00edlia acionista do Unibanco, segundo Palocci, o procurou para tratar de uma a\u00e7\u00e3o de cerca de 400 milh\u00f5es reais. O caso estava relacionado com a\u00e7\u00e3o que o banco Multiplic entrou contra o Unibanco. Segundo o relato do ex-ministro, o banqueiro pedia a interven\u00e7\u00e3o dele junto ao ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva porque o caso se transformaria numa contesta\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio plano Real. Palocci diz ter conversado com Lula, que indicou o ent\u00e3o secret\u00e1rio para assuntos Jur\u00eddicos da Casa Civil, o atual presidente do STF, Dias Toffoli, para atuar em favor dos interesses do Unibanco.<\/p>\n<p><strong>Touchdown<\/strong><\/p>\n<p>Palocci relata sua atua\u00e7\u00e3o para que empresas pr\u00f3ximas do governo do PT realizassem doa\u00e7\u00f5es e financiamentos para a Touchdown, empresa de um dos filhos do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O ex-ministro cita os casos da Ambev, Amil, Caoa e Mitsubishi. Os repasses, disse Palocci, eram definidos em reuni\u00f5es com o ex-presidente no Instituto Lula.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cruso\u00e9 obteve a \u00edntegra dos cap\u00edtulos da dela\u00e7\u00e3o premiada do ex-ministro de Lula e Dilma. 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