{"id":63409,"date":"2023-03-04T13:42:27","date_gmt":"2023-03-04T13:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogmed.antonini.com.br\/?p=63409"},"modified":"2023-03-04T13:42:27","modified_gmt":"2023-03-04T13:42:27","slug":"curitiba-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=63409","title":{"rendered":"Curitiba&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O resto do Brasil n\u00e3o nos compreende!<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto de Eduardo Affonso:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Alguns anos vivi em Curitiba. Principalmente n\u00e3o fui l\u00e1 muito feliz em Curitiba. Mas n\u00e3o guardo m\u00e1goas. Imagina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curitiba \u00e9 uma esp\u00e9cie de Montevid\u00e9u ou Buenos Aires &#8211; uma cidade limpa, bonita, onde d\u00e1 pra usar luva e cachecol, com uma l\u00edngua e uma cultura relativamente parecidas com a nossa, s\u00f3 que mais perto do Brasil. E com a vantagem adicional de n\u00e3o ter que passar pela Imigra\u00e7\u00e3o nem precisar de passaporte ou fazer c\u00e2mbio (nossa moeda \u00e9 aceita l\u00e1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo \u00e9 mais claro que o brasileiro, talvez fruto das ondas de imigra\u00e7\u00e3o polonesa, russa, alem\u00e3, ucraniana. Ou talvez porque l\u00e1 n\u00e3o bata sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morei em Curitiba por 8 anos e retornei ao Brasil h\u00e1 quase 20, mas ainda me lembro do impacto de todas as mulheres serem louras e usarem topete (para dar mais \u00eanfase \u00e0 lourice). Que a maioria se vestia de preto e usava joias ou bijuterias douradas (o preto era para dar mais \u00eanfase ao dourado das joias e do cabelo). J\u00e1 me disseram que essa moda passou, mas s\u00f3 acredito vendo. Curitiba, para mim, \u00e9 e sempre ser\u00e1 uma imensid\u00e3o de topetes louros e de vestidos pretos adornados de j\u00f3ias douradas. E, claro, filas nas farm\u00e1cias para comprar tintura amarela (h\u00e1, claro, louras verdadeiras, mas para distinguir quais s\u00e3o quais, s\u00f3 chegando \u00e0s vias de fato, o que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto no Brasil &#8211; mas isso fica para outra postagem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um brasileiro que chegue por l\u00e1 h\u00e1 de estranhar a comida: pinh\u00e3o, pirogue, eisbein, bratwurst (esses dois, no Swarzwald) e sopa. L\u00e1, sopa \u00e9 considerada comida. Tem at\u00e9 rod\u00edzio de sopa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pinh\u00e3o tem gosto de h\u00f3stia, s\u00f3 que mais sem gra\u00e7a, e a gente come para n\u00e3o fazer desfeita &#8211; meio assim como gringo prova farofa quando vem ao Rio. Pirogue tem gosto de pinh\u00e3o, s\u00f3 que com recheio. O recheio costuma ter gosto de h\u00f3stia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos pontos altos da alta gastronomia curitibana \u00e9 o almo\u00e7o de domingo em Santa Felicidade. Quem provou sabe do que estou falando; quem n\u00e3o passou por essa prova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem como fazer ideia. Os outros hits culin\u00e1rios s\u00e3o o cachorro quente com duas vinas e o cuque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuque tem cara de bolo, \u00e9 feito com receita de bolo e tem gosto de bolo. Mas n\u00e3o \u00e9 bolo: \u00e9 cuque. Tem o cuque simples (com gosto de bolo simples) e o cuque de banana (com gosto de bolo de banana). Se no Brasil \u00e9 inescap\u00e1vel ouvir &#8220;\u00e9 pav\u00ea ou p\u00e1 com\u00ea?&#8221; a cada vez que servem pav\u00ea, em Curitiba cada vez que tem cuque de banana algu\u00e9m comentar\u00e1 que &#8220;banana no cuque \u00e9 bom&#8221;. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o local. Ria, se n\u00e3o quiser passar por um gringo sem senso de humor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Adriana Zadrozny partilhou ontem esse delicioso gloss\u00e1rio do curitiban\u00eas e deu vontade de acrescentar algumas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Curitiba as cal\u00e7adas s\u00e3o de lousinha. Lousinha \u00e9 uma esp\u00e9cie de azulejo de pedra (granito, basalto, sei l\u00e1). Como se fosse pedra portuguesa, s\u00f3 que grandona, tipo um palmo por um palmo. Elas apenas fingem estar cimentadas no ch\u00e3o, mas s\u00e3o, na realidade, armadilhas. Voc\u00ea pisa numa ponta, a outra ponta levanta e espirra \u00e1gua pra todo lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, porque em Curitiba chove. N\u00e3o digo que chova diariamente, porque seria injusto. Chove v\u00e1rias vezes ao dia. Se voc\u00ea sente que n\u00e3o d\u00e1 uma dentro na vida, v\u00e1 ser meteorologista em Curitiba: \u00e9 s\u00f3 prever chuva e suas chances de acertar s\u00e3o de 114%. E quando chove infiltra \u00e1gua sob as lousinhas. E a \u00e1gua fica ali, empo\u00e7ada, o ano inteiro, de tocaia, s\u00f3 esperando voc\u00ea pisar. Indo a Curitiba, finja que tem TOC e s\u00f3 pise bem no meio das lousinhas &#8211; assim espirra \u00e1gua do mesmo jeito, s\u00f3 que nos outros, n\u00e3o em voc\u00ea mesmo\/a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe tamb\u00e9m o cal\u00e7amento de pedra portuguesa, que eles chamam de petipav\u00ea. O carpete eles chamam de carp\u00ea. O papel manteiga, de sulfuriz\u00ea. Sim, curitibano que se preza estudou n\u00e3o s\u00f3 no Goethe, mas tamb\u00e9m na Alian\u00e7a Francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas principais ruas do centro s\u00e3o a Marechal e a Marechal. Mas n\u00e3o tem como confundir. A Marechal \u00e9 a que vem de l\u00e1 pra c\u00e1 e acaba na Pra\u00e7a Tiradentes. J\u00e1 a Marechal \u00e9 transversal a ela. \u00c9 pelo contexto que voc\u00ea deduz a qual Marechal a pessoa se refere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo mundo de uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s sabe o que estava fazendo quando o Kennedy morreu. Todo mundo da nossa gera\u00e7\u00e3o lembra o que estava fazendo quando ca\u00edram as torres g\u00eameas. Em Curitiba, o evento hist\u00f3rico indel\u00e9vel na mem\u00f3ria das gentes \u00e9 a neve de 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 propriamente um Museu da Neve de 75, ou um &#8217;75 Snow Memorial, mas toda banca de revistas (que l\u00e1 se chama revistaria) tem uma pilha de cart\u00f5es postais mostrando a Pra\u00e7a Tiradentes coberta de flocos brancos. Deviam estar na lista do Guinness como os cart\u00f5es postais mais reimpressos do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A neve de 1975 foi para Curitiba o que o encontro com Janis Joplin foi para Serguei: aquele momento fugidio que justifica uma vida. Todo curitibano ter\u00e1 algo \u00e9pico para contar daquele evento memor\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomada de Constantinopla? bah!<br \/>\nQueda da Bastilha? buh!<br \/>\nInvas\u00e3o da Normandia? bleah!<br \/>\nNeve de 1975? Ahhh!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daqui a 10 mil anos, durante a pr\u00f3xima Era do Gelo, ainda haver\u00e1 revistarias vendendo cart\u00f5es postais com as arauc\u00e1rias nevadas da Pra\u00e7a Tiradentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim (e para n\u00e3o atrasar ainda mais a leitura do sensacional gloss\u00e1rio elaborado pelo Solan Valente), h\u00e1 os curitibanos e os curitibocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os curitibanos s\u00e3o os nascidos em Curitiba. Os curitibocas s\u00e3o os pi\u00e1 e as guria que acham que ganharam a megassena acumulada por tomar gasosa, fingir n\u00e3o reparar no Oil Man ou no INRI Cristo, aplaudir de p\u00e9 tudo quanto \u00e9 pe\u00e7a de teatro, ir de salto alto e enganchar o p\u00e9 na \u00d3pera de Arame, chupar mimosa, abrir o porta-malas do carro e botar o som no volume m\u00e1ximo no Barigui e fugir do contato visual como todo curitibano que se preza foge de Curitiba no Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Esse texto cheio de maledic\u00eancias \u00e9 uma singela homenagem \u00e0 Adriana, \u00e0 Denise, \u00e0 Amarilis, \u00e0 Sandra, \u00e0 Claudine, \u00e0 Luciana, \u00e0 Antonia, \u00e0 Rosana e ao Luiz, ao Leopoldo, ao Jo\u00e3o Augusto, ao Guimar\u00e3es, \u00e0 Yara, ao Damasceno, \u00e0 Claudia, \u00e0 Mauriane, ao Paulo, \u00e0 Cleima, \u00e0 Aline, ao Andr\u00e9 e a todos os curitibanos &#8211; e curitibocas &#8211; que porventura tenha esquecido de mencionar, assim, no improviso).<br \/>\nAdriana Zadrozny&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*MANUAL DE G\u00cdRIA CURITIBANA*<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*TIRE AQUI SUAS D\u00daVIDAS *<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADEVOGADO: pessoa formada em direito e aprovada no exame da ordem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALIMENTADOR: \u00f4nibus laranja que faz terminal-bairro, demora em m\u00e9dia 78 minutos pra vir e anda no tempo dele<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">APURE: apresse, como no exemplo \u201co uber chegou, apure pi\u00e1\u201d (ver \u201cpi\u00e1\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARANHA MARROM: como chamamos qualquer esp\u00e9cie de aracn\u00eddeo. O veneno \u00e9 capaz de derrubar 10 capivaras adultas segundo a minha v\u00f3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARREGADO: pessoa sortuda ou por\u00e7\u00e3o generosa, \u201colhe que cachorro quente arregado com 3 vinas\u201d (ver \u201cvina\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ATLETIBA: cl\u00e1ssico do futebol que antecede uma semana de depress\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BANANA CATURRA: aquela mais barata cheia de pinta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARIGUI: maior concentra\u00e7\u00e3o de gente bonita e de capivaras do sul do mundo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">B\u00c9RA: \u00e9 cerveja, pi\u00e1 tongo (ver \u201cpi\u00e1\u201d e \u201ctongo\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BERMA: bermuda, artefato usado s\u00f3 no ver\u00e3o e olhe l\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BISCATE: mulher pegadora, aeroporto de pomba-gira, exemplo: \u201cdeu em cima do meu namorado aquela biscatinha\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOCA MALDITA: fica ali na pra\u00e7a Os\u00f3rio; reza a lenda que foi um ponto de encontro de aposentados fofoqueiros sem nada melhor pra fazer<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOC\u00d3: pessoa boba ou inconveniente mas sem maldade, s\u00f3 boc\u00f3 mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOLACHA: aqui a gente come bolacha, biscoito \u00e9 de S\u00e3o Paulo pra cima<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORBOLETA 13: figura mitol\u00f3gica, mulher de voz inconfund\u00edvel que vende sempre o \u00faltimo bilhete, mesmo no in\u00edcio do expediente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CANALETA: pista que deveria ser exclusiva pra \u00f4nibus mas onde circulam ciclistas, skatistas e turistas perdidos que n\u00e3o t\u00eam a puta ideia de como foram parar ali<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CANCHA: quadra poliesportiva onde a piazada se quebra (ver \u201cpi\u00e1\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAPAZ: o mesmo que \u201cs\u00e9rio?\u201d mas com entona\u00e7\u00e3o que escrevendo n\u00e3o sei como explicar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARRO DO SONHO: desde a funda\u00e7\u00e3o da cidade repete o mantra \u201colha a\u00ed freguesia \u00e9 o carro do sonho que est\u00e1 passando \u00e9 o sonho bem fresquinho sonhos de nata creme chocolate doce de leite e goiaba o sonho freguesia\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CETRA: o mesmo que estilingue, serve pra tacar mamoma na piazada da rua de cima. Pi\u00e1 de pr\u00e9dio n\u00e3o sabe do que se trata (ver \u201cpi\u00e1 de pr\u00e9dio\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHAMPAGNAT: bairro fict\u00edcio porque Bigorrilho ningu\u00e9m merece<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHINCHA: conversa s\u00e9ria, como no exemplo \u201cchamou o boc\u00f3 na chincha\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHINEQUE: p\u00e3o doce com farofinha crocante por cima, nas varia\u00e7\u00f5es farofa, creme, banana e goiaba<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHUNCHO: gambiarra ou improvisa\u00e7\u00e3o feita igual o seu nariz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CIDADE: \u00e9 como chamamos o centro da cidade, um lugar onde devemos ir arrumados segundo a minha v\u00f3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONVENCIONAL: \u00f4nibus amarelo que faz centro-bairro. No centro entre pela porta da frente e respeite a fila caso tenha amor \u00e0 vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COXA BRANCA: torcedor do Coritiba, piazada que anda meio jururu ultimamente (ver \u201cjururu\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COZIDO: b\u00eabado, como no exemplo \u201cguria do c\u00e9u, tomei um tub\u00e3o no terminal ontem e fiquei muito cozida\u201d (ver \u201ctub\u00e3o\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CRENDIOSPAI: express\u00e3o de espanto tipo \u201cCreeedo\u201d, exemplo: &#8220;crendiospai 15 pila o quilo do pinh\u00e3o&#8221; (ver &#8220;pinh\u00e3o&#8221; e &#8220;pila&#8221;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CUQUE: bolo seco e fofinho com uma farofinha crocante sensacional por cima, tem gostinho de inf\u00e2ncia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CURITIBOCA: reclam\u00e3o para o qual nada nunca t\u00e1 bom<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DA HORA: legal ou interessante, \u201cque da hora essa tua bota, guria!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DA\u00cd: palavra coringa que pode ser colocada ao final de toda frase, independente do assunto da\u00ed<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE CARA: abismado ou muito puto, \u201cfiquei de cara com aquela biscate, guria\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE VARDE: \u00e0 toa, sem nada pra fazer<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DECERTO: talvez, exemplo \u201ctava sozinha no bail\u00e3o, decerto largou aquele jaguara\u201d (ver \u201cjaguara\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DESCER: ato de ir ao litoral, como no exemplo \u201cdesce quando, pi\u00e1?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DJANHO: do diabo, chato, insuport\u00e1vel; pode ser um pi\u00e1 do djanho, um frio do djanho ou um cruzamento do djanho, por exemplo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DOLANGUE: mentira, fake new curitibana, o mesmo que migu\u00e9. (ver \u201cmigu\u00e9\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ECOVILLE: outro bairro que inventaram porque Mossungu\u00ea n\u00e3o vende apartamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESTA\u00c7\u00c3O TUBO: ponto de \u00f4nibus em forma de tubo de vidro onde param ligeirinhos e biarticulados; s\u00f3 Deus sabe a quantidade de gente que cabe ali<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EXPRESSO\/BIARTICULADO: \u00f4nibus vermelho imenso com 1 ou 2 articula\u00e7\u00f5es que roda em canaleta exclusiva; quando faz curva r\u00e1pida tem um efeito chicote l\u00e1 no fund\u00e3o que faz vc se sentir um pe\u00e3o de rodeio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FARN\u00c9U: marmita ou aquela por\u00e7\u00e3o que a gente leva numa tapau\u00e9r depois da festa (ai que horror)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FEIRA HIPPIE: feira de artesanato domingo de manh\u00e3 no Largo da Ordem, provavelmente a maior concentra\u00e7\u00e3o de curitibanos por m2 que vc ver\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FIAMBRE: apresuntado com especiarias meio suspeitas. Fiambreria \u00e9 onde vendem frios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FILHO DE CHOCADEIRA: crian\u00e7a com pais ausentes; os jaguaras sempre nos trinques e o pi\u00e1 todo remelento (ver \u201cjaguara\u201d e \u201cpi\u00e1\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRIACA: frio lazarento (ver \u201clazarento\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GASOSA: qualquer refrigerante de sabor ex\u00f3tico, tipo framboesa ou sabe Deus mais o qu\u00ea<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRALHA AZUL: ave metaf\u00edsica s\u00edmbolo da regi\u00e3o que ningu\u00e9m nunca viu mas sabe que existe em algum lugar do Olimpo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GURIA: mulher jovem (ou n\u00e3o). Normalmente vem com um adjetivo (guria do c\u00e9u!) ou verbo no modo imperativo (apure, guria!)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IMPOSS\u00cdVEL: arteiro, bagunceiro, \u201cmas este pi\u00e1 t\u00e1 imposs\u00edvel hoje, crendiospai\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INTERBAIRROS: \u00f4nibus verde que circula s\u00f3 nos bairros; o mais famoso \u00e9 o Interbairros II, que tem sentido hor\u00e1rio e anti-hor\u00e1rio. Dica de sobreviv\u00eancia: preste aten\u00e7\u00e3o e pegue o verd\u00e3o do lado certo sen\u00e3o vai conhecer a cidade inteira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INTER 2: vers\u00e3o Ligeirinho do Interbairros II, diariamente desafia a lei da f\u00edsica que diz que 2 corpos n\u00e3o ocupam o mesmo lugar no espa\u00e7o \u2013 ocupam sim, t\u00e1 bom?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JACU: pessoa caipira ou muito t\u00edmida. \u201cJacu do mato\u201d \u00e9 o jacu com dose extra de jacuzisse<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JAGUARA: sem vergonha, cafajeste ou pregui\u00e7oso; pode se referir a pessoas ou animais, \u201cmas olhe que gato jaguara, dorme o dia inteiro\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JAPONA: jaqueta grande com z\u00edper sem a qual n\u00e3o haveria vida nesta cidade. A t\u00edpica m\u00e3e curitibana n\u00e3o deixa o pi\u00e1 sair de casa sem ela<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JURURU: ou borocox\u00f4, pessoa amuada, cabisbaixa ou quieta num canto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAGARTEAR: tomar sol, costume que garante a preserva\u00e7\u00e3o da vida neste lugar durante o inverno<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LARGAR OS BETS: quando a gente desiste de algo &#8211; de uma guria, da dieta ou simplesmente de esperar o maldito alimentador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAZARENTO: forma gen\u00e9rica e at\u00e9 carinhosa de xingar, que vale pra amigos, inimigos, animais e fen\u00f4menos quaisquer. \u201cque tr\u00e2nsito lazarento\u201d; \u201cgato lazarento, pegou meu bife\u201d; \u201colhe que lazarento, fez churrasco e n\u00e3o convidou\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEITE QUENTE: frase emblem\u00e1tica que identifica o sotaque curitibano por meio da pron\u00fancia impec\u00e1vel da vogal E (nossa, emocionado aqui)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIGEIRINHO: \u00f4nibus cinza que s\u00f3 para em esta\u00e7\u00e3o tubo. O povo entra e sai pela mesma porta, ent\u00e3o cada tubo \u00e9 um duelo entre uma manada de b\u00fafalos e uma de rinocerontes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LINHA VERDE: \u00e9 o trecho da BR116 que corta a cidade, foi toda repaginada, t\u00e1 top, mas \u00e9 melhor evitar (fica a dica)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOQUE: pessoa doida, inconveniente ou pentelha. A forma correta de xingamento \u00e9 \u201cseu loque!\u201d. \u201cTirar pra loque\u201d significa fazer de besta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MALACO: pi\u00e1 meio loque com a barba cheia de cotoco e vestido igual um indigente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MIGU\u00c9: mentira ou engana\u00e7\u00e3o. Miguezeiro \u00e9 o praticante de migu\u00e9s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MIMOSA: nome gen\u00e9rico pra mexirica, bergamota, ponc\u00e3 e tangerina \u2013 aqui \u00e9 tudo mimosa da\u00ed<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NO GALETO: fazer algo rapidamente, exemplo: \u201cguria do c\u00e9u, o expresso desceu no galeto e quase que pega o pi\u00e1\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OILMAN: figura mitol\u00f3gica, homem que desfila de sunguinha, besuntado e empurrando uma bicicleta. Aja com naturalidade e n\u00e3o fique olhando igual um jacu do mato<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORDENADO: sal\u00e1rio, exemplos: \u201cgasta o ordenado todo com cacha\u00e7a o lazarento\u201d; \u201cn\u00e3o \u00e9 assim um ordenad\u00e3o mas t\u00e1 bom\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PALHA: coisa desinteressante ou chata, \u201caquela s\u00e9rie nova da Netflix \u00e9 palha, pi\u00e1\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00c3O D&#8217;\u00c1GUA: tipo p\u00e3o franc\u00eas mas em formato de bundinha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PESCO\u00c7O: pessoa enxerida. A forma mais comum de xingar \u00e9 \u201c\u00ea pesco\u00e7\u00e3o!\u201d. Pescocear \u00e9 dar uma volta para obter informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POLACO: pessoa de cabelo claro ou branquela, normalmente antecede os adjetivos \u201cdo djanho\u201d ou \u201cjaguara\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PENAL: estojo de l\u00e1pis e caneta de uso escolar, mas que costuma abrigar bolacha mole, chiclete usado e brilho labial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PI\u00c1: como chamamos indiv\u00edduos do sexo masculino, sem limite de idade. Admite as varia\u00e7\u00f5es piazinho, piaz\u00e3o e piazada, que \u00e9 o plural<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PI\u00c1 DE PR\u00c9DIO: pessoa mimada que n\u00e3o come cora\u00e7\u00e3ozinho de frango e n\u00e3o sabe soltar raia (ver \u201craia\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PILA: unidade monet\u00e1ria, exemplo: \u201cquanto t\u00e1 o chineque de banana pi\u00e1? T\u00e1 2 pila cada\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PINH\u00c3O: semente da arauc\u00e1ria que vc vai comer de maio a agosto mesmo sem gostar e cuja colheita fora de \u00e9poca pode lhe render uma condena\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua inafian\u00e7\u00e1vel<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POSAR: escrita correta do verbo pousar, \u00e9 dormir na casa de algu\u00e9m<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAIA: pipa. Pi\u00e1 de pr\u00e9dio nunca soltou uma e jamais saber\u00e1 o desespero quando a diaba desprende e voa para o infinito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAPOSINHA: marsupial primo do gamb\u00e1 que a gente chama de raposa porque ningu\u00e9m nunca descobriu o nome desse bicho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REFRESCADA: dizemos \u201cdeu uma refrescada\u201d quando a temperatura est\u00e1 perto de zero grau<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROLLMOPS: peixe enrolado no picles e preso com palito, chega a dar medo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUA DAS FLORES: \u00e9 a rua XV de Novembro, corta o centro, \u00e9 minha e mandei ladrilhar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SERRA\u00c7\u00c3O: neblina. Aqui temos o ditado \u201cneblina que baixa, sol que racha\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SINALEIRO: sinal ou sem\u00e1foro, onde verde \u00e9 \u201cvenha\u201d, amarelo \u00e9 \u201capure\u201d e vermelho \u00e9 \u201cser\u00e1 que d\u00e1 tempo?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SUBIR: retornar do litoral, exemplo: \u201caproveite e suba com o tio, pi\u00e1\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TERMINAL: onde fazemos conex\u00e3o sem pagar outra passagem. \u00c9 uma terra sem lei onde s\u00f3 os mais fortes acham lugar pra sentar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TES\u00c3O PI\u00c1: \u201cque legal\u201d, \u00e9 tipo um mantra na terra das arauc\u00e1rias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TIGRADA: piazada arruaceira, melhor passar de largo e n\u00e3o fazer contato visual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TONGO: lerdo, burro ou ing\u00eanuo. Tongo v\u00e9io \u00e9 o tongo reincidente na tonguice<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TOR\u00d3: temporal, comum o ano inteiro, surge do nada e sempre quando vc esqueceu a sombrinha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRINCHEIRA: t\u00fanel, promessa t\u00edpica de pol\u00edticos dolangueiros (ver \u201cdolangue\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TUB\u00c3O: refrigerante com bebida alco\u00f3lica barata, drink t\u00edpico servido numa garrafa pet, uma vis\u00e3o do inferno<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIA R\u00c1PIDA: avenida com no m\u00ednimo 3 pistas, cuja regra \u00e9 o inverso de uma autoestrada: ve\u00edculos r\u00e1pidos \u00e0 direita, lerdos no meio e workshop de baliza \u00e0 esquerda<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VINA: n\u00e3o \u00e9 o mesmo que salsicha, j\u00e1 que salsicha n\u00e3o existe. Cachorro quente bom leva sempre duas vinas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VOLTE-MEIA: com certa frequ\u00eancia, exemplo: \u201cvolte-meia essa biscatinha aparece aqui\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">XAROPE: chato ou entediante, \u201cguria do c\u00e9u, este texto xarope n\u00e3o termina nunca\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prova final sem consulta &#8211; decifre a vida frase: \u201cApure pi\u00e1 tongo que aquele alimentador do djanho t\u00e1 vindo no galeto da\u00ed\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Solan Valente<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O resto do Brasil n\u00e3o nos compreende!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[126],"tags":[],"class_list":["post-63409","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/63409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=63409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/63409\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=63409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=63409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=63409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}