{"id":73068,"date":"2025-02-05T13:09:06","date_gmt":"2025-02-05T13:09:06","guid":{"rendered":"https:\/\/antonini.psc.br\/blogmed\/?p=73068"},"modified":"2025-02-05T13:09:06","modified_gmt":"2025-02-05T13:09:06","slug":"cids-das-neuroses-no-datasus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=73068","title":{"rendered":"CIDs das neuroses no DATASUS"},"content":{"rendered":"<p>F40-F48 Transtornos neur\u00f3ticos, transtornos relacionados com o \u201cstress\u201d e transtornos somatoformes<br \/>\nExclui:<\/p>\n<p>quando associado aos transtornos de conduta classificados em F91.- (F92.8)<\/p>\n<p>F40 Transtornos f\u00f3bico-ansiosos<\/p>\n<p>Grupo de transtornos nos quais uma ansiedade \u00e9 desencadeada exclusiva ou essencialmente por situa\u00e7\u00f5es nitidamente determinadas que n\u00e3o apresentam atualmente nenhum perigo real. Estas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por esse motivo, evitadas ou suportadas com temor. As preocupa\u00e7\u00f5es do sujeito podem estar centradas sobre sintomas individuais tais como palpita\u00e7\u00f5es ou uma impress\u00e3o de desmaio, e freq\u00fcentemente se associam com medo de morrer, perda do autocontrole ou de ficar louco. A simples evoca\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o f\u00f3bica desencadeia em geral ansiedade antecipat\u00f3ria. A ansiedade f\u00f3bica freq\u00fcentemente se associa a uma depress\u00e3o. Para determinar se conv\u00e9m fazer dois diagn\u00f3sticos (ansiedade f\u00f3bica e epis\u00f3dio depressivo) ou um s\u00f3 (ansiedade f\u00f3bica ou epis\u00f3dio depressivo), \u00e9 preciso levar em conta a ordem de ocorr\u00eancia dos transtornos e as medidas terap\u00eauticas que s\u00e3o consideradas no momento do exame.<\/p>\n<p>F40.0 Agorafobia<\/p>\n<p>Grupo relativamente bem definido de fobias relativas ao medo de deixar seu domic\u00edlio, medo de lojas, de multid\u00f5es e de locais p\u00fablicos, ou medo de viajar sozinho em trem, \u00f4nibus ou avi\u00e3o. A presen\u00e7a de um transtorno de p\u00e2nico \u00e9 freq\u00fcente no curso dos epis\u00f3dios atuais ou anteriores de agorafobia. Entre as caracter\u00edsticas associadas, acham-se freq\u00fcentemente sintomas depressivos ou obsessivos, assim como fobias sociais. As condutas de evita\u00e7\u00e3o comumente s\u00e3o proeminentes na sintomatologia e certos agoraf\u00f3bicos manifestam pouca ansiedade dado que chegam a evitar as situa\u00e7\u00f5es geradoras de fobia.<\/p>\n<p>Agorafobia sem antecedentes de transtorno de p\u00e2nico<\/p>\n<p>Transtorno de p\u00e2nico com agorafobia<\/p>\n<p>F40.1 Fobias sociais<\/p>\n<p>Medo de ser exposto \u00e0 observa\u00e7\u00e3o atenta de outrem e que leva a evitar situa\u00e7\u00f5es sociais. As fobias sociais graves se acompanham habitualmente de uma perda da auto-estima e de um medo de ser criticado. As fobias sociais podem se manifestar por rubor, tremor das m\u00e3os, n\u00e1useas ou desejo urgente de urinar, sendo que o paciente por vezes est\u00e1 convencido que uma ou outra destas manifesta\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias constitui seu problema prim\u00e1rio. Os sintomas podem evoluir para um ataque de p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Antropofobia<\/p>\n<p>Neurose social<\/p>\n<p>F40.2 Fobias espec\u00edficas (isoladas)<\/p>\n<p>Fobias limitadas a situa\u00e7\u00e3o altamente espec\u00edficas tais como a proximidade de determinados animais, locais elevados, trov\u00f5es, escurid\u00e3o, viagens de avi\u00e3o, espa\u00e7os fechados, utiliza\u00e7\u00e3o de banheiros p\u00fablicos, ingest\u00e3o de determinados alimentos, cuidados odontol\u00f3gicos, ver sangue ou ferimentos. Ainda que a situa\u00e7\u00e3o desencadeante seja inofensiva, o contato com ela pode desencadear um estado de p\u00e2nico como na agorafobia ou fobia social.<\/p>\n<p>Acrofobia<\/p>\n<p>Claustrofobia<\/p>\n<p>Fobia(s) (de):<\/p>\n<p>\u00b7 animais<\/p>\n<p>\u00b7 simples<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>dismorfofobia (n\u00e3o-delirante) (F45.2)<\/p>\n<p>nosofobia (F45.2)<\/p>\n<p>F40.8 Outros transtornos f\u00f3bico-ansiosos<\/p>\n<p>F40.9 Transtorno f\u00f3bico-ansioso n\u00e3o especificado<\/p>\n<p>Estado f\u00f3bico SOE<\/p>\n<p>Fobia SOE<\/p>\n<p>F41 Outros transtornos ansiosos<\/p>\n<p>Transtornos caracterizados essencialmente pela presen\u00e7a da manifesta\u00e7\u00f5es ansiosas que n\u00e3o s\u00e3o desencadeadas exclusivamente pela exposi\u00e7\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o determinada. Podem se acompanhar de sintomas depressivos ou obsessivos, assim como de certas manifesta\u00e7\u00f5es que traduzem uma ansiedade f\u00f3bica, desde que estas manifesta\u00e7\u00f5es sejam, contudo, claramente secund\u00e1rias ou pouco graves.<\/p>\n<p>F41.0 Transtorno de p\u00e2nico [ansiedade parox\u00edstica epis\u00f3dica]<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica essencial deste transtorno s\u00e3o os ataques recorrentes de uma ansiedade grave (ataques de p\u00e2nico), que n\u00e3o ocorrem exclusivamente numa situa\u00e7\u00e3o ou em circunst\u00e2ncias determinadas mas de fato s\u00e3o imprevis\u00edveis. Como em outros transtornos ansiosos, os sintomas essenciais comportam a ocorr\u00eancia brutal de palpita\u00e7\u00e3o e dores tor\u00e1cicas, sensa\u00e7\u00f5es de asfixia, tonturas e sentimentos de irrealidade (despersonaliza\u00e7\u00e3o ou desrrealiza\u00e7\u00e3o). Existe, al\u00e9m disso, freq\u00fcentemente um medo secund\u00e1rio de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco. N\u00e3o se deve fazer um diagn\u00f3stico principal de transtorno de p\u00e2nico quando o sujeito apresenta um transtorno depressivo no momento da ocorr\u00eancia de um ataque de p\u00e2nico, uma vez que os ataques de p\u00e2nico s\u00e3o provavelmente secund\u00e1rios \u00e0 depress\u00e3o neste caso.<\/p>\n<p>Ataque<\/p>\n<p>\u00fc<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estado<\/p>\n<p>\u00fd<\/p>\n<p>de p\u00e2nico<\/p>\n<p>S\u00edndrome<\/p>\n<p>\u00fe<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>transtorno de p\u00e2nico com agorafobia (F40.0)<\/p>\n<p>F41.1 Ansiedade generalizada<\/p>\n<p>Ansiedade generalizada e persistente que n\u00e3o ocorre exclusivamente nem mesmo de modo preferencial numa situa\u00e7\u00e3o determinada (a ansiedade \u00e9 \u201cflutuante\u201d). Os sintomas essenciais s\u00e3o vari\u00e1veis, mas compreendem nervosismo persistente, tremores, tens\u00e3o muscular, transpira\u00e7\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o de vazio na cabe\u00e7a, palpita\u00e7\u00f5es, tonturas e desconforto epig\u00e1strico. Medos de que o paciente ou um de seus pr\u00f3ximos ir\u00e1 brevemente ficar doente ou sofrer um acidente s\u00e3o freq\u00fcentemente expressos.<\/p>\n<p>Estado<\/p>\n<p>\u00ee<\/p>\n<p>ansiosa(o)<\/p>\n<p>Neurose<\/p>\n<p>\u00ec<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>neurastenia (F48.0)<\/p>\n<p>F41.2 Transtorno misto ansioso e depressivo<\/p>\n<p>Esta categoria deve ser utilizada quando o sujeito apresenta ao mesmo tempo sintomas ansiosos e sintomas depressivos, sem predomin\u00e2ncia n\u00edtida de uns ou de outros, e sem que a intensidade de uns ou de outros seja suficiente para justificar um diagn\u00f3stico isolado. Quando os sintomas ansiosos e depressivos est\u00e3o presentes simultaneamente com uma intensidade suficiente para justificar diagn\u00f3sticos isolados, os dois diagn\u00f3sticos devem ser anotados e n\u00e3o se faz um diagn\u00f3stico de transtorno misto ansioso e depressivo.<\/p>\n<p>Depress\u00e3o ansiosa (leve ou n\u00e3o-persistente)<\/p>\n<p>F41.3 Outros transtornos ansiosos mistos<\/p>\n<p>Sintomas ansiosos mistos se acompanham de caracter\u00edsticas de outros transtornos citados em F42-F48. Nenhum tipo de sintoma \u00e9 suficientemente grave para justificar diagn\u00f3sticos isolados.<\/p>\n<p>F41.8 Outros transtornos ansiosos especificados<\/p>\n<p>Histeria de ang\u00fastia<\/p>\n<p>F41.9 Transtorno ansioso n\u00e3o especificado<\/p>\n<p>Ansiedade SOE<\/p>\n<p>F42 Transtorno obsessivo-compulsivo<\/p>\n<p>Transtorno caracterizado essencialmente por id\u00e9ias obsessivas ou por comportamentos compulsivos recorrentes. As id\u00e9ias obsessivas s\u00e3o pensamentos, representa\u00e7\u00f5es ou impulsos, que se intrometem na consci\u00eancia do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, freq\u00fcentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus pr\u00f3prios pensamentos, mas estranhos \u00e0 sua vontade e em geral desprazeirosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos s\u00e3o atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito n\u00e3o tira prazer direto algum da realiza\u00e7\u00e3o destes atos os quais, por outro lado, n\u00e3o levam \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de tarefas \u00fateis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improv\u00e1vel, freq\u00fcentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esfor\u00e7os repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir \u00e0 sua atividade compulsiva.<\/p>\n<p>Inclui:<\/p>\n<p>neurose:<\/p>\n<p>\u00b7 ananc\u00e1stica<\/p>\n<p>\u00b7 obsessivo-compulsiva<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>personalidade (transtorno da) obsessivo-compulsiva (F60.5)<\/p>\n<p>F42.0 Transtorno obsessivo-compulsivo com predomin\u00e2ncia de id\u00e9ias ou de rumina\u00e7\u00f5es obsessivas<\/p>\n<p>Pode-se tratar de pensamentos, imagens mentais ou impulsos para agir, quase sempre angustiantes para o sujeito. \u00c0s vezes trata-se de hesita\u00e7\u00f5es intermin\u00e1veis entre v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, que se acompanham freq\u00fcentemente de uma incapacidade de tomar decis\u00f5es banais mas necess\u00e1rias \u00e0 vida cotidiana. Existe uma rela\u00e7\u00e3o particularmente estreita entre as rumina\u00e7\u00f5es obsessivas e a depress\u00e3o, e deve-se somente preferir um diagn\u00f3stico de transtorno obsessivo-compulsivo quando as rumina\u00e7\u00f5es surgem ou persistem na aus\u00eancia de uma s\u00edndrome depressiva.<\/p>\n<p>F42.1 Transtorno obsessivo-compulsivo com predomin\u00e2ncia de comportamentos compulsivos [rituais obsessivos]<\/p>\n<p>A maioria dos atos compulsivos est\u00e1 ligada \u00e0 limpeza (particularmente lavar as m\u00e3os), verifica\u00e7\u00f5es repetidas para evitar a ocorr\u00eancia de uma situa\u00e7\u00e3o que poderia se tornar perigosa, ou um desejo excessivo de ordem. Sob este comportamento manifesto, existe o medo, usualmente de perigo ao ou causado pelo sujeito e a atividade ritual constitui um meio ineficaz ou simb\u00f3lico de evitar este perigo.<\/p>\n<p>F42.2 Transtorno obsessivo-compulsivo, forma mista, com id\u00e9ias obsessivas e comportamentos compulsivos<\/p>\n<p>F42.8 Outros transtornos obsessivo-compulsivos<\/p>\n<p>F42.9 Transtorno obsessivo-compulsivo n\u00e3o especificado<\/p>\n<p>F43 Rea\u00e7\u00f5es ao \u201cstress\u201d grave e transtornos de adapta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Esta categoria difere das outras na medida que sua defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o repousa exclusivamente sobre a sintomatologia e a evolu\u00e7\u00e3o, mas igualmente sobre a exist\u00eancia de um ou outro dos dois fatores causais seguintes: um acontecimento particularmente estressante desencadeia uma rea\u00e7\u00e3o de \u201cstress\u201d aguda, ou uma altera\u00e7\u00e3o particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta conseq\u00fc\u00eancias desagrad\u00e1veis e duradouras e levam a um transtorno de adapta\u00e7\u00e3o. Embora fatores de \u201cstress\u201d psicossociais (\u201clife events\u201d) relativamente pouco graves possam precipitar a ocorr\u00eancia de um grande n\u00famero de transtornos classificados em outra parte neste cap\u00edtulo ou influenciar-lhes o quadro cl\u00ednico, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel atribuir-lhes um papel etiol\u00f3gico, quanto mais que \u00e9 necess\u00e1rio levar em considera\u00e7\u00e3o fatores de vulnerabilidade, freq\u00fcentemente idiossincr\u00e1ticos, pr\u00f3prios de cada indiv\u00edduo; em outros termos, estes fatores n\u00e3o s\u00e3o nem necess\u00e1rios nem suficientes para explicar a ocorr\u00eancia e a natureza do transtorno observado. Em contraste, para os transtornos reunidos aqui sob F43, admite-se que sua ocorr\u00eancia \u00e9 sempre a conseq\u00fc\u00eancia direta de um \u201cstress\u201d agudo importante ou de um traumatismo persistente. O acontecimento estressante ou as circunst\u00e2ncias penosas persistentes constituem o fator causal prim\u00e1rio e essencial, na aus\u00eancia do qual o transtorno n\u00e3o teria ocorrido. Os transtornos reunidos neste cap\u00edtulo podem assim ser considerados como respostas inadaptadas a um \u201cstress\u201d grave ou persistente, na medida em que eles interferem com mecanismos adaptativos eficazes e entravam assim o funcionamento social.<\/p>\n<p>F43.0 Rea\u00e7\u00e3o aguda ao \u201cstress\u201d<\/p>\n<p>Transtorno transit\u00f3rio que ocorre em indiv\u00edduo que n\u00e3o apresenta nenhum outro transtorno mental manifesto, em seguida a um \u201cstress\u201d f\u00edsico e\/ou ps\u00edquico excepcional, e que desaparece habitualmente em algumas horas ou em alguns dias. A ocorr\u00eancia e a gravidade de uma rea\u00e7\u00e3o aguda ao \u201cstress\u201d s\u00e3o influenciadas por fatores de vulnerabilidade individuais e pela capacidade do sujeito de fazer face ao traumatismo. A sintomatologia \u00e9 tipicamente mista e vari\u00e1vel e comporta de in\u00edcio um estado de aturdimento caracterizado por um certo estreitamento do campo da consci\u00eancia e dificuldades de manter a aten\u00e7\u00e3o ou de integrar est\u00edmulos, e uma desorienta\u00e7\u00e3o. Este estado pode ser seguido quer por um distanciamento do ambiente (podendo tomar a forma de um estupor dissociativo \u2013 ver F44.2) ou de uma agita\u00e7\u00e3o com hiperatividade (rea\u00e7\u00e3o de fuga). O transtorno se acompanha freq\u00fcentemente de sintomas neurovegetativos de uma ansiedade de p\u00e2nico (taquicardia, transpira\u00e7\u00e3o, ondas de calor). Os sintomas se manifestam habitualmente nos minutos que seguem a ocorr\u00eancia do est\u00edmulo ou do acontecimento estressante e desaparecem no espa\u00e7o de dois a tr\u00eas dias (freq\u00fcentemente em algumas horas). Pode haver uma amn\u00e9sia parcial ou completa (F44.0) do epis\u00f3dio. Quando os sintomas persistem, conv\u00e9m considerar uma altera\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico (e do tratamento).<\/p>\n<p>Choque ps\u00edquico<\/p>\n<p>Estado de crise<\/p>\n<p>Fadiga de combate<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00e3o aguda (\u00e0) (ao):<\/p>\n<p>\u00b7 crise<\/p>\n<p>\u00b7 \u201cstress\u201d<\/p>\n<p>F43.1 Estado de \u201cstress\u201d p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/p>\n<p>Este transtorno constitui uma resposta retardada ou protra\u00edda a uma situa\u00e7\u00e3o ou evento estressante (de curta ou longa dura\u00e7\u00e3o), de natureza excepcionalmente amea\u00e7adora ou catastr\u00f3fica, e que provocaria sintomas evidentes de perturba\u00e7\u00e3o na maioria dos indiv\u00edduos. Fatores predisponentes, tais como certos tra\u00e7os de personalidade (por exemplo compulsiva, ast\u00eanica) ou antecedentes do tipo neur\u00f3tico, podem diminuir o limiar para a ocorr\u00eancia da s\u00edndrome ou agravar sua evolu\u00e7\u00e3o; tais fatores, contudo, n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios ou suficientes para explicar a ocorr\u00eancia da s\u00edndrome. Os sintomas t\u00edpicos incluem a revivesc\u00eancia repetida do evento traum\u00e1tico sob a forma de lembran\u00e7as invasivas (\u201cflashbacks\u201d), de sonhos ou de pesadelos; ocorrem num contexto dur\u00e1vel de \u201canestesia ps\u00edquica\u201d e de embotamento emocional, de retraimento com rela\u00e7\u00e3o aos outros, insensibilidade ao ambiente, anedonia, e de evita\u00e7\u00e3o de atividades ou de situa\u00e7\u00f5es que possam despertar a lembran\u00e7a do traumatismo. Os sintomas precedentes se acompanham habitualmente de uma hiperatividade neurovegetativa, com hipervigil\u00e2ncia, estado de alerta e ins\u00f4nia, associadas freq\u00fcentemente a uma ansiedade, depress\u00e3o ou idea\u00e7\u00e3o suicida. O per\u00edodo que separa a ocorr\u00eancia do traumatismo do transtorno pode variar de algumas semanas a alguns meses. A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 flutuante, mas se faz para a cura na maioria dos casos. Em uma pequena propor\u00e7\u00e3o de casos, o transtorno pode apresentar uma evolu\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica durante numerosos anos e levar a uma altera\u00e7\u00e3o duradoura da personalidade (F62.0).<\/p>\n<p>Neurose traum\u00e1tica<\/p>\n<p>F43.2 Transtornos de adapta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Estado de sofrimento e de perturba\u00e7\u00e3o emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais. ocorrendo no curso de um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o a uma mudan\u00e7a existencial importante ou a um acontecimento estressante. O fator de \u201cstress\u201d pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experi\u00eancias de separa\u00e7\u00e3o) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigra\u00e7\u00e3o, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolariza\u00e7\u00e3o, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria). A predisposi\u00e7\u00e3o e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorr\u00eancia e na sintomatologia de um transtorno de adapta\u00e7\u00e3o; admite-se, contudo, que o transtorno n\u00e3o teria ocorrido na aus\u00eancia do fator de \u201cstress\u201d considerado. As manifesta\u00e7\u00f5es, vari\u00e1veis, compreendem: humor depressivo, ansiedade, inquietude (ou uma combina\u00e7\u00e3o dos precedentes), sentimento de incapacidade de enfrentar, fazer projetos ou a continuar na situa\u00e7\u00e3o atual, assim como certa altera\u00e7\u00e3o do funcionamento cotidiano. Transtornos de conduta podem estar associados, em particular nos adolescentes. A caracter\u00edstica essencial deste transtorno pode consistir de uma rea\u00e7\u00e3o depressiva, ou de uma outra perturba\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es e das condutas, de curta ou longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Choque cultural<\/p>\n<p>Hospitalismo da crian\u00e7a<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00e3o de luto<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>transtorno ligado \u00e0 ang\u00fastia de separa\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia (F93.0)<\/p>\n<p>F43.8 Outras rea\u00e7\u00f5es ao \u201cstress\u201d grave<\/p>\n<p>F43.9 Rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o especificada a um \u201cstress\u201d grave<\/p>\n<p>F44 Transtornos dissociativos [de convers\u00e3o]<\/p>\n<p>Os transtornos dissociativos ou de convers\u00e3o se caracterizam por uma perda parcial ou completa das fun\u00e7\u00f5es normais de integra\u00e7\u00e3o das lembran\u00e7as, da consci\u00eancia, da identidade e das sensa\u00e7\u00f5es imediatas, e do controle dos movimentos corporais. Os diferentes tipos de transtornos dissociativos tendem a desaparecer ap\u00f3s algumas semanas ou meses, em particular quando sua ocorr\u00eancia se associou a um acontecimento traum\u00e1tico. A evolu\u00e7\u00e3o pode igualmente se fazer para transtornos mais cr\u00f4nicos, em particular paralisias e anestesias, quando a ocorr\u00eancia do transtorno est\u00e1 ligada a problemas ou dificuldades interpessoais insol\u00faveis. No passado, estes transtornos eram classificados entre diversos tipos de \u201chisteria de convers\u00e3o\u201d. Admite-se que sejam psicog\u00eanicos, dado que ocorrem em rela\u00e7\u00e3o temporal estreita com eventos traum\u00e1ticos, problemas insol\u00faveis e insuport\u00e1veis, ou rela\u00e7\u00f5es interpessoais dif\u00edceis. Os sintomas traduzem freq\u00fcentemente a id\u00e9ia que o sujeito se faz de uma doen\u00e7a f\u00edsica. O exame m\u00e9dico e os exames complementares n\u00e3o permitem colocar em evid\u00eancia um transtorno f\u00edsico (em particular neurol\u00f3gico) conhecido. Por outro lado, disp\u00f5e-se de argumentos para pensar que a perda de uma fun\u00e7\u00e3o \u00e9, neste transtorno, a express\u00e3o de um conflito ou de uma necessidade ps\u00edquica. Os sintomas podem ocorrer em rela\u00e7\u00e3o temporal estreita com um \u201cstress\u201d psicol\u00f3gico e ocorrer freq\u00fcentemente de modo brusco. O transtorno concerne unicamente quer a uma perturba\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que est\u00e3o normalmente sob o controle da vontade, quer a uma perda das sensa\u00e7\u00f5es. Os transtornos que implicam manifesta\u00e7\u00f5es dolorosas ou outras sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas complexas que fazem intervir o sistema nervoso aut\u00f4nomo, s\u00e3o classificados entre os transtornos somatoformes (F45.0). H\u00e1 sempre a possibilidade de ocorr\u00eancia numa data ulterior de um transtorno f\u00edsico ou psiqui\u00e1trico grave.<\/p>\n<p>Inclui:<\/p>\n<p>histeria<\/p>\n<p>histeria<\/p>\n<p>\u00ee<\/p>\n<p>de convers\u00e3o<\/p>\n<p>rea\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00ec<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>psicose hist\u00e9rica<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>simulador [simula\u00e7\u00e3o consciente] (Z76.5)<\/p>\n<p>F44.0 Amn\u00e9sia dissociativa<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica essencial \u00e9 a de uma perda da mem\u00f3ria, que diz respeito geralmente a acontecimentos importantes recentes, n\u00e3o devida a transtorno mental org\u00e2nico, e muito importante para ser considerado como express\u00e3o de esquecimento ou de fadiga. A amn\u00e9sia diz respeito habitualmente aos eventos traum\u00e1ticos, tais como acidentes ou lutos imprevistos, e \u00e9 mais freq\u00fcente que seja parcial e seletiva. Uma amn\u00e9sia completa e generalizada \u00e9 rara, e diz respeito habitualmente a uma fuga (F44.1); neste caso, deve-se fazer um diagn\u00f3stico de fuga. N\u00e3o se deve fazer este diagn\u00f3stico na presen\u00e7a de um transtorno cerebral org\u00e2nico, de uma intoxica\u00e7\u00e3o, ou de uma fadiga extrema.<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>amn\u00e9sia:<\/p>\n<p>\u00b7 SOE (R41.3)<\/p>\n<p>\u00b7 anter\u00f3grada (R41.1)<\/p>\n<p>\u00b7 p\u00f3s-convulsiva dos epil\u00e9pticos (G40.-)<\/p>\n<p>\u00b7 retr\u00f3grada (R41.2)<\/p>\n<p>s\u00edndrome amn\u00e9sica org\u00e2nica n\u00e3o-alco\u00f3lica (F04)<\/p>\n<p>transtorno amn\u00e9sico induzido pelo \u00e1lcool ou por outra subst\u00e2ncia psicoativa (F10-F19 com quarto caractere comum .6)<\/p>\n<p>F44.1 Fuga dissociativa<\/p>\n<p>Uma fuga apresenta todas as caracter\u00edsticas de uma amn\u00e9sia dissociativa: comporta al\u00e9m disto, um deslocamento motivado maior que o raio de deslocamento habitual cotidiano. Embora exista uma amn\u00e9sia para o per\u00edodo de fuga, o comportamento do sujeito no curso desta \u00faltima pode parecer perfeitamente normal para observadores desinformados.<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>fuga p\u00f3s-convulsiva na epilepsia (G40.-)<\/p>\n<p>F44.2 Estupor dissociativo<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de estupor dissociativo repousa sobre a presen\u00e7a de uma diminui\u00e7\u00e3o importante ou de uma aus\u00eancia dos movimentos volunt\u00e1rios e da reatividade normal a est\u00edmulos externos, tais como luz, ru\u00eddo, tato, sem que os exames cl\u00ednicos e os exames complementares mostrem evid\u00eancias de uma causa f\u00edsica. Al\u00e9m disto, disp\u00f5e-se de argumentos em favor de uma origem psicog\u00eanica do transtorno, na medida que \u00e9 poss\u00edvel evidenciar eventos ou problemas estressantes recentes.<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>estado catat\u00f4nico org\u00e2nico (F06.1)<\/p>\n<p>estupor:<\/p>\n<p>\u00b7 SOE (R40.1)<\/p>\n<p>\u00b7 catat\u00f4nico (F20.2)<\/p>\n<p>\u00b7 depressivo (F31-F33)<\/p>\n<p>\u00b7 man\u00edaco (F30.2)<\/p>\n<p>F44.3 Estados de transe e de possess\u00e3o<\/p>\n<p>Transtornos caracterizados por uma perda transit\u00f3ria da consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria identidade, associada a uma conserva\u00e7\u00e3o perfeita da consci\u00eancia do meio ambiente. Devem aqui ser inclu\u00eddos somente os estados de transe involunt\u00e1rios e n\u00e3o desejados, exclu\u00eddos aqueles de situa\u00e7\u00f5es admitidas no contexto cultural ou religioso do sujeito.<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>esquizofrenia (F20.-)<\/p>\n<p>intoxica\u00e7\u00e3o por uma subst\u00e2ncia psicoativa (F10-F19 com quarto caractere comum .0)<\/p>\n<p>s\u00edndrome p\u00f3s-traum\u00e1tica (F07.2)<\/p>\n<p>transtorno(s):<\/p>\n<p>\u00b7 org\u00e2nico da personalidade (F07.0)<\/p>\n<p>\u00b7 psic\u00f3ticos agudos e transit\u00f3rios (F23.-)<\/p>\n<p>F44.4 Transtornos dissociativos do movimento<\/p>\n<p>As variedades mais comuns destes transtornos s\u00e3o a perda da capacidade de mover uma parte ou a totalidade do membro ou dos membros. Pode haver semelhan\u00e7a estreita com quaisquer variedades de ataxia, apraxia, acinesia, afonia, disartria, discinesia, convuls\u00f5es ou paralisia.<\/p>\n<p>Afonia psicog\u00eanica<\/p>\n<p>Disfonia psicog\u00eanica<\/p>\n<p>Torcicolo hist\u00e9rico<\/p>\n<p>F44.5 Convuls\u00f5es dissociativas<\/p>\n<p>Os movimentos observados no curso das convuls\u00f5es dissociativas podem se assemelhar de perto \u00e0quelas observadas no curso das crises epil\u00e9ticas; mas a mordedura de l\u00edngua, os ferimentos por queda e a incontin\u00eancia de urina s\u00e3o raros contudo; al\u00e9m disto, a consci\u00eancia est\u00e1 preservada ou substitu\u00edda por um estado de estupor ou transe.<\/p>\n<p>F44.6 Anestesia e perda sensorial dissociativas<\/p>\n<p>Os limites das \u00e1reas cut\u00e2neas anestesiadas correspondem freq\u00fcentemente \u00e0s concep\u00e7\u00f5es pessoais do paciente, mais do que a descri\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Pode haver igualmente uma perda de um tipo de sensibilidade dado, com conserva\u00e7\u00e3o de outras sensibilidades, n\u00e3o correspondendo a nenhuma les\u00e3o neurol\u00f3gica conhecida. A perda de sensibilidade pode se acompanhar de parestesias. As perdas da vis\u00e3o e da audi\u00e7\u00e3o raramente s\u00e3o totais nos transtornos dissociativos.<\/p>\n<p>Surdez psicog\u00eanica<\/p>\n<p>F44.7 Transtorno dissociativo misto [de convers\u00e3o]<\/p>\n<p>Combina\u00e7\u00e3o de transtornos descritos em F44.0-F44.6<\/p>\n<p>F44.8 Outros transtornos dissociativos [de convers\u00e3o]<\/p>\n<p>Confus\u00e3o psicog\u00eanica<\/p>\n<p>Estado crepuscular psicog\u00eanico<\/p>\n<p>Personalidade m\u00faltipla<\/p>\n<p>S\u00edndrome de Ganser<\/p>\n<p>F44.9 Transtorno dissociativo [de convers\u00e3o] n\u00e3o especificado<\/p>\n<p>F45 Transtornos somatoformes<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica essencial diz respeito \u00e0 presen\u00e7a repetida de sintomas f\u00edsicos associados \u00e0 busca persistente de assist\u00eancia m\u00e9dica, apesar que os m\u00e9dicos nada encontram de anormal e afirmam que os sintomas n\u00e3o t\u00eam nenhuma base org\u00e2nica. Se quaisquer transtornos f\u00edsicos est\u00e3o presentes, eles n\u00e3o explicam nem a natureza e a extens\u00e3o dos sintomas, nem o sofrimento e as preocupa\u00e7\u00f5es do sujeito.<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>arrancar-se os cabelos (F98.4)<\/p>\n<p>disfun\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o devida a doen\u00e7a ou a transtorno org\u00e2nico (F52.-)<\/p>\n<p>dislalia (F80.8)<\/p>\n<p>fatores psicol\u00f3gicos ou comportamentais associados a doen\u00e7as ou transtornos classificados em outra parte (F54)<\/p>\n<p>lala\u00e7\u00e3o (F80.0)<\/p>\n<p>roer unhas (F98.8)<\/p>\n<p>s\u00edndrome de Gilles de la Tourette (F95.2)<\/p>\n<p>suc\u00e7\u00e3o do polegar (F98.8)<\/p>\n<p>tiques (na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia) (F95.-)<\/p>\n<p>transtornos dissociativos (F44.-)<\/p>\n<p>tricotilomania (F63.3)<\/p>\n<p>F45.0 Transtorno de somatiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Transtorno caracterizado essencialmente pela presen\u00e7a de sintomas f\u00edsicos, m\u00faltiplos, recorrentes e vari\u00e1veis no tempo, persistindo ao menos por dois anos. A maioria dos pacientes teve uma longa e complicada hist\u00f3ria de contato tanto com a assist\u00eancia m\u00e9dica prim\u00e1ria quanto especializada durante as quais muitas investiga\u00e7\u00f5es negativas ou cirurgias explorat\u00f3rias sem resultado podem ter sido realizadas. Os sintomas podem estar referidos a qualquer parte ou sistema do corpo. O curso da doen\u00e7a \u00e9 cr\u00f4nico e flutuante, e freq\u00fcentemente se associa a uma altera\u00e7\u00e3o do comportamento social, interpessoal e familiar. Quando o transtorno tem uma dura\u00e7\u00e3o mais breve (menos de dois anos) ou quando ele se caracteriza por sintomas menos evidentes, deve-se fazer o diagn\u00f3stico de transtorno somatoforme indiferenciado (F45.1).<\/p>\n<p>Transtorno de Briquet<\/p>\n<p>Transtorno psicossom\u00e1tico m\u00faltiplo<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>simulador [simula\u00e7\u00e3o consciente] (Z76.5)<\/p>\n<p>F45.1 Transtorno somatoforme indiferenciado<\/p>\n<p>Quando as queixas somatoformes s\u00e3o m\u00faltiplas, vari\u00e1veis no tempo e persistentes, mas que n\u00e3o correspondem ao quadro cl\u00ednico completo e t\u00edpico de um transtorno de somatiza\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico de transtorno somatoforme indiferenciado deve ser considerado.<\/p>\n<p>Transtorno psicossom\u00e1tico indiferenciado<\/p>\n<p>F45.2 Transtorno hipocondr\u00edaco<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica essencial deste transtorno \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o persistente com a presen\u00e7a eventual de um ou de v\u00e1rios transtornos som\u00e1ticos graves e progressivos. Os pacientes manifestam queixas som\u00e1ticas persistentes ou uma preocupa\u00e7\u00e3o duradoura com a sua apar\u00eancia f\u00edsica. Sensa\u00e7\u00f5es e sinais f\u00edsicos normais ou triviais s\u00e3o freq\u00fcentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou perturbadores. A aten\u00e7\u00e3o do sujeito se concentra em geral em um ou dois \u00f3rg\u00e3os ou sistemas. Existem freq\u00fcentemente depress\u00e3o e ansiedade importantes, e que podem justificar um diagn\u00f3stico suplementar.<\/p>\n<p>Dismorfofobia (corporal) (n\u00e3o-delirante)<\/p>\n<p>Hipocondria<\/p>\n<p>Neurose hipocondr\u00edaca<\/p>\n<p>Nosofobia<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>dismorfofobia delirante (F22.8)<\/p>\n<p>id\u00e9ias delirantes persistentes sobre o funcionamento ou a forma do corpo (F22.-)<\/p>\n<p>F45.3 Transtorno neurovegetativo somatoforme<\/p>\n<p>O paciente atribui seus sintomas a um transtorno som\u00e1tico de um sistema ou de \u00f3rg\u00e3o inervado e controlado, em grande parte ou inteiramente, pelo sistema neurovegetativo: sistema cardiovascular, gastrointestinal, respirat\u00f3rio e urogenital. Os sintomas s\u00e3o habitualmente de dois tipos, sendo que nenhum dos dois indica transtorno som\u00e1tico do \u00f3rg\u00e3o ou do sistema referido. O primeiro tipo consiste de queixas a respeito de um hiperfuncionamento neurovegetativo, por exemplo palpita\u00e7\u00f5es, transpira\u00e7\u00e3o, ondas de calor ou de frio, tremores, assim como por express\u00e3o de medo e perturba\u00e7\u00e3o com a possibilidade de uma doen\u00e7a f\u00edsica. O segundo tipo consiste de queixas subjetivas inespec\u00edficas e vari\u00e1veis, por exemplo dores e sofrimentos, e sensa\u00e7\u00f5es de queima\u00e7\u00e3o, peso, aperto e incha\u00e7o ou distens\u00e3o, atribu\u00eddos pelo paciente a um \u00f3rg\u00e3o ou sistema espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Astenia neurocirculat\u00f3ria<\/p>\n<p>Formas psicog\u00eanicas (de um) (de uma):<\/p>\n<p>\u00b7 aerofagia<\/p>\n<p>\u00b7 c\u00f3lon irrit\u00e1vel<\/p>\n<p>\u00b7 diarr\u00e9ia<\/p>\n<p>\u00b7 dispepsia<\/p>\n<p>\u00b7 dis\u00faria<\/p>\n<p>\u00b7 flatul\u00eancia<\/p>\n<p>\u00b7 hiperventila\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00b7 piloroespasmo<\/p>\n<p>\u00b7 polaci\u00faria<\/p>\n<p>\u00b7 solu\u00e7o<\/p>\n<p>\u00b7 tosse<\/p>\n<p>Neurose:<\/p>\n<p>\u00b7 card\u00edaca<\/p>\n<p>\u00b7 g\u00e1strica<\/p>\n<p>S\u00edndrome de Da Costa<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>fatores psicol\u00f3gicos e comportamentais associados a transtornos f\u00edsicos classificados em outra parte (F54)<\/p>\n<p>F45.4 Transtorno doloroso somatoforme persistente<\/p>\n<p>A queixa predominante \u00e9 uma dor persistente, intensa e angustiante, dor esta n\u00e3o explic\u00e1vel inteiramente por um processo fisiol\u00f3gico ou um transtorno f\u00edsico, e ocorrendo num contexto de conflitos emocionais e de problemas psicossociais suficientemente importantes para permitir a conclus\u00e3o de que os mesmos sejam a causa essencial do transtorno. O resultado \u00e9 em geral uma maior aten\u00e7\u00e3o em suporte e assist\u00eancia quer pessoal, quer m\u00e9dica. Uma dor considerada como psicog\u00eanica mas ocorrendo no curso de um transtorno depressivo ou de uma esquizofrenia n\u00e3o deve ser aqui classificada.<\/p>\n<p>Cefal\u00e9ia psicog\u00eanica<\/p>\n<p>Dor(es):<\/p>\n<p>\u00b7 psicog\u00eanicas da coluna vertebral<\/p>\n<p>\u00b7 somatoforme<\/p>\n<p>Psicalgia<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>cefal\u00e9ias tensionais (G44.2)<\/p>\n<p>dor:<\/p>\n<p>\u00b7 SOE (R52.9)<\/p>\n<p>\u00b7 aguda (R52.0)<\/p>\n<p>\u00b7 cr\u00f4nica (R52.2)<\/p>\n<p>\u00b7 irredut\u00edvel (R52.1)<\/p>\n<p>\u00b7 lombar SOE (M54.9)<\/p>\n<p>F45.8 Outros transtornos somatoformes<\/p>\n<p>Todos os outros transtornos das sensa\u00e7\u00f5es, das fun\u00e7\u00f5es e do comportamento, n\u00e3o devidos a um transtorno f\u00edsico que n\u00e3o est\u00e3o sob a influ\u00eancia do sistema neurovegetativo, que se relacionam a sistemas ou a partes do corpo espec\u00edficos, e que ocorrem em rela\u00e7\u00e3o temporal estreita com eventos ou problemas estressantes.<\/p>\n<p>Disfagia psicog\u00eanica, incluindo \u201cbolo hist\u00e9rico\u201d<\/p>\n<p>Dismenorr\u00e9ia psicog\u00eanica<\/p>\n<p>Prurido psicog\u00eanico<\/p>\n<p>Ranger de dentes<\/p>\n<p>Torcicolo psicog\u00eanico<\/p>\n<p>F45.9 Transtorno somatoforme n\u00e3o especificado<\/p>\n<p>Transtorno psicossom\u00e1tico SOE<\/p>\n<p>F48 Outros transtornos neur\u00f3ticos<\/p>\n<p>F48.0 Neurastenia<\/p>\n<p>Existem varia\u00e7\u00f5es culturais consider\u00e1veis para a apresenta\u00e7\u00e3o deste transtorno, sendo que dois tipos principais ocorrem, com consider\u00e1vel superposi\u00e7\u00e3o. No primeiro tipo, a caracter\u00edstica essencial \u00e9 a de uma queixa relacionada com a exist\u00eancia de uma maior fatigabilidade que ocorre ap\u00f3s esfor\u00e7os mentais freq\u00fcentemente associada a uma certa diminui\u00e7\u00e3o do desempenho profissional e da capacidade de fazer face \u00e0s tarefas cotidianas. A fatigabilidade mental \u00e9 descrita tipicamente como uma intrus\u00e3o desagrad\u00e1vel de associa\u00e7\u00f5es ou de lembran\u00e7as que distraem, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e pensamento geralmente ineficiente. No segundo tipo, a \u00eanfase se d\u00e1 mais em sensa\u00e7\u00f5es de fraqueza corporal ou f\u00edsica e um sentimento de esgotamento ap\u00f3s esfor\u00e7os m\u00ednimos, acompanhados de um sentimento de dores musculares e incapacidade para relaxar. Em ambos os tipos h\u00e1 habitualmente v\u00e1rios outras sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas desagrad\u00e1veis, tais como vertigens, cefal\u00e9ias tensionais e uma impress\u00e3o de instabilidade global. S\u00e3o comuns, al\u00e9m disto, inquietudes com rela\u00e7\u00e3o a uma degrada\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental e f\u00edsica, irritabilidade, anedonia, depress\u00e3o e ansiedade menores e vari\u00e1veis. O sono freq\u00fcentemente est\u00e1 perturbado nas suas fases inicial e m\u00e9dia mas a hipersonia pode tamb\u00e9m ser proeminente.<\/p>\n<p>S\u00edndrome de fadiga<\/p>\n<p>Usar c\u00f3digo adicional, se necess\u00e1rio, para identificar a doen\u00e7a f\u00edsica antecedente.<\/p>\n<p>Exclui:<\/p>\n<p>astenia SOE (R53)<\/p>\n<p>estafa (Z73.0)<\/p>\n<p>mal estar e fadiga (R53)<\/p>\n<p>psicastenia (F48.8)<\/p>\n<p>s\u00edndrome da fadiga p\u00f3s-viral (G93.3)<\/p>\n<p>F48.1 S\u00edndrome de despersonaliza\u00e7\u00e3o-desrealiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Trata-se de um transtorno raro no qual o paciente se queixa espontaneamente de uma altera\u00e7\u00e3o qualitativa de sua atividade mental, de seu corpo e de seu ambiente, estes \u00faltimos percebidos como irreais, long\u00ednquos ou \u201crobotizados\u201d. Dentre os v\u00e1rios fen\u00f4menos que caracterizam esta s\u00edndrome, os pacientes queixam-se mais freq\u00fcentemente de perda das emo\u00e7\u00f5es e de uma sensa\u00e7\u00e3o de estranheza ou desligamento com rela\u00e7\u00e3o aos seus pensamentos, seu corpo ou com o mundo real. A despeito da natureza dram\u00e1tica deste tipo de experi\u00eancia, o sujeito se d\u00e1 conta da aus\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es reais. As faculdades sensoriais s\u00e3o normais e as capacidades de express\u00e3o emocional intactos. Sintomas de despersonaliza\u00e7\u00e3o-desrealiza\u00e7\u00e3o podem ocorrer no contexto de um transtorno esquizofr\u00eanico, depressivo, f\u00f3bico ou obsessivo-compulsivo identific\u00e1vel. Neste caso, reter-se-\u00e1 como diagn\u00f3stico aquele do transtorno principal.<\/p>\n<p>F48.8 Outros transtornos neur\u00f3ticos especificados<\/p>\n<p>Neurose (de):<\/p>\n<p>\u00b7 profissional (incluindo c\u00e3ibra dos escritores)<\/p>\n<p>\u00b7 psicast\u00eanica<\/p>\n<p>Psicastenia<\/p>\n<p>S\u00edncope psicog\u00eanica<\/p>\n<p>S\u00edndrome de Dhat<\/p>\n<p>F48.9 Transtorno neur\u00f3tico n\u00e3o especificado<\/p>\n<p>Neurose SOE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F40-F48 Transtornos neur\u00f3ticos, transtornos relacionados com o \u201cstress\u201d e transtornos somatoformes Exclui: quando associado aos transtornos de conduta classificados em F91.- (F92.8) F40 Transtornos f\u00f3bico-ansiosos Grupo de transtornos nos quais uma ansiedade \u00e9 desencadeada exclusiva ou essencialmente por situa\u00e7\u00f5es nitidamente determinadas que n\u00e3o apresentam atualmente nenhum perigo real. Estas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por esse motivo, evitadas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[149],"tags":[],"class_list":["post-73068","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-1a"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=73068"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73069,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73068\/revisions\/73069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=73068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=73068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.ddns.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=73068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}