{"id":7800,"date":"2009-12-01T21:49:13","date_gmt":"2009-12-02T00:49:13","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=7800"},"modified":"2021-04-08T00:24:40","modified_gmt":"2021-04-08T00:24:40","slug":"microbio-muda-traducao-de-informacoes-do-dna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.ddns.net\/?p=7800","title":{"rendered":"Micr\u00f3bio muda tradu\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es do DNA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Protozo\u00e1rio enxerga &#8220;palavras&#8221; iguais de forma distinta, de acordo com contexto. Maquin\u00e1rio gen\u00e9tico de criatura que usa c\u00edlios para se locomover contraria um dos dogmas centrais da biologia molecular moderna<!--more--><\/p>\n<p><strong>CLAUDIO ANGELO<\/strong><br \/>\nEDITOR DE CI\u00caNCIA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-16348\" alt=\"euplotes\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/euplotes1.jpg\" width=\"419\" height=\"404\" \/>Como todo bom advogado sabe, \u00e0s vezes a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante que o texto em si. E isso parece valer tamb\u00e9m quando o texto em quest\u00e3o \u00e9 a sequ\u00eancia de letras do DNA. \u00c9 o que indica o estudo de um organismo de uma c\u00e9lula s\u00f3 chamado Euplotes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grupo de cientistas acaba de mostrar que um mesmo trecho de tr\u00eas letras do genoma da criatura pode ser &#8220;lido&#8221; de formas diferentes dependendo do contexto, o que faz com que mol\u00e9culas diferentes sejam sintetizadas pela c\u00e9lula. Isso contraria um dos dogmas da biologia molecular, segundo o qual cada um desses tripletos de DNA -os c\u00f3dons- s\u00f3 podem codificar uma mol\u00e9cula. Um c\u00f3don \u00e9 a receita para a constru\u00e7\u00e3o de cada um dos amino\u00e1cidos, os tijolos b\u00e1sicos dos quais os seres vivos s\u00e3o feitos. As prote\u00ednas, mol\u00e9culas que fazem de tudo dentro da c\u00e9lula, s\u00e3o compostas de dezenas ou centenas de amino\u00e1cidos enfileirados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem na natureza 22 tipos de amino\u00e1cidos, cada um definido por uma sequ\u00eancia de tr\u00eas letras no DNA ou RNA. Assim, o amino\u00e1cido fenilalanina \u00e9 codificado pela sequ\u00eancia UUU no RNA, a leucina pelas &#8220;letras&#8221; CUC e o triptofano pelo c\u00f3don UGG, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cientistas j\u00e1 sabiam que um mesmo amino\u00e1cido podia ser produzido por combina\u00e7\u00f5es diferentes de c\u00f3dons. Mas o inverso era considerado imposs\u00edvel, pois seria uma viola\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas centrais do c\u00f3digo gen\u00e9tico. Se uma mesma sequ\u00eancia pode produzir duas mol\u00e9culas diferentes, afinal, a evolu\u00e7\u00e3o e a hereditariedade se tornam mais complicadas. Quem garante, por exemplo, que um gene herdado por um animal de seus pais ter\u00e1 a mesma fun\u00e7\u00e3o do gene original?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entra em cena o Euplotes crassus, um protozo\u00e1rio. Bi\u00f3logos da Universidade de Nebraska (EUA), descobriram que nessa criatura \u00e0s vezes o c\u00f3don UGA, que normalmente codifica o amino\u00e1cido ciste\u00edna, pode codificar tamb\u00e9m a selenociste\u00edna. Relataram a descoberta em estudo na revista &#8220;Science&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De alguma forma, explicam os pesquisadores, o DNA do Euplotes &#8220;sabe&#8221; quando inserir uma selenociste\u00edna no lugar da ciste\u00edna. Ele n\u00e3o faz isso aleatoriamente, s\u00f3 nos genes que produzem prote\u00ednas que incluem selenociste\u00edna. &#8220;Achamos que a fun\u00e7\u00e3o-padr\u00e3o do c\u00f3don UGA \u00e9 inserir uma ciste\u00edna&#8221;, disse \u00e0 Folha o bioqu\u00edmico Vadim Gladyshev, l\u00edder do grupo de pesquisas que fez o estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, explica, nos genes de prote\u00ednas com selenociste\u00edna, h\u00e1 uma regi\u00e3o do RNA que n\u00e3o \u00e9 traduzida. Se h\u00e1 outros c\u00f3dons UGA no mesmo gene, diz Gladyshev, essa sequ\u00eancia &#8220;pode ficar enterrada na estrutura geral do RNA mensageiro [mol\u00e9cula que l\u00ea e copia a informa\u00e7\u00e3o do DNA] ou impedida de interagir com o maquin\u00e1rio celular, ent\u00e3o isso n\u00e3o interfere na inser\u00e7\u00e3o normal da ciste\u00edna&#8221;. Em algumas condi\u00e7\u00f5es, como na tradu\u00e7\u00e3o dos genes de selenoprote\u00edna, esse elemento \u00e9 &#8220;exposto&#8221; e interage com a m\u00e1quina de tradu\u00e7\u00e3o da c\u00e9lula de modo a ordenar a inser\u00e7\u00e3o da selenociste\u00edna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gladyshev diz que, por enquanto, essa bizarrice gen\u00e9tica s\u00f3 \u00e9 conhecida no Euplotes. Embora ele mesmo afirme que sua descoberta n\u00e3o for\u00e7a ningu\u00e9m a repensar o c\u00f3digo gen\u00e9tico, ela abre uma possibilidade intrigante: a de que o c\u00f3digo possa ter se tornado mais rico durante a evolu\u00e7\u00e3o e que existam amino\u00e1cidos adicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protozo\u00e1rio enxerga &#8220;palavras&#8221; iguais de forma distinta, de acordo com contexto. 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