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O ubre benevolente
22 de setembro de 2013 | Autor:

A pele das jovens ordenhadeiras inglesas foi admirada e cantada em poemas e canções desde o século XVI, as ordenhadoras de Gloucestershire começaram a descobrir – com mais resignação do que aborrecimento, e nunca alarmada – manchas nos seus braços e na mãos que todas as manhãs apertavam as tetas das vacas. As manchas eram causadas pelo contato com as feridas da varíola bovina, uma infecção comum no ubre das vacas leiteiras. Depois de uma semana, as manchas se transformavam em pústulas e as jovens passavam por um mal-estar passageiro, como a gripe. Porém, uma vez servas as feridas, a cicatriz significa que estavam imunizadas contra a varíola humana. E as únicas ordenhadoras que nunca apanharam a varíola bovina eram as que, por sorte, sobreviveram à varíola humana.

Essa curiosidade imunológica era conhecida há anos naquela região-os senhores de terras com seu brandy nos copos de cristal, os pequenos proprietários rurais com seus cachimbos de argila sem dúvida discutiram o assunto em volta do fogo, nas noites de inverno. Ora, em Dorset, em 1774, o fazendeiro Benjamin Jesty boa havia infectado a mulher e o filho com a varíola bovina transferindo o pus diretamente do ubre inflamado. Em 1765, o Dr. Fewster havia até mesmo chamado a atenção da Sociedade de Medicina de Londres para a rústica coincidência, mas ninguém deu importância.

No sábado,14 de Maio de 1796, o Dr. Jenner, de Berkeley, um povoado na margem do Rio Severn, entre Gloucester e o próspero porto de tráfico de escravos, em Bristol, apanhou uma porção de pus das feridas infetadas com varíola bovina de Sarah Nelmes, filha de fazendeiro, e por meio de duas pequenas ranhuras na pele do braço infectou James Phipps, de oito anos de idade.Sarah tinha três pústulas abertas isoladas, de dois centímetros e meio de largura,no dedo indicador, na ponta do polegar e no pulso da mão direita. Eram azuladas com as bordas altas, e os gânglios das suas axilas estavam intumescidos. Sarah havia arranhado a mão com um espinho e o ferimento inflamou gravemente, como o primeiro paciente de Florey tratado com penicilina, 145 anos depois.

No dia 1º de Julho, Jenner arranhou levemente o braço do menino James com pus de varíola humana. Nada aconteceu. Jenner acabava de inventar a vacinação (nos antigos campos riscos, a vacca pastava e mugia). Mas Jenner não desafiando cruel ou desnecessariamente o risco do fracasso, ou seja, da morte do menino por varíola induzida no seu organismo. A inoculação com pus de varíola humana, não com o pus da varíola bovina, já existia há muito tempo entre as belas ordenhadoras.

Os chineses antigos talvez praticassem a inoculação contra varíola aspirando uma quantidade de pus. Os turcos certamente praticavam a inoculação há várias gerações. Eles davam pequenas festas, nas quais velhas mulheres, usando agulhas, os inoculava com o veneno da varíola humana guardado numa casca de noz. Essas funções sociais entusiasmaram a mulher ládo embaixador britânico em Constantinopla, Lady Mary Wortley Montague (1689-1762). Ela tivera varíola aos 26 anos, e ficou desfigurada por toda vida.

“Agora a beleza se foi, e não existem mais amantes.

Não existe nenhuma pomada capaz de salvar uma jovem trêmula?”

Suspirar ela num poema patético.

Seu irmão mais novo tinha morrido de varíola. Ela resolveu determinadamente inocular o filho de seis anos contra a varíola, em 18 março 1718. Lady Montague avidamente importou a técnica dos turcos para a Inglaterra, onde foi oferecida como o que chamavam escolha de Gibson — uma escolha sem alternativa Real – a s seis criminosos condenados à morte. Acontece que foi uma deliciosa alternativa para a forca. A satisfação dos médicos foi igual ao desapontamento dos carrascos. Um dos condenados ocultou o fato de já ter tido varíola humana e, portanto, já estar imunizado. Além disso, para controle clínico, um deles recebeu o lendário tratamento do chineses, aspirando as pústulas secas, teve varíola muito fraca e se salvou da forca. Era uma jovem de 18 anos.

Vários membros da família real, animados com o exemplo dos seus súditos criminosos, foram inoculados também. Logo, todo mundo estava fazendo o mesmo. Os médicos arranhavam levemente a pele do braço e passavam um fio de linha embebida no pus da varióla humana. O que, com sorte, provocava uma varíola leve e imunizava para toda a vida. Com pouca sorte, provocava uma varíola virulenta e matava. A Igreja objetou, dizendo que estavam tirando o poder das mãos de Deus.

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O médico e a ordenhadeira
22 de setembro de 2013 | Autor:

Ouçam Thomas Hardy:

“A estação se desenvolveu e amadureceu. Na casa do leiteiro Crick, o grupo de empregadas e empregados vivia confortável e placidamente, até mesmo com alegria. Sua posição era talvez a mais afortunada na escala social, começando acima da linha em que termina a pobreza e terminando abaixo da linha em que as convenções começam a prejudicar os sentimentos naturais, e as exigências da moda acham pouco o suficiente.

A ordenha era feita muito cedo, e antes da ordenha vinha o desnatamento, que começava um pouco depois das três. Um pouco depois do café da manhã houve uma grande agitação na casa do leite. A centrífuga girava como sempre, mas a manteiga não aparecia. Sempre que isso acontecia, tudo se paralisava. O leite farfalhava no grande cilindro, mas nunca ouviam o ruído que esperavam ouvir.

Um vulto apareceu de repente na porta. Curiosa,a jovem saiu da penumbra luminosa e singular para a luz que inundava o campo aberto. Lá estava um belo cavalheiro com calça de couro de gamo e botas altas com esporas de prata, de mais ou menos 45 anos, rosto saudável, cabelo claro e farto, boca bondosa e cordial e olhos azuis zombeteiros. Os dentes, lábios e olhos da jovem cintilavam à luz do sol, ela era outra vez a bela ordenhadeira de cabelos loiros que tinha de se defender de todas as outras mulheres do mundo.

“Muito bem, minha bela, o que posso fazer por você?” disse ele. Ela se curvou numa cortesia. “E como a chamam?”

“Tess”, senhor.

‘É uma benção que um rosto tão lindo tenha escapado da sanha selvagem do animal pintado, a varíola”, disse ele, com um sorriso agradável.

“Mas eu não posso apanhar a varíola, senhor, porque eu já tive a varíola bovina.”

“O cavaleiro bateu com o punho fechado na palma da outra mão e exclamou em voz muito alta, como um cisne espantado, “Por Deus! Descobri! “

Ela quase saltou dos tamancos, de tão assustada.”

Assim, um dos mais significativos escritores da Inglaterra (e um dos mais insignificantes) descreve a descoberta da vacina por Edward Jenner ( 1749-1823).

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Descobertas no escuro
22 de setembro de 2013 | Autor:

As grandes descobertas da medicina aconteceram sem que tivesse a menor ideia do que estava sendo descoberto.

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A forma das pestes do futuro
22 de setembro de 2013 | Autor:

Por mais de um século a peste bubônica matou indiscriminadamente em Malta, Viena, Praga, Varsóvia e Copenhague. Em 1720 dizimou quase metade da população de Marselha. Na década de 1930 estava matando ainda em Uganda, onde haviam plantado algodão e a semente armazenada aumentou sensivelmente o número de ratos da região.

A peste começou a diminuir, mas houve quatro graves epidemias de gripe na Grã-Bretanha, no século XVII, 10 no século XVIII, seis no século XIX e, no século XX, a pandemia de 1918, que matou 0,5% da população da Grã-Bretanha e dos EUA e 25 milhões de pessoas no mundo todo. A guerra há pouco terminada, havia matado 8.538.313 soldados, portanto o vírus da gripe matou três vezes mais em um quarto do tempo que durou a guerra. Então esse tipo de vírus mortal da gripe desapareceu. Talvez tenha recuado para os procos, de onde pode voltar de modo alarmante, como voltaram os vencidos da Grande Guerra.

Nada cura a gripe. Porém, hoje, os antibióticos podem evitar a pneumonia, assim como podem deter o tifo, a disenteria e a peste bubônica. Na nossa parte confortável do mundo, onde estamos acostumados com a limpeza e com os médicos, e onde os bacteriologistas subiram de posto para se tornar “microbiologistas”, os vírus atacam especialmente os computadores. Podemos olhar com complacência para a peste.

Podemos?

Em 1967 o mundo se espantou com o aparecimento de uma nova doença. Era trazida pelos macacos verdes importados para experiências de laboratório num instituto de pesquisa em Marburg, na Alemanha Ocidental. Sete seres humanos morreram, entre o pessoal do laboratório e as enfermeiras que tratavam deles. Os macacos trouxeram um vírus desconhecido da África Central, de algum lugar ao norte do Lago Vitória, provavelmente originário de aranha de teia de túnel, um inseto que, evidentemente, deve ser evitado. Dessa área – onde, infelizmente o sexo não é feito exclusivamente em colchões Terra dos Sonhos e atrás de cortinas de Laura Ashley, quando terminam os programas de televisão – veio o vírus da AIDS. Não há cura para nenhum desses vírus importados. Nem vai haver cura para outro, e mais outro, que aparecerão misteriosamente para nos dar mais uma forma de morte…

H. G. Wells, um século mais tarde, confortavelmente instalado na máquina do tempo, está muito ocupado com a série sobre os marcianos.

Existem algumas bactérias bondosas. Elas ajudam o crescimento dos legumes que os homens comem, e da relva do pasto que o gado come. Sem as bactérias, talvez jamais pudéssemos ter o prazer de comer ervilhas, feijão, nem o assado dos domingos.

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A morte negra
22 de setembro de 2013 | Autor:

Agora as pulgas.

Albert Camus, em 1947 começava La Peste falando sobre Oran:

“Quando saía da cirurgia,na manhã de 16 de abril, o Dr. Bernard Rieux sentiu alguma coisa macia sob o pé. Era um rato morto bem no meio do patamar da escada. Num impulso de momento, ele o chutou para o lado e, sem pensar mais no caso, continuou a descer a escada. Só quando estava na rua lembrou que não deveria haver um rato morto no andar de sua cirurgia.”

Quando voltou para casa, naquela noite, o Dr. Rieux encontrou um rato quase morto, expelindo sangue pela boca. O animal deu um grito agudo e morreu. No dia seguinte havia três ratos mortos no seu corredor. Logo dezenas deles foram encontrados nas latas de lixo de Oran. Depois, milhares por toda a parte. No fim de duas semanas, num só dia, 6.231 ratos haviam sido queimados pelo serviço sanitário. Dois dias depois, foram 8.000. O povo começou a ficar preocupado.

Assim como os ratos abandonam o navio que está naufragando, a pulga abandona o rato que está morrendo. Se o rato morre de peste, então o micróbio Pasteurella pestis, pequeno, gordo, que forma uma cadeia e que infesta o sangue da última refeição da pulga, fica nauseado – que nojo! – quando a pulga pica o seguinte, quase sempre um homem. Daí a Morte Negra de 1348.

Roupas dos médicos no combate à peste bulbônica - clique para ampliarA Morte Negra começou nas praias do montanhoso Lago Issyk-Kul, a leste do Mar de Aral, além do Tashkent, no canto entre a Rússia e a China, ao norte do Himalaia. Em 1346, a Morte Negra estava matando indianos, armênios, tártaros e curdos, o que não preocupou muito pessoa alguma na Europa. No ano seguinte ela chegou à Criméia, depois a Messina, na Sicília, levada pelos ratos das galeras genovesas. Em seguida, Gênova, Pisa e Veneza. Depois disso, nada mais podia contê-la. No natal de 1348 foi importada para a Inglaterra, através de Bristol, e um ano depois tinha varrido as Terras Altas da Escócia. Os médicos armaram-se com longos aventais de couro, luvas e protótipos das máscaras contra gases do ano 1939, com óculos de aviador e anti-sépticos aromáticos no tubo de ar. Os pacientes queimava ervas e cantavam salmos. A mortalidade entre os religiosos que atendiam os doentes foi heróica.

Foi chamada Morte Negra porque os mortos ficavam pretos. Sangravam horrivelmente ao nível da pele. Havia dois tipos, a bubônica, com os gânglios da virilha e das axilas intumescidos como laranjas podres, os terríveis “bulbos”, ou a pnemônica, transmitida pela respiração, uma pneumonia hemorrágica, com morte certa e rápida. Boccaccio observa:

“Quantos homens valentes, quantas damas graciosas,
tomavam o desjejum com a família e naquela mesma noite
jantavam com seus ancestrais no outro mundo”

Em covas abertas apressadamente eram enterrados os corpos putrefatos, malcheirosos e ameaçadoras, 25 milhões deles na Europa, um quarto da população. Metade de Londres pereceu, talvez umas 50.000 pessoas. Ninguém sabia que causava a peste, mas acreditavam que os judeus estavam envenenando os poços de água.

Teria sido tão horrível assim? Em 1988, dois cemitérios de emergência cavados em 1348 foram encontrados em Londres, perto da Torre e em Smithfield. Eram longas filas em camadas sensatamente cobertas de terra, para não enterrar corpo sobre corpo. Os corpos eram cuidadosamente arrumados e cobertos com uma fina camada de terra, com sepulturas separadas para crianças. Esses cemitérios demonstrando um admirável senso tem previsão dos responsáveis pela cidade, quando a peste começava a chegar, vinda do oeste do país. Os 12.400 ocupantes das valas – possivelmente a maior parte das vítimas de Londres – indicam que a tragédia foi menor do que conta a tradição.

Durante a década de 1330, a Europa já estava em recessão econômica, o comércio praticamente estava parado e os preços caindo, guerras e desordens urbanas prejudicavam o comércio, a colheita era precária e o preço dos alimentos subia como um foguete. Veio a fome, e os pobres comiam os cachorros. Pelo menos, a Morte Negra resolveu o problema da super-população da Europa.

Depois da batalha de Bostworth,, em 1485, a coroação de Henrique VII foi impedida pela doença do suor. Fui a única coroação adiada por causa de doença, até de Eduardo VII no verão de 1901. Sudor Angelicus era uma doença misteriosa. Os doentes suam e tremiam de frio, exalavam um cheiro estranho e desagradável e morriam em um dia. Foi registrada por John Caius (1510-1573), o médico que transformou Gonville Hall, em Cambridge, em Gonville e Caius College , praticamente fazendo dele um colégio de medicina. Caius foi médico da corte desde morrem nada de Henrique VIII até o de Elizabeth primeira, mas de uma aposta está na reforma. Os colegas de Caius descobriram seus trajes católicos e os queimaram em praça pública, e então ele levou seus colegas para praça pública, presos ao tronco. Seu túmulo na capela do colégio diz apenas: Fui Caius. Ele escreveu também Of the English Dogges.

Os sinos da praga sua cara outra vez em Londres, em 1563, dizimando 1/5 todos seus 93.000 habitantes, em 1575, 1593, 1603, 1625.e 1636, cada vez diminuindo de 20.000 a população de Londres. A epidemia da Morte Negra mais comentada na literatura é Grande Poste de Londres.

Em 1661 a peste voltou à Turquia, em 1664 matou um quinto da população de Amsterdã e chegou a Flandres. No mês de dezembro, dois franceses morreram em Drury Lane, e no mês de junho do ano seguinte, Samuel Pepys escrevia :

“Em Drury Lane eu vi duas ou três casas marcadas com uma cruz vermelha na porta, e a frase ” o Senhor tenha piedade de nós “-um triste espetáculo para mim, que o via pela segunda vez.”

Ele comprou tabaco e mascou, para acalmar os nervo.

A cruz vermelha regularmente tinha 30 centímetros de altura, a casa era selada e vigiada por 40 dias, doentes e sãos aprisinados juntos, comida e medicamentos deixados medrosamente na frente da porta. Os únicos visitantes eram os bravos médicos que não haviam fugido de Londres com o rei, mulheres velhas, “examinadoras”, cuja função consistia em descobrir os “sinais” nos corpos dos mortos – manchas vermelhas na pele – para determinar do que tinham morrido, e os enfermeiros que roubavam dos corpos e às vezes, impacientes, os estrangulavam ou passavam o pus de suas feridas nas pessoas sãs para matá-las depois.

Nathaniel Hodges (1629-1688), médico que descrevia com jovialidade situações mais trágicas, conta com humor o caso da enfermeira que, depois da morte de toda a família que ela tratava, saiu da casa carregando os objetos roubados que caiu morta na rua. Outra enfermeira roubou a roupa do paciente agonizante. Mas ele se recuperou e voltou à vida completamente nu.

O Dr. Hodges tornou-se imune à doença chupando pedaços de canela, enquanto examinava os pacientes, comendo grandes quantidades de carne assada e picles (” na verdade, naquele tempo melancólico havia na cidade grande abundância de todas coisas as coisas boas dessa natureza “) tomando um copo de vinho branco, seco e forte, da Espanha, antes do jantar, mais alguns copos durante a refeição e depois do dia de trabalho “tomando com prazer minha bebida predileta, que me ajuda a dormir e proporcionava a respiração fácil dos poros durante toda a noite. A gratidão me obriga a fazer justiça às virtudes do vinho branco e sua merecida classificação entre principais antídotos “. Para ele, o melhor vinho era o de meia idade – limpo, fino, claro, vigoroso e com leve sabor de nozes.

Nathaniel Hodges tratava seus pacientes com raízes de Serpentária da Virgínia, sapo seco e doses da água da peste, do Colégio dos Médicos, uma mistura absurda de 21 medicamentos. Quando a peste terminou ele ficou sem pacientes, empobreceu, foi preso em Ludgate por dívidas e morreu na prisão em 1688. Um exemplo dos perigos da especialização radical.

“Tragam os seus mortos.!” Soava a voz nas ruas, acompanhada do dobre dos sinos, quando as ofertas eram atiradas aos montes nas valas. Os cães, suspeitos de transmitir a peste, foram massacrados. Os ratos tiveram mais sorte. No úmido mês de setembro de 1665, quando em Londres morriam 12.000 pessoas por semana, os patriarcas da cidade mandaram acender fogueiras nas ruas durante três dias seguidos, para purificar o ar, mas o céu, chorando seus mortos, as extinguiu. Os médicos não haviam concordado com essa ideia, que consideravam supérflua, teatral e dispendiosa. Exatamente um ano depois, o Grande Incêndio levou exatamente o mesmo tempo para provar que os médicos estavam errados.

O relato de Daniel Defoe, Diário do Ano da Peste, publicado em 1007 às 22, era uma artística obra de ficção, como Robson Crusoe.

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O desejo de matar
22 de setembro de 2013 | Autor:

Para nos aterrorizar, nossos agressores unicelulares podem recorrer a aliados poderosos. Os mosquitos são suas divisões voadoras. O rato, rápido e astuto, é sue portador pessoal, cheio de pulgas ágeis. Os piolhos, com suas garrar tenazes, são os veículos blindados da infecção.

Nosso conhecido Hieronymus Frascatorius, de Verona foi o primeiro a reconhecer o tifo exantemático, “a febre pintada”, súbita, devastadora, com uma erupção vermelha e um índice de morte de 20%. O americano Howard Taylor Ricketts (1817-1910) descobriu que era causado por um dos organismos semelhantes aos vírus que só existem no interior das células vivas e que foram denominadas de rickettsias, em sua honra – muito justamente, porque ele morreu de tifo exantemático, na Cidade do México, no mesmo ano da sua descoberta. A Rickettsia prowazeki é o organismo específico causador do tifo – e Stanislaus Josef Mathias von Prowazeki (1875-1915), de Hamburgo, morreu dessa doença também. Os micróbios são sugados do homem infectado pelo piolho, que salta para outro hospedeiro humano e deposita suas fezes infectadas na pele, e o homem começa a coçar desesperadamente o local. O pobre piolho fica vermelho e morre também.

Há! Onde vais, pequeno rastejante!
Tua imprudência te protege muito pouco

escreveu Robert Burns em “A um Piolho”, com sua habitual e profunda simpatia por todas as pequenas criaturas, como sua gratidão por seu exemplo, e (para um inglês) com incapacidade de compreender.

O que traz piolho, traz o tifo: guerra, seres humanos vivendo em promiscuidade, sujeira, falta de água e material de limpeza, falta de uma camisa limpa para vestir. Como febre das prisões no século XVI, os piolhos mataram a metade dos prisioneiros e esportivamente liquidaram os juízes, saltando para suas cadeiras. Na prisão de Old Bailey, em1750, executaram três juízes, o prefeito de Londres e oito jurados. Deve ter sido muito arriscado na prisão de Newgate.

Em 430 a. C., o tifo em Atenas complicou a Guerra do Peloponeso e matou Péricles (pode ter sido a peste ou varíola, não podemos confiar no diagnóstico de Tucídides). Na Antioquia, em1098, o tifo e a desinteria dizimaram os cruzados, homens e cavalos. O medo generalizado da infecção fez maravilhas para o índice de conversão ao cristianismo, especificamente porque o único representante da saúde pública era o exorcismo. Durante a guerra dos Trinta Anos, os dois lados posicionaram-se para a batalha de Nurenberg, em1632, mas o tifo matou tantos antes de começar a luta que tiveram de desistir.

O tifo atormentou os cavaleiros do Rei Charles, em Oxford, e em 1741 capturou Praga para Luís XV. Com o General Inverno e sua tenente, a disenteria, o tifo conseguiu a retirada dos franceses de Moscou. (Foi disenteria que acabou com o cerco de Bagdá, em 1439, e o de Metz, em 1553, e o vitorioso Agincourt morreu do “fluxo sanguíneo” em Vincennes, em 31 de agosto de 1422. Lênin perdeu 3 milhões de novos camaradas com tifo, em 1918-1922. O tifo reforçou as selvagerias da II Guerra Mundial nos campos de concentração, nos acampamentos de refugiados e nos postos do exército, embora os aliados tenham derrotado o piolho antes dos nazistas, acabando com a epidemia em Nápoles, em 1944, usando o DDT, um inseticida que hoje faz eriçar os cabelos dos Verdes como talos de centeio.

Uma epidemia de tifo entre os tecelões da Alta Silésia, em 1848, foi investigada para os prussianos por Rudolf Wirchow (1821-1902), do Charité Hospital, de Berlim. Seu relatório denunciava tão detalhadamente as condições higiênicas e de vida em geral dos habitantes do local, e propunha com tanta clareza o estado generoso como único remédio, que os prussianos o despediram. Ele foi eleito para o Reichstag, tendo como opositor Bismarck, organizou o Serviço de Ambulâncias da Guerra Franco-Prussiana e fez dos esgotos de Berlim motivo de inveja de toda a Europa.

Esse pequeno professor, fanfarrão e vigoroso, tornou-se um proeminente médico europeu, o que primeiro descreveu a leucemia e era especialista em embolia pulmonar, lúpus da face e gota, tatuagem e arqueologia de Tróia. Ele criou a frase Omnis cellula e cellula – nenhuma doença cria as próprias células, todas são células comuns do corpo humano, mas alteradas pela doença. Ninguém havia pensado nisso antes. Quando Jean Louis Armand de Quatrefages (1810-1892), do Museu de História Natural de Paris, escreveu um panfleto qualificando os prussianos como um bando de mongóis bárbaros (eles acabavam de bombardear seu museu), Virchow, com fúria solene, lembrou a cor do cabelo e o formato dos olhos dos 6 milhões de escolares alemães. Seu octagésimo aniversário foi declarado feriado nacional; portanto, no fim, os prussianos o amaram.

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Estimulando os fagócitos
22 de setembro de 2013 | Autor:

“O médico do futuro será um imunizador”, ousadamente profetizou Sir Almroth Wright (1861-1947),professor no Colégio de Medicina Militar Britânico, em 1900, e amigo do irlandês George Bernard Shaw. Mais tarde Shaw frequentemente tomava chá com Wright no Hospital de Inoculação do Hospital Santa Maria, em Londres. Shaw se inspirou em Wright para criar seu personagem estimulador de fagócitos, Sir Colenso Ridgeon, em Dilema de um Médico. Sir Almroth saiu do teatro no meio da peça, na noite da estréia.

A guerra da África do Sul, de 1899-1902, o primeiro dobre de finados para o Império Britânico, não foi ganha com os rifles antiquados dos fazendeiros boers, mas pelo bacilo da febre tifóide. Em cada grupo de mil soldados enviados para a Cidade do Cabo, a febre matou 15, duas vezes mais do que o inimigo conseguiu matar. Sir Almroth Wright criou a vacina, injetando o bacilo do tifo atenuado para crirar resistência ao bacilo verdadeiro. O exército zombou da invenção. Sir Almroth desistiu. Na I Guerra Mundial, o exercito teve tempo para estudar a ideia e poucos morreram de febre tifóide, mesmo em Galipoli, assolada pela doença. O exército foi vacinado contra tétano também, causado pela terra que entrava nos ferimentos. Na II Guerra Mundial esse perigo praticamente não existia porque os tanques, ao contrário dos cavalos, não defecavam.

o cavalo inoculado, com sua tradicional boa vontade, produz uma grande quantidade de anti-soro para combater os mesmos germes que estão dizimando seus donos. Essa inoculação passiva não funcionou contra a pneumonia lobar. contra uma assassina de crianças, a difteria, funcionou. A difteria poderia ter sido abolida pela inoculação ativa, como a febre tifóide, no exército, depois de 1926. Mas ninguém se importou muito com o assunto até 1940, assim 50.000 civis, mais do que na blitz, morreram desnecessariamente por descaso.

Sir Almroth Wright, aos 80 anos, sofreu a humilhação de negar sua autoconfiança da juventude. Ele confessou, arrasado, para a Real Sociedade de Medicina, a “necessidade de ignorar muita coisa na imunologia, considerada como garantida”. As sulfas e a penicilina estavam massacrando os germes que ele tão engenhosamente havia voltado contra eles mesmos. Ele teria morrido mais feliz se tivesse visto a imunização desfechada contra os vírus do sarampo, da rubéola (que ameaça a gravidez), da coqueluche, da hepatite e das mesmas doenças contra as quais ele lutou entre as guerras. A imunização está de volta. Os germes podem se voltar astuta e selvagemente contra seus atacantes químicos, e o homem está interferindo com sua imunologia pela introdução dos transplantes.

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Luz do sol e luar
22 de setembro de 2013 | Autor:

O sol que brilhava ininterruptamente sobre o Império britânico preocupava Whitehall tanto quanto o demônio preocupa o Vaticano. Os ingleses precisam se expor a ele – alguém precisava conter o cachorro louco – porém o sahib não podia se arriscar a morrer de insolação. “Proteção adequada para a cabeça, os espessos capacetes de poupa de madeira ou de cortiça são essenciais”, ensinava o manual médico-padrão do Império, no ano da batalha de El Alamein. “Forros para proteger a nuca são importantes, bem como leques e guarda—sóis.” Os americanos, que tinham um império, andavam pela África toda com as cabeças descobertas. Isso encorajou os oficiais médicos do General Montgomery, na campanha do deserto, a se desfazer do capacete de cortiça, pois os espiões de Hitler que observavam no outro lado das pirâmides informavam exatamente o número dos soldados que chegavam da Grã-Bretanha contando os capacetes que desfilavam pelas ruas do Cairo.

Esse medo doo Sol afetou o jogo favorito do Império. As acomodações em qualquer pavilhão de críquete, hoje em dia, bem como o próprio Lord, não são atingidas pela luz do sol. Os que ficam no lado oposto são obrigados a enfrentar o perigo de uma insolação, nos lugares mais baratos, para assistir às partidas de campeonato. Nas festas ao ar livre e piqueniques, as damas eduardianas envolviam-se em musselina e tule e giravam seus guarda-sóis, defendendo-se da gloriosa inconveniência. Do meio para o fim do século, gradualmente as damas passaram a tirar toda a roupa sob os raios do sol, e agora estão se vestindo outra vez, freneticamente. A sabedoria de continuar mortalmente depois dos feriados começa a ser aceita, em face da realidade comprovada do mal que o sol pode fazer à pele.

A insolação não é causada pela luz do sol, mas por deficiência de sal. Isso foi perfeitamente ilustrado por Sir Victor Horsley (1857-1916),o cirurgião de cérebro, de Londres, que inventou a cera Horsley para controlar a hemorragia craniana. A cera era uma adaptação da cera de modelagem. O pai de Horsley era um membro da Academia Real que se opunha ferozmente aos modelos nus. Sir Victor condenava também o fumo e o álcool. Ele afirmava com determinada convicção que a insolação era causada pelos elegantes goles de bebida, e não sair para o sol sem seu capacete de cortiça. Ele provou isso na Mesopotâmia, saindo com a cabeça descoberta, e logo depois morreu de insolação.

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Fábulas febrífugas
22 de setembro de 2013 | Autor:

Os acessos de febre da malária, de dois em dois dias ou três em três dias, indicam o tempo necessário para que quatro tipos diferentes de parasitas realizem seu ciclo reprodutor assexuado, no sangue. O ciclo sexual é realizado dentro do mosquito. O quinino, com seu gosto extremamente amargo, era o remédio para a malária desde o século XVII. Tradicionalmente este chamado de “chinchona”, por causa da condessa Chinchon, que foi despachada com o marido da Espanha para o Peru e se curou da malária com a casca da árvore quina-quina, nativa do lugar. A eficiência da quina-quina foi descoberta por um paciente com febre alta. A única água que ele encontrou para beber era de um pequeno lago, onde haviam sido jogadas algumas dessas árvores e, por isso, era amarga demais para o paladar das pessoas saudáveis. A condessa mandou moer a casca e generosamente a distribuiu na cidade de Lima, antes de presentear benevolentemente a Espanha com o pó. A condessa morreu antes de o marido ser nomeado vice-rei do Peru; a segunda mulher dele jamais ficou doente e continuou no Peru, mas a boa ficção é mais estranha do que a verdade. A “casca dos jesuítas”, importada e adulterada com outras madeiras, foi então confiscada pela Europa inteira para curar malária, exceto por Oliver Cromwell, por motivos religiosos.

Na II Guerra Mundial, o Império Britânico podia proteger convenientemente seus soldados com mepacrina, um medicamento que os inteligentes químicos alemães haviam criado a partir dos corantes de cores vivas que eles sintetizaram em Wuppertal, em 1930. Espalhou-se entre os soldados, como acontece com qualquer medicamento obrigatório, o boato de que a mepacrina provocava impotência. O rumor do bromido no chá dos soldados é tão velho quanto a história dos dois Pensionistas de Chelsea admitirem que o medicamento começava a fazer efeito. A mentira foi negada por meio de cartazes mostrando paxás rodeados por suas mulheres alegremente tomando os comprimidos e declarando que jamais ficariam sem eles. Aparentemente isso convenceu os soldados.

Agora temos melhores medicamentos proentivos contra a malária e melhores inseticidas, mas temos ainda a malária. Não podemos acabar com todos os mosquitos da Tailândia e da Malásia. E os parasitas estão começando a se defender dos medicamentos. Exatamente como os germes combatidos pleos homens na década de 1880.

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As pragas que nos ameaçam
22 de setembro de 2013 | Autor:

A mentalidade germânica saltou para a classificação dos micróbios com a mesma agilidade com que saltou para a metafísica ou o misticismo. A mentalidade britânica explorou as doenças sobre as quais o sol jamais se põe.

O médico hindu Susruta (c. 500 d.C.) suspeitava que a malária era disseminada não pelo ar, mas pelos mosquitos que zumbiam ao fim do dia (com a mesma percepção com que suspeitava que os ratos mortos transmitiam a peste). Marco Polo, no século XIII, observou os cortinados contra mosquitos, que mais tarde velaram os sonhos, as paixões e o suor da insônia do Raj Britânico. Os professores togados de Cambridge eram atacados pela “febre dos pântanos”, mas continuaram, como todo o mundo, a ignorar os insetos que injetavam a febre intermitente, até que em 6 de novembro de 1880 o oficial médico do exército francês na Argélia, Alphonse Laveran (1845-1922), descobriu o parasita unicelular plasmódio nos glóbulos vermelhos do sangue de doentes de malária.

O escocês Sir Patrick Manson (1844-1922) foi diretamente da Universidade de Aberdeen para o Serviço de Alfândega da Marinha Imperial da China, chegando à praia de Formosa numa noite escura de 1866. Três anos antes da descoberta de Laveran ele afirmou, em Hong Kong, que os vermes filária de cinco centímetros causavam a elefantíase, uma condição provocada pelo bloqueio dos condutores de linfa humana que pode causar um edema gigantesco nos membros e obrigar os homens a carregar os testículos num barril, para se movimentarem. Além disso, ele descobriu que as pequenas e extremamente móveis filárias larvais, que invadiam o sangue dos pacientes, eram sugadas à noite pelos mosquitos Culex fatigans, depois incubadas neles e em seguida passadas para outra pessoa. Ninguém acreditou.

Manson voltou voltou para casa e fundou a Escola de Medicina Tropical de Londres. Em 1894, ele conheceu o futuro Sir Ronald Ross (1857-1932), nascido na Índia, filho de um general de pescoço grosso, com um bigode espetado de oficial não comissionado, que acabava de desembarcar do navio P&O, de licença do Serviço Médico da Índia. Manson apresentou a ele, por meio de um microscópio, o parasita da malária do oficial francês da Argélia. O estudioso Ross, de volta ao seu laboratório na frente da estátua da Rainha Vitória, voltou a encontrar o parasita no estômago do mosquito anofeles, que tem pontos escuros nas asas.

Tamanho foi o júbilo do Império britânico com a elucidação da doença que devastava indiscriminadamente e impertinentemente os nativos e seus governantes de capacetes de cortiça e abanadores para espantar os mosquitos, que essa data foi denominada “dia da malária”, comemorada com enormes almoços no Instituto Ross em Putney. Ross também escrevia poesia, que agradava imensamente a Oliver Sitwell. Outro bacteriologista/poeta foi Max von Pettenkofer (1818-1901), da Bavária, parecido com Vitor Hugo, que cometeu suicídio. Von Pettenkoffer duvidava com tanto ardor da descoberta de Koch, em 1884 — que a cólera causada por um germe móvel, com a aparência de uma vírgula — que tomou publicamente um copo inteiro de água contaminada. Ao contrário de Tchaikovsky, ele saiu ileso.

A teoria de Sir Roland Ross foi definitivamente comprovada por Manson. Ele fez com que um jovem fosse picado por mosquitos, o jovem apanhou malária; esse jovem era seu filho. O Império imediatamente declarou guerra aos mosquitos, devastando seu habitat, matando—o em pleno vôo, protegendo seus alvos com repelentes. Os americanos, como em duas outras ocasiões, acompanharam o Império nessa luta.

A companhia francesa que começou a construção do Canal do Panamá, faliu em 1880. Tinha empregado 86.000 homens, dois quais 52.816 adoecem e 5.627 morreram, quase todos de febre amarela. A febre amarela é uma icterícia explosiva, uma doença viral transmitida pelo mosquito tigre, listrado. Isso foi provado repetindo se a tradição de Manson por dois bacteriologistas de Baltimore, James Carrol (1854—1907) e Jessie Lazear (1866—1900), ambos picados por mosquitos infectados.Carrol se curou, Lazear morreu.

O chefe da estratégia americana na guerra do canal foi o major Walter Read (1851-1902), um bacteriologista da Universidade John Hopkins que já havia exterminado o mosquito em Havana. Seu comandante de campo era o enérgico Coronel William Crawford Gorgas (1854-1920), de Mobile, que havia sobrevivido a um ataque inimigo quando servia como cirurgião do exercito, no Texas. O Coronel Gorgas entrou em ação com lança-chamas, grupos de ataque, guerra química, armadilhas aquáticas e multas por abrigar o inimigo, matando com clorofórmio todos os prisioneiros. O preço da sua ofensiva foi calculado em 10 dólares por mosquito. Quando o canal foi aberto, em 1913, a Zona do Canal – em relação ao índice de mortalidade – era duas vezes mais saudável do que os EUA na época.

A mosca tsé-tsé, com dois centímetros de comprimento, marrom, sugadora de sangue, transmite aos serem humanos a doença do sono, uma das muitas do vasto reservatório de doenças provocadas nos animais selvagens pelo protozoário de cauda longa, o tripanossoma. O tripanossoma foi descoberto no sangue dos doentes em 1849 por Sir David Bruce, depois ele foi transferido de seu posto em Malta para a Zuzulândia. A mosca tsé-tsé foi notada por David Livingstone (1813-1873), ex-operário de Glasgow, médico missionário, explorador, descobridor da grandiosa Catarata Vitória e que durante 30 anos sofreu de uma fratura não soldada no braço, causada por uma mordida de leão. Ele vira a mosca em 1857, 14 anos antes de ser perder na selva.

Hoje, um terço das mortes no mundo tem alguma relação com moscas.

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O show da salmonela
22 de setembro de 2013 | Autor:

Tantas bactérias e subespécies de bactérias estavam sendo descobertas no reinado da Rainha Vitória e de seu neto, o Kaiser Guilherme, que exigiam uma classificação numa lista telefônica microbiana. O grupo Salmonela, irriqueto, abanando as caudas, compreende hoje mais de 1.000 espécies diferentes que provocam infecção intestinal. Passaram a ser o tema das conversas quotidianas e levaram o pânico ao povo e aos políticos da Grã-Bretanha, em 1988, provocando a espetacular renúncia da subsecretária de saúde, Edwina Currie (1946).

O homem com sua notável engenhosidade, criou fornos de micro-ondas e comida congelada, meios ideais para a propagação dos seus inimigos unicelulares invisíveis. E seu confortável ar condicionado transformou numa ameaça assassina os antes ignorados cocobacilos, que agora disseminam a doença dos legionários. Como um recurso de economia, a alimentação das galinhas com suas próprias fezes, ricas em salmonelas, transformou o ovo do desjejum dos ingleses em Borgias levemente cozidas, levando as granjas da Inglaterra à ruína, como as vinícolas francesas no passado. O primeiro a classificar as salmonelas foi Daniel Elmer Salmon (1850-1914), um americano de porte distinto, de cabelos brancos, sobrancelhas espessas, bigode aparado e barba em ponta. Fiquei intrigado quando vi sua fotografia no Museu Wellcome de Medicina. com qual pessoa notável se parecia aquele guru das doenças intestinais? Até encontrar na rua seu sósia, o amigo de todo mundo, o santo sanitário Coronel Saunders.

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Provavelmente apenas um vírus
22 de setembro de 2013 | Autor:

A doença do mosaico que assolou as plantações de tabaco, em 1892, e a febre aftosa que atacou o gado, em 1898, indicavam que algumas doenças podiam ser transmitidas sem bactérias. Era possível passá—las experimentalmente para um fluido infectável, e isso significava passar pelo filtro impermeável a todos os outros micróbios conhecidos. Os culpados seriam os vírus, que se reproduzem (assexuadamente, por fissão binária) somente no interior das células vivas. São menores do que as bactérias e visíveis somente no microscópio eletrônico. alguns não são mais do que ácido nucléico envolto em proteína. Alguns são tão simples que podem se cristalizar: substâncias químicas vivas, como nós. Talvez tenhamos começado assim, como a espuma do limo viscoso do começo do mundo.

Os vírus ameaçam as criaturas humanas com doenças desagradáveis e perigosas, desde a poliomielite e a pneumonia até resfriados e verrugas. Egoisticamente, nós nos vemos como alvo principal do exército vasto de voraz das bactérias e dos vírus. Porém, os animais, os peixes, as flores e as árvores, insetos e ostras, todos têm a sua saúde e a vida ameaçadas pela infecção. Seguindo o princípio de Swift de que as pulgas têm pulgas menores que as picam, até as bactérias ficam doentes e morre, vítimas dos pequenos vírus bacteriófagos, que parecem girinos, descobertos em 1915. Nós todos vivemos de alguma outra coisa. Nosso mundo é um paraíso de parasitas.

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O método nos seus micróbios
22 de setembro de 2013 | Autor:

Em 1771, o sensato Dr. Tobias Smollett podia resumir francamente:

Existem armadilhas para nossas vidas em tudo que comemos e bebemos. O próprio ar que respiramos está carregado de contágio. Nâo podemos nem mesmo dormir sem correr o risco de uma infecção.

“O francês Louis Pasteur ensinou aos médicos que as misteriosas “coisas” infecciosas que transmitem as doenças são coisas vivas. A classificação dos tipos exatos dessas coisas foi um obstáculo demolido pela mente bem ordenada dos alemães.”

No outro lado da guerra de 1870 lutava Robert Koch (1843-1910), clínico geral numa cidadezinha em Wollstein, na Renânia, que, farto de longas e duras jornadas e pacientes rústicos, procurou diversão intelectual no microscópio. Começou estudando um bacilo vigoroso descoberto em 1863 pelo francês Casimir Davaine (1812-1882), especialista em tênia ou solitária. Com os olhos objetivos de um médico do campo, Koch observou a tendência do bacilo para formar cadeias infindáveis e desaparecer em esporos de longa duração e sorrateira virulência. E que causava o antrax.

Essa foi a sensação médica de 1876. Robert Koch associou o germe à doença como causa e efeito, um casamento patológico no qual ninguém havia pensado.

O antrax, no homem ou no animal, com as pústulas sangrentas na pele, a “doença dos cardadores de lã” de rápido e letal desenvolvimento e que ataca os pulmões, era atribuído aos miasmas do campo. Koch provou que o antrax era uma infecção identificável, causada por um agente identificável. Melhor ainda, ele tingiu com corantes de cores vivas esses inimigos invisíveis e descobriu o que eles comiam enquanto proliferavam abundantemente no cativeiro (consommé de carne, frio), e tirou fotografias (hã!?!?!) espetaculares deles. “C’est un grande progrès!” foi como Pasteur o saudou alegremente, quando foi a Londres para tentar a cultura de uma forma de virulência atenuada do bacilo do antrax, para a vacina que salvaria a carne e o queijo da França.

Koch escreveu os Postualdos de Koch:

  1. O germe causador da doença deve estar presente em todos os casos da doença, e deve ser encontrado no corpo sempre que a doença aparecer.
  2. Extraído do corpo, o germe deve crescer numa cultura pura de laboratório, por várias gerações microbianas. (As bactérias não têm vida sexual, elas se dividem em duas indefinidamente.)
  3. Essa cultura deve transmitir a doença a um animal suscetível, ser recolhida dele numa cultura pura e transmitir a doença para outro infeliz animal.

Essa prova de um micróbio específico causar uma doença específica continua inviolada desde sua criação, em 1881, exatamente como o Túnel Mersey.

Em 1879, Albert Neisser (1855-1916), dermatologista de Breslau, descobriu o gonococo. Armauer Hansen (1841-1912), de Bergen, justificou o Levítico descobrindo o bacilo da lepra (a Noruega estava se tornando uma nação de leprosos). Em 1880, Pasteur descobriu o estreptococo e o estafilococo, que causam vários tipos de infecções. Karl Joseph Eberth (1835-1926), um patologista com barba espessa, de Halle, descobriu o bacilo do tifo. Em 1882, Koch descobriu o micróbio causador da tuberculose. Aquele que mais tarde seria seu sucessor no novo Instituto para Doença Infecciosas, Fredrich Loëffler (1852-1913), de Königsberg, o bacilo da difteria.

Koch descobriu o bacilo da cólera em Berlim, em 1884, Albert Fränkel (1848-1910) descobriu o da pneumonia e Arthur Nicolaier (1862-?) descobriu o bacilo do tétano. em 1886, Theodor Escherich (1857-1911), de Munich, que usava barba em ponta, identificou o bacilo coli, que atacava os intestinos de todo mundo. Erguendo a bandeira do Reino Unido, Sir David bruce, em 1887, descobriu o micróbio da febre de Malta, enquanto Anton Weichselbaum (1842-1920), na Áustria, descobriu o micróbio da meningite. em 1889, outro discípulo de Koch, Richard Pfeiffer (1858-1945), em Breslau, descobriu o bacilo da gripe, ou influenza, que infelizmente não causa a influenza. Em 1892, desfralda-se a bandeira das listras e estrelas quando William Welch (1850-1934) descobriu o terror dos exércitos, que desprezava o oxigênio, o bacilo da gangrena gasosa. E em 1894 ergue-se a bandeira do sol nascente, quando o gordo Shibasaburo Kitasato (1852-1931), também discípulo de Koch, descobriu, com o francês Alexander Yersin (1862-?) o germe da peste bulbônica, que espalhou o terror através dos tempos.

Dezoito anos, e dezoito assassinos de massas identicados e encurralados.

“Ó mundo invisível, nós o vemos,
Ó mundo intangível, nós o tocamos,
Ó mundo não identificável, nós o identificamos,
Inapreensível, nós o agarramos.”

Os bacteriologistas podiam agora declamar a apóstrofe do ex-estudante de medicina Francis Thompson (1859-1907) à vida espiritual, mas de modo mais prático e útil. Robert Koch ganhou o prêmio Nobel em 1905, e suas cinzas repousam no Instituto Koch, em Berlim.

 

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Medicina pasteurizada
22 de setembro de 2013 | Autor:

Em 1856, a indústria francesa de vinho praticamente fechou. Garrafa após garrafa de vinho avinagrado era devolvida iradamente aos sommeliers, seu conteúdo despejado nos esgotos, quebradas com desespero contra a parede. A cerveja também estava horrível. Os vinhateiros de Bordeaux chamaram o professor de química de Lille, uma autoridade em fermentação como Flaubert era, em Rouen, autoridade em adultério.

Louis Pasteur (1822-1895), do Jura, era filho de um curtidor de peles, veterano da la grande armée. Em 1864, Pasteur descobriu que aquela trágica acidificação do vinho não era produzida por alguma química maligna, mas por organismos microscópicos vivos, gerados não pela própria bebida agradável, mas que estavam no ar. O desastre enológico podia ser evitado matando os organismos, o que podia ser feito aquecendo o lagar a 60 graus centígrados. Aquelas safras tão bien chambrées foram consumidas com tanto alívio e alegria que a indústria vinícola da França teve um lucro sem precedentes de 500 milhões de francos naquele ano. Pasteur observou então que os fermentos da boa cerveja eram esféricos, e os da cerveja azeda, elípticos, uma distorção provocada por micróbios. Assim, ele pasteurizou a cerveja também.

Na mesma época, os lucros anuais da indústria francesa da seda caíram de 130 bilhões para 8 milhões, porque o bicho-da-seda contraíra pébrine, doença da pimenta-negra. O bicho-da-seda gosta de amora, mas as plantações de amoreiras nas Montanhas Gévennes, do Languedoc, estavam se transformando em cidades fantasmas, atacadas pela vermiculite. Desesperados e confusos, os sericultores procuraram Pasteur.

Ele foi de Paris para Alais, no sul, e os presenteou com a descoberta de que a epidemia não era causada por um micróbio vivo (era um protozoário, um organismo unicelular como a ameba, que provoca a desinteria, mas naquele momento ele não podia por as mãos nele). Pasteur descobriu outra doença, a flâcherie, diarréia do bicho-da-seda. A cura para as duas consistia em separar os insetos que apresentavam os pontos cor-de-pimenta – os camponeses os guardavam em garrafas com conhaque, para mostrar aos entendidos – e higiene rigorosa da folha da amoreira. Logo o farfalhar da seda foi ouvido em nossa terra.

É reconfortante pensar que a gênese da anestesia foi o costume de cheirar “éter por bincadeira” (não seria por brincadeira? está escrito assim no livro), e que a bacteriologia – com suas benevolentes ramificações de inoculação e antibiótico – foi um copo de vinho, uma caneca de cerveja e um belo vestido. Nossos instintos para o prazer têm seus efeitos colaterais positivos.

Os gados bovinos e ovino da França estavam passado por uma fase terrível, também. Estavam sendo dizimados pelo antrax, extremamente doloroso. Em 1881, a vaciona contra o antrax, de Pasteur, reduziu a mortalidade por essa doença a 1% entre as ovelhas e a 0,34% no gado bovino. Todas as galinhas apanharam cólera. Pasteur viajou nos feriados e esqueceu no laboratório um espécie do fluido bacteriano que infectava as galinhas, e saiu para uns dias de descanso. Ele voltou para descobrir que sua cultura de bactérias em crescimento tinha enfraquecido, e concluiu que era ideal para inoculação contra a epidemia – como durante outro feriado, que veremos mais adiante, num clima menos ameno, o bolor da penicilina cresceu satisfatoriamente para Alexander Fleming. É muito inteligente ganhar o prêmio nobel in absentia.

Jupitile e o cão - clique para amplairCom a medula de cães raivosos Pasteur criou a vacina que salvou a vida do garoto pastor Juptile, eternizado na estátua que o mostra lutando contra um cão raivoso, no 15º arrondissement. Ele enfeita o jardim nos fundos do Instituto Pasteur, onde está enterrado nosso descobridor de micróbios vivos e da inoculação científica para combater sua incessante campanha contra nós.

A mente de Pasteur foi a luz e o fim do túnel da infecção, que não tinha começo. O valor em dinheiro das suas descobertas foi usado pela França para completar a indenização exigida pela Alemanha pela guerra de 1870-1871. Pasteur teve uma vida simples, séria e espiritual, e fez tudo isso a despeito de ter sofrido um sério derrame, em 1868. Sua filha de 12 anos morreu de febre tifóide, 15 anos antes de ser descoberto o germe dessa doença. A aplicação do seu gênio ao leite, no século XX, fez com que o nome de Pasteur passasse a aparecer na soleira de todas as portas da Grã-Bretanha.

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A guerra dos mundos
22 de setembro de 2013 | Autor:

Por ocasião do nascimento de H. G. Welles, em 1886, ninguém conhecia a existência do exército de micróbios na terra. Quando ele morreu, em 1946, nós os estávamos atacando aos poucos, com algumas vitórias. Os humildes e micro-organismos herdaram a terra antes de nós, são em número infinitamente maior do que nós, eles nos matam sorrateiramente, restringem nosso prazer sexual, eles pilotaram nossa história e comandaram nossos pensamentos, eles nos massacraram intermitentemente, e eles nos reduzem ao medo abjeto e à meticulosidade absurda, eles estarão aqui depois de nós. A descoberta desses micro-organismos na segunda metade do século passado foi uma materialização de duendes, diabretes e feiticeiros que desde o início dos tempos dançam na memória dos povos. É um mundo de insetos.

O décimo terceiro capítulo do Levítico é um manual perfeito de saúde pública. Para o controle da lepra, as roupas do doente são queimadas – seja qual for a utilidade ou o material – e gritando “Impuro, impuro” ele desaparece no isolamento. Casais com gonorréia enfrentam uma quarentena de uma semana, tudo em que ele sentam é lavado, incluindo suas selas. O homem sempre soube que podia apanhar uma doença de outra pessoa ou de alguma coisa – mas apenas vagamente, como imagina ainda que o vento frio traz romantismo. O próprio Hipócrates não chegou a conceber a idéia de infecção.

A febre era atribuída aos deuses, ou mais especificamente ao ar impuro – malária significa, em italiano, o tremor de frio provocado pelas emanações venenosas dos Pântanos Pontine. Foram necessárias as pragas devastadoras da Idade Média para que se começasse a suspeitar de que algo sólido pode transmitir doenças de uma pessoa para outra. Em 1546, um médico jovial e poeta de Verona, Hieronymus Fracastorius (1483-1553) dizia no De Contagione que as epidemias que assolavam as margens do Lago Garda progrediam por meio de sementes invisíveis. Essas sementes propagavam-se rapidamente, levadas pela respiração ou pelo ar, ou por beber num mesmo copo ou dormir com a mesma mulher, por meio de roupas, pentes, moedas, qualquer coisa infectada, que ele chamava de “fomites”. Ele só não descobriu que as sementes eram vivas, tanto quanto ele.

Não aconteceu muito mais do que isso na conquista da infecção, até 17 de setembro de 1683.

O nosso arrojado almofadinha e de Delft, Antony van Leeuwenhoek, estava tão na moda como criador do microscópio quanto seu contemporâneo Stradivarius, o fabricante de violinos. Naquele dia de setembro ele tirou restos de comida de seus dentes e descobriu pequenos animais “Mais numerosos do que a população dos países baixos, todos se movimentando alegremente”. Eram bactérias nos seus típicos aglomerados e cadeias, tão conhecidos hoje em dia. Esses “Animalúculos” persistiram na mente dos médicos como sendo gerados, a exemplo das larvas, pela própria carne putrefata. Assim como os chineses supunham que os insetos eram gerados pelo bambu molhado, as abelhas surgiam de vacas mortas e a lama do Nilo, cozida pelo sol, produzia rãs e cobras, se não crocodilos.

Quando Francesco Redi (1626-1697), da Toscana, antecipou a Sra. Pooter, cobrindo a carne para protegê-la das moscas, ele acabou com as larvas. Elas não brotavam espontaneamente. Omne vivux ex ovo, anunciou ele, até uma larvas tem mãe e pai. Somente Homero teve a idéia antes:

“Mãe”, queixou-se Aquiles em Tróia, “Tenho um medo terrível de que nesse meio-tempo as moscas profanem o corpo de meu senhor Patroclos, pousando nos ferimentos abertos e depositando vermes neles.”
“Meu filho”, Tetis o tranquilizou, “Vou providenciar para que as moscas sejam afastadas, salvando-o assim dessas pestes que devoram os corpos dos homens mortos em batalha.”

O tratamento preventivo da mãe Tetis consistia em Ambrósia e néctar vermelho, administrado pelo nariz.

As modas dos tratamentos aparecem tão absurdamente quanto na alta-costura. Aquelas larvas que rastejavam repulsivamente em volta dos ferimentos só estavam fazendo o bem. Avidamente elas limpavam os restos sépticos de pele morta, de carne e de pus, e estão agora sendo recrutadas para atuar como abutres não-tóxicos do corpo. Para uma infecção do ouvido externo, nada melhor do que uma larvas na orelha.

Ninguém foi muito adiante até a chegada da maior médico do século XIX, que não era qualificado.

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Homens, micróbios e história
22 de setembro de 2013 | Autor:

O verão de 1894 foi terrível em Woking. Os marcianos aterrissaram. Eram grandes como ursos, pele oleosa, dois olhos enormes e a baba e escorria das bocas repletas de tentáculos móveis como fios de cabelo. Não comiam nunca – não tinham entranhas – mas injetavam o sangue humano nas suas veias. Nunca dormiam nem ficavam cansados. Gritavam “ulla, ulla, ulla, ulla!” o tempo todo, se reproduziam como botões de flores. Estenderam um tapete emaranhado de mato vermelho que emitia raios quentes fatais e gás negro venenoso. Os invasores avançaram pela estrada de Chobham e tomaram a sossegada Byfleet, a despeito dos hussardos e dos Maxins. Weybridge caiu, Shepperton foi devastada, a população de Londres fugiu para Barnet. Os marcianos continuaram seu caminho assassino até Primrose Hill, onde todos contraíram uma doença e morreram. Eles haviam conquistado o homem, mas não tinha nenhum fator de resistência às bactérias que pululavam na terra dos homens. Nossos germes nos salvaram. Destruíram também o tapete de mato vermelho.

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Corpo e alma
22 de setembro de 2013 | Autor:

Nosso corpo é o mesmo velho corpo do homem primitivo. É sujeito às mesmas velhas doenças. Nossos crânios são ainda os mesmos nos quais os artigos bem – intencionados, com uma lógica dolorosa, faziam buracos para aliviar dores de cabeça ou libertar os demônios da loucura. As múmias sofreram de apendicite, artrite e dentes estragados. Para mumificar, insere-se um gancho no nariz para retirar o cérebro, abrem-se os flancos e rega-se com especiarias e sal durante 70 dias. Até os dinossauros tinham problemas de coluna.

Os cadáveres eram a terra comum na qual a medicina pastava e engordava. O material era filantropicamente fornecido por criminosos, para os quais a dissecação sangrenta assustava mais do que a ameaça da forca. Quando o estoque ficava baixo, em Edimburgo, para o cintilante professor Robert Knox (1791-1862), Burke e Hare sempre podia me desenterrar alguém para ajudar. O problema desses dois homens era a preguiça. Para não ter de acompanhar enterros, evitar cautelosamente os parentes do morto e cavar no escuro, com pás de madeira para não fazer ruído, eles embriagavam corpos vivos com whisky, estrangulavam e os vendiam por 7,10 libras cada um. Era enorme o número de “ressurrescionistas”, até que a Lei Britânica da Anatomia, em 1832, substituiu o preenchimento de um formulário por voluntários visionários. Houve um grande debate em Montreal, em 1875, quando o tifo dizimou os ocupantes de uma escola/convento, e as freiras e crianças foram roubadas antes que os pais americanos chegassem para levar os coros para casa.

Os anatomistas gravaram seus nomes em nós, com o mesmo amor que os namorados gravam seus nomes nas árvores. Nós abrigamos as criptas de Lieberkühn no envoltório dos intestinos. O círculo de Willis, que é a junção das artérias na base do crânio. A ampola de Vater, que guarda a extremidade do duto biliar. O forame de Wilson, uma abertura no peritônio, abaixo do fígado. A fossa de Rolando, no cérebro, a bainha de Schwann, nos nervos. O saco de Douglas, atrás do útero, o canal de Alcock, na pélvis (“não na vagina”, zombam os estudante de medicina). O nervo de Bell, no peito, o músculo de Santorini, na face, o ligamento de Poupart, na virilha, o triângulo de Scarpa, na coxa… Você encontra, dá nome à descoberta. Esse egoísmo exuberante fez de nós gloriosos Panteões ambulantes para os maiores médicos de cinco séculos. E por que não?

Nesse meio tempo os médicos fizeram a vontade da igreja, procurando a alma, porém nem Sir Thomas Brown, da universidades de Oxford, Montpellier, Pádua e Leyden, conseguiu encontrá-la. René Descartes (1596-1660), que promoveu l’homme-machine (o homem era um deux-chevaux, Deus, seu criador, com o Espírito Santo no tanque), descobriu a alma na glândula pineal, uma gotícula atrás do principal ventrículo do cérebro. Ninguém sabe o que faz a glândula pineal, mas nos faz mais felizes à luz clara do sol, portanto talvez ele estivesse certo.

Willian Harvey escreveu em Exercitatio Anatomica de Motu Cortis et Sanguinis in Animalibus:

É possível que o movimento do sangue no corpo se processe desse modo. Todas as partes devem ser alimentadas, aquecidas e ativadas pelo sangue, perfeitamente vaporoso, mais quente e, por assim dizer, nutriente. Por outro lado, em certas partes o sangue precisa ser resfriado, espessado e figurativamente usado. Dessas partes ele volta ao ponto de partida, ou seja, o coração, como para a sua fonte ou o centro da economia do corpo, para ser restaurado ao seu estado anterior de perfeição. Então, com o calor natural, poderoso e abrasador, uma espécie de armazém de vida, ele é reliquefeito e impregnado com espíritos e (se posso dizer assim), adoçado. Do coração ele é redistribuído. E tudo isso depende o movimento de pulsação do coração.

Hoje, isso é descrito desse modo:

  • Exitação elétrica do coração
  • Miocárdio em funcionamento (sem marcapasso)
  • Alterações no potencial de membrana
  • Fase 4
  • Potencial de repouso (-90mV)
  • Potencial próximo do equilíbrio-K

Cientificamente, embora seja deprimente, não passamos de sacos à prova d’água cheios de produtos químicos carregados de eletricidade, que um dia sofrem uma pane de força. Assim são os nossos cães, os pássaros no jardim, os elefantes no zoológico, os camundongos na cozinha, os peixinhos dourados, as libélulas nas rosas, a unicelular ameba que nos dá desinteria, o vírus da gripe. Ao contrário deles, ao contrário até dos macacos que saltam de galho em galho, logo abaixo de nós na árvore da evolução, nós sabemos que vamos morrer.

“Este corpo não pode ser tudo que eu sou – esse é o brado humano” reconhece C. P. Snow. Assim a humanidade concebeu a vida eterna, de uma mistura de medo e vaidade. E Deus tornou-se uma feliz criação humana, como Mickey Mouse.

“Onde há três médicos, há dois ateus”, diz o provérbio medieval latino. Contudo, certamente qualquer médico ficaria agradavelmente surpreso se reacordasse numa nuvem, tocando harpa ao lado de Bertrand Russel, que filosofou com firmesa: “Quando eu morrer, vou apodrecer”, 97 anos antes que isso acontecesse.

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Olá, Renascimento!
22 de setembro de 2013 | Autor:

Leonardo da Vinci (1452-1519) foi um anatomista casual. A rainha conserva em Windsor seu encantador desenho de um casal cortado ao meio, fazendo sexo. Estão de pé, e o desenho apresenta em corte longitudinal o pênis firmemente inserido na vagina, com nervos vigorosos transmitindo o prazer para a medula espinhal do homem, seu coração bombando o sêmen para fora do escroto por um longo tubo espinhal e o útero dela ligado ao mamilo. O detalhe que acompanha o desenho, um pênis cortado como uma linguiça, mostra corretamente as cavernas esponjosas, inundadas de sangue durante a ereção. A outra ilustração, representando a genitália feminina, faz lembrar a robustez da entrada de uma catedral. Tudo uma concepção razoável dos eventos.

Em Paris, o estudante de medicina Andreas Vesalius (1514-1564) encontrou, fora dos muros Louvain, perto de Bruxelas, onde nasceu, um patíbulo onde balançavam um esqueleto dissecado completo com ligamentos. Ele correu para casa com aquela preciosidade – qualquer esqueleto humano era uma avis rara – ele iniciou sua carreira, que culminou com um anfiteatro anatômico lotado, em Pádua (Ticiano pintou o quadro). A perfeição artística do belo átlas anatômico de Vesalius, De Humani Coporis Fabrica, mostra os corpos esfolados, os músculos abrindo-se como pétalas de uma flor, a vivacidade vigorosa dos tenistas de Wimbledon. Ele demonstrou bravamente que Galeno, depois de descobrir que a mandíbula era um único osso, não dois, que o esterno é formado por três ossos, não sete, e que os filhos de Adão não têm uma costela a menos, e portanto, Eva deve ter vindo de algum outro lugar. Tudo isso provocou a ira dos que, desde o começo do mundo, se julgavam importantes .

A heresia e a blasfêmia persistiam como disfarces pomposos para oprimir a liberdade da palavra, a qual sempre escolhe assuntos que provocam implicitamente nos opressores um mal-estar secreto. O próprio Papa Urbano VIII devia perder o sono, imaginando que talvez Galileu estivesse certo, e e pur si mouve. Michael Servetus (1509-1553) foi queimado vivo por Galvin, numa fogueira alimentada por seus livros, por ter descoberto a circulação pulmonar. Vesalius foi obrigado a abandonar a anatomia quando tinha 30 anos, e foi ser médico da corte em Madri. Ele dissecou um nobre espanhol, que se moveu alarmantemente sob o bisturi, o que provocou a ira da Inquisição, que o condenou a uma peregrinação expiatória a Jerusalém, na qual o navio naufragou e ele morreu de fome na ilha grega de Zante. Depois de Vesalius, vieram Eustáquio (1510-1574) e Falópio (1523-1562), famosos por suas trompas, a primeira no ouvido médio, a outra na pélvis feminina.

No século XI, Salerno, da Dame Trot, foi o primeiro centro de excelência médica, uma expressão usada hoje para designar a si próprios por Guy Bart, Tommy, etc. Esse balneário popular veio a ser a original Civitas Hippocratica, um ponto de reunião para médicos, numa bela paisagem e isenta de impostos. Napoleão fechou a escola de medicina em 1811. Não existe mais, como o resto da velha Salerno, depois do bombardeio para o desembarque dos aliados em 9 de setembro de 1943.

A escola de medicina de Salerno foi suplantada por excelência, durante o século XIII, pela escola de Montpellier, e depois pela de Leyden, perto de Haia, fundada por Guilherme de Orange em 1575. a Estrela de Leyden era Hermann Boerhaave (1668-1738), um médico prático que lecionava elegantemente em latim, e atraiu estudantes até da América, estendeu sua clínica particular até a China e deixou dois milhões de florins. Durante um breve período, Montpellier abrigou o bêbado, errante, agressivo e arrogante Paracelso (1668-1738) de Zurique, que começava suas aulas queimando as obras de Galeno e desdenhava os médicos tradicionalistas, seus contemporâneos, médicos com manto de veludo e que falavam latim. “Eu não agrado ninguém, exceto aos doentes que curo”, gabava-se ele, com razão. Montpellier produziu o único papa médico, João XXI, que morreu quando o teto lhe caiu em cima.

Sessenta e cinco anos depois de Vesalius se tornar seu professor de anatomia e cirurgia, Pádua ensinou Willian Harvey (1578-1657), de Folkstone, que era baixo, moreno, com cabelos crespos, agitado e falante e que voltou para casa para trabalhar no Hospital São Bartolomeu e para James I e Carlos I.

Todo o mundo sabia que o sangue se movia, fosse pela observação da artéria de uma orelha abatida, fosse pela tendência do homem para mater e ferir seus semelhantes (Harvey sempre usava uma adaga no cinto). Até o século XVII, imaginava-se que o sangue saía e entrava, como as marés. Em 1628, Harvey demonstrou que ele percorria um caminho circular, como a música da década de 1930.

Havia uma dúvida: como o sangue voltava ao coração através da carne? Galeno havia dito que ele passava de um lado para o outro do coração. “Somos levados a admirar o maravilhoso artesanato do Todo-Poderoso”, comentou Vesalius, sarcasticamente, “que faz o sangue se escoar do ventrículo direito para o esquerdo por passagens invisíveis ao olho humano”. A resposta tantalizou os estudantes de Harvey durante 32 anos.

O microscópio foi inventado acidentalmente por um óptico holandês que introduziu duas lentes num tubo. Antony van Leeuwnhoek (1632-1723), de Delf, explorou a invenção – ele tinha 247 microscópios e foi o primeiro homem a ver o próprio espermatozóide. O microscópio, de Marcello Malpighi (1628-1964), de Bolonha, revelou o elo que Harvey procurava, mostrando o corpo todo percorrido por capilares minúsculos que canalizavam as artérias para as veias. A partir de então, o corpo foi alegremente examinado ao microscópio e estudado pela anatomia por toda a Europa.

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A impopularidade da morte
22 de setembro de 2013 | Autor:

Timor mortis conturbat me – a ideia da morte me deixa morto de medo, exclamou Willian Dunbar (?1465-?1530), o Chaucer escocês, se é que tal transmigração é possível. Esse temor compreensível criou a religião e a medicina.

A antiga igreja católica era contra os médicos. Eles interferiam no negócio da morte. Os corpos aninhados em volta de suas torres de marfim enfatizavam o fato de que a recepção dos seus patronos seria tão calorosa no céu quanto o castigo dos outros no inferno. A causa da suprema era, evidentemente, o pecado, seu tratamento era oração, o jejum e o arrependimento. Os santos dirigiam o corpo. Santa Blaise se empregava da garganta. Santa Brígida dois olhos, e Erasmo das entranhas, Dympna era o psiquiatra, São Lourenço especializava-se em dores nas costas, São Fiacre, em trairia traseiros doloridos (ou ele deu o nome à pequena carruagem francesa). São Roque distribuía as pragas, São Vito tinha sua dança, O Fogo de Santo Antônio assava os membros, acesos pela infecção ou pelo envenenamento pelo ergot do pão de centeio. A primeira operação de transplante foi feita pelos santos gêmeos, Cosme e Damião, que substituíram a perna ulcerada de um homem branco pela de um negro morto recentemente (de Sedano representou isso em seu quadro). Os gêmeos foram decapitados em 303d.C., acusados de serem empecilhos não ortodoxos.

Pior ainda, o corpo humano era considerado sagrado e a dissecação proibida(os muçulmanos continuam com essa crença). Desse modo, o conhecimento do corpo permaneceu à flor da pele.

Galeno reclamava que um médico sem anatomia era um arquiteto sem plano, mas ele também tinha de se contentar com a dissecação dos macacos da Berbéria, que enfeitam hoje Gibraltar. Trótula (c. 1050), uma das “damas obstetras de Salerno” as outras eram Abella, Constanza e Rebeca), escreveu De Mulierum Passionibus, foi celebrizada de Navarra a Paris na canção “Dame Trot” pelo famoso trovador Ruteboeuf, mas mesmo assim tinha que dissecar porcos. Ela se consolava com o fato de os porcos serem iguais aos homens, por dentro. No outro lado do Mediterrâneo, na escola de medicina de Alexandria, fundada em 332 a.C., Herófilo e Erasístrato (c. 300 a.C.) já tinham a solução anatômica: eles dissecavam vivos os criminosos da prisão real. ” Sem dúvida, o melhor método para aprender “, escreveu Celso, aprovando.

A anatomia estava morta e a medicina nasceu morta. A religião é sem dúvida a Coisa Boa, oferecendo os meios valiosos para instalar sobre os ombros do homem auto-afirmativo o peso de alguém mais importante do que ele, com um conjunto excelente de regras com as quais, na maior parte das vezes, ele não consegue dirigir sua vida, oferecendo esperança, consolo, orientação e humildade, além da maravilhosa arquitetura da Basílica de São Pedro e do Taj Mahal. Mas ela sufocou a medicina durante 15 séculos.

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A bomba do tempo de Hipócrates
22 de setembro de 2013 | Autor:

Todo mundo conhece Hipócrates (460-370 a.C.). Isso por causa do Juramento, que poucos médicos sabem de cor, ou lembram, a não ser a proibição de fazer sexo com as pacientes. Os Preceitos que adornam o Juramento advertem os praticantes da medicina contra cobrar demais, vestir-se com elegância excessiva e usar perfume, ao mesmo tempo aconselhando um corte de cabelo decente e unhas aparadas, encorajando a suposição de um modo agradável de tratar os pacientes (a expressão em inglês, bedside manner, nos foi legada pelo Punch, em 1884).

Como Watt inventou o motor a vapor, Hipócrates inventou a medicina clínica. É um mecanismo simples, a aplicação prática da observação inteligente. O que importa é o homem doente, não as teorias do homem sobre a doença. E o paciente todo deve merecer atenção, bem como o ambiente que o cerca – medicina holística que foi moda há 21 séculos.

Primeiro Hipócrates:

  • Ele encostava o ouvido no peito para ouvir a fricção das membranas inflamadas, nos casos de pleurisma, que sovama como couro novo.
  • Ele notou o nariz aguçado, os olhos fundo, as orelhas frias da face próxima da morte, a facies hipocratica, usada por Falstaff em Henrique V, quando seu nariz ficou agudo como uma pena e com o “balbúcio de campos verdes”.
  • Ele meditou sobre a respiração estranha de um homem agonizante, desde o caso de “Filisco, que vivia ao lado do muro e caiu de cama no primeiro dia de febre aguda… mais ou menos no meio do sexto dia, ele morreu. A respiração era o tempo todo como a de um homem tentando refazer de um esforço, e espaçada e profunda”.Esses famosos últimos suspiros ressurgiram em 1818 em Dublin, John Cheyne (1777-1836) descreveu um caso de apoplexia. “Durante vários dias sua respiração foi irregular, parava completamente por um quarto de minuto, então começara muito fraca, depois gradualmente ficava pesada e rápida e, aos poucos, parava outra vez. Essa revolução no estado da sua respiração durava mais ou menos um minuto.” Vinte e oito anos depois, Willian Stokes (1804-1878) despertou novamente a atenção dos médicos de Dublin, os nomes desses dois escoceses émigrés foram para sempre ligados ao termo respiração “Cheyne-Stoking” – uma deficiência no centro respiratório do cérebro – que fazia os médicos balançarem a cabeça, o anúncio certo do fim.
  • Hipócrates descobriu que o alcatrão (um anti-séptico) detinha a supuração dos ferimentos. Ele retirava o pus, alinhava fraturas e corrigia deslocamentos da coluna.
  • Ele estabeleceu o princípio: “Nossa natureza é o médico das nossas doenças”. O que significa que a maioria das pessoas melhora, de um modo ou de outro.

Hipócrates nasceu na ilha grega de Cós, na costa da Turquia e ensinava sob um olmo (digno de ser visto por turistas). Ele nos deu a palabra “aforismo”. Ele criou 412 aforismos, tais como:

  • A vida é curta, a arte é longa.” Uma frase deprimente, gravada nas entradas das escolas de medicina.
  • A oportunidade é passageira, a experiência perigosa, o julgamento difícil. O mesmo que a primeira.
  • Casos desesperados precisam de remédios desesperados.
  • Os velhos suportam melhor o jejum, depois os de meia-idade, os jovens suportam mal e as crianças pior do que todos. Daí a fortuna representada por livros com dietas para a meia-idade).
  • Não julgue as fezes por sua quantidade, mas por sua qualidade. “Duas vezes em volta do recipiente e pontiaguda nas duas extremidades”, era o que um velho médico rural considerava erradamente o perfeito.
  • O sono que põe fim ao delírio é bom, sono fora de hora é sonolência indicam doença, bem como o cansaço sem motivo.
  • Os velhos ficam doentes com menor frequência que os jovens, mas levam suas doenças para o túmulo.
  • A morte súbita é mais comum no gordo do que no magro.
  • Se uma mulher saudável pára de menstruar e sente enjôo, está grávida. Nós todos sabemos estas coisas. Mas Hipócrates foi o primeiro a saber).

O “Pai da Medicina” foi um ancestral desastroso. Ele nos deixou a tradição hipocrática. Ou seja: qualquer leigo que diga a um médico como fazer seu trabalho está cometendo uma impertinência ultrajante. Qualquer interferência nos meios que contribuem para a devoção desinteressada de qualquer médico aos seus pacientes é chocantemente imoral.

Hipócrates teria se admirado com a declaração de Platão de que ele era a Autoridade de Saúde na Área de Cós. O próprio Marco Aurélio teria hesitado em descer do Capitólio para dizer a Galeno que seu orçamento ia ser cortado. Eheu fugaces! No fim do século XX, a medicina proliferou tanto e seu custo cresceu tanto, que um tratamento adequado está muito além dos meios dos sofredores assustados e, no futuro, está além dos meios de qualquer cidadão sofredor e pagador de impostos. A não ser que os remédios aprendam a praticar economia, além de medicina, Hipócrates se tornará redundante, porque ninguém mais poderá se dar ao luxo de ficar doente.

Hipócrates brilha elegantemente na galeria de e estátuas antigas dos homens de medicina, com chuva sua barba crespa e testa franzida para os males da humanidade (pode ser vista do Museu Britânico). Frequentemente eles está usando o cajado de Esculápio, o Deus da cura, com serpente enrolada. Na desordem e confusão do Olimpo, Esculápio era filho de Apolo (médico dos deuses) de Coronis (ninfa). Ele era tão bom na sua profissão que enfureceu Plutão, por diminuir a população do Hades, o rei dos infernos o explodiu com um relâmpago. Ele pode ser visto na Tate Gallery, no quadro de Sir Edward Pointer , de 1880, que representa clínica de Esculápio: um jardim murado com fontes cantantes e o arrulho das pombas, as pacientes, quatro mulheres voluptuosas, completamente nuas, bem providas de seios e de mons veneris, sendo bom unico sofredor um homem, que mostra ao médico o calcanhar dolorido do pré esquerdo. Homem de sorte, o velho Esculápio.

Hipócrates escreveu seis livros, embora fosse tão plausível a ideia de atribuir a sua obra a várias pessoas quanto dizer isso de Shakespeare.

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