setembro, 2015
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Jesus era Deus? Claro, esta é uma pergunta que só interessa a cristãos. Mas nem tanto.
Para qualquer estudioso do cristianismo, importa saber como um jovem, que morreu humilhado numa distante província do império romano, chegou a ser visto como Deus por alguns poucos judeus na época e por muitos gregos, romanos e outros povos da região.
O livro “Como Jesus se Tornou Deus” (editora LeYa, R$ 49,90, 544 págs.), de Bart Ehrman, explica esse processo. Especialista em Novo Testamento e história do cristianismo primitivo, Ehrman é professor de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte. Um “scholar”, pois.
Seu livro (o autor tem vários sobre o tema) tem outra grande qualidade, além de ser escrito por um cara que entende do traçado. “Como Jesus se Tornou Deus” é gostoso de ler e não serve apenas como objeto de culto para iniciados. Qualquer pessoa que aprecie o tema e tenha o hábito da leitura vai aprender muito e se deleitar com ele.
Ehrman parece ter preocupação semelhante à do filósofo judeu alemão Franz Rosenzweig (1886-1929): falar com o homem comum.
Rosenzweig abandou a academia por entender que ela mais atrapalhava a busca de respostas urgentes sobre os temas importantes (para ele, crítica da metafísica e o estudo do judaísmo) do que ajudava.
Ehrman não chega a tanto. Eu também acho que não é necessário abandonar a academia, mesmo porque ela tem um papel essencial no estabelecimento de repertório qualificado sobre qualquer assunto.
O livro de Ehrman é rico em referências históricas precisas, articuladas numa linguagem aberta e divertida. Uma pérola para quem gosta de aprender sem o peso dos textos truncados.
Por que seria mais fácil entender que gregos e romanos tenham chegado à conclusão de que Jesus era Deus do que entender que judeus (os primeiro seguidores de Jesus eram judeus, seguramente) tenham chegado à conclusão de que Jesus era Deus? Porque os “pagãos” tinham inúmeros deuses e deusas e semideuses e semideusas. Portanto, uma “rede” de divindades povoava seu panteão.
Jesus foi visto por muitos dos seus seguidores como o Messias, que raramente foi entendido como Deus no judaísmo. Para a mente judaica, ver Deus na forma de um homem parecia um tanto absurdo. Verdade? Nem tanto, mostra Ehrman.
Além do fato de que a Bíblia Hebraica (o Velho Testamento) traz inúmeras referências a Deus na forma de anjos (que mais parecem homens muitas vezes), a passagem de Jesus humano para Jesus Deus tem etapas essenciais em que “Deus”, aí, deve ser entendido, antes de tudo, como “um deus”.
Os judeus eram monoteístas, mas nem tanto. Já a figura do “Filho do Homem”, um “semideus” que sentaria ao lado de Deus e faria seu trabalho apocalíptico, era muito comum, inclusive na literatura cristã da época. O universo judaico antigo carregava em si toda uma gama de figuras semidivinas, abaixo de Adonai (o Deus único).
O primeiro momento desse processo é como a teia de semideuses (como o “Filho do Homem”) e anjos judaicos preparou a divinização do Jesus histórico: Ele foi, muito provavelmente num primeiro momento, associado a uma dessas figuras semidivinas do panteão judaico. E, só posteriormente, chegou ao topo da lista para alguns, se transformando no Deus de Israel encarnado –mesmo assim, não para todos.
O Messias, na sua forma mais comum, deveria ser um guerreiro. Jesus, para aqueles que esperavam um guerreiro, foi um fracasso: morreu na cruz como um bandido miserável.
A obra não se ocupa de nenhum aspecto de fé, apenas do processo histórico que levou à divinização de Jesus. Tampouco das reviravoltas doutrinárias para fazer de Cristo um Messias do amor total.
Portanto, outra face desse processo é como a ressurreição de Jesus foi importante para resolver o fracasso do seu movimento apocalíptico. Sem a ressurreição, Ele, provavelmente, teria sido esquecido, como outros candidatos a Messias ao longo da história judaica.
Enfim, o estudo histórico das religiões pode fazer de você um cético. É o caso de Ehrman, como ele mesmo confessa. Mas nem só de fé vive o homem.
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Com mais de 500 anos de atraso, a Inglaterra dá início neste domingo (22) a uma cerimônia de cinco dias para enterrar um rei conhecido como malvado e ladrão de trono, Ricardo 3º.
Retratado por Shakespeare como um tirano corcunda, Ricardo foi morto na Batalha de Bosworth, em 1485, mas seus restos mortais se perderam com o tempo.
Em 2012, cientistas britânicos localizaram o esqueleto do rei em um estacionamento na cidade inglesa de Leicester.
O esqueleto — que apresentava a coluna curvada — passou por testes que comprovaram que o DNA era compatível com os descendentes do monarca.
Os restos mortais do rei serão depositados na Catedral de Leicester na quinta-feira, mas farão um tour antes disso, passando pelo campo de batalha onde Ricardo foi morto.
Ricardo governou o reino da Inglaterra no século 15 e foi o último monarca britânico morto em batalha.
Desde que seu esqueleto foi descoberto, sua imagem sofreu uma mudança positiva. Em vez de ser visto apenas como um tirano que roubou o trono, ele passou a ser descrito por alguns como um monarca típico de sua época.
O rei foi o último da casa dos Plantagenet, uma dinastia de origem francesa que deu lugar aos Tudor. Segundo a mídia britânica, a rainha Elizabeth 2ª, da casa de Windsor, deve comparecer ao enterro do “rei mau”.
Mas a disputa de dinastias ainda causa polêmica.
“Não acho que outros membros da Família Real vão comparecer. Eles reivindicam o direito ao trono como descendentes dos Tudor e ainda se referem a Ricardo como o rei usurpador em seu site”, disse Philippa Langley, da Sociedade Ricardo 3º, ao jornal The Sunday Express.
Esquecimento
Em 1483, logo após a morte de seu irmão, Ricardo foi nomeado como tutor de seu sobrinho, Eduardo 5º. Mas decidiu assumir o poder.
Após apenas dois anos de reinado, ele foi morto na batalha de Bosworth, após ser desafiado pelo futuro rei Henrique 7º, da dinastia Tudor.
Segundo os especialistas, o rei Ricardo 3º foi enterrado às pressas em uma igreja no centro de Leicester, sem sinal de que um caixão foi usado.
A igreja foi demolida no século 16, e a localização da cova acabou sendo esquecida nos séculos seguintes.
No entanto, um grupo de entusiastas e historiadores conseguiu rastrear a área provável da sepultura. Eles também conseguiram, após uma análise genealógica minuciosa, encontrar um descendente do rei para comparar o DNA.
Escoliose
Durante a pesquisa, descobriu-se que os ossos pertenciam a um homem que em torno de 30 anos -Ricardo 3º tinha 32 quando foi morto.
Seu esqueleto mostrou sinais de dez ferimentos, incluindo oito no crânio — dois deles potencialmente fatais.
Ricardo 3º costumava ser retratado por alguns historiadores como uma pessoa “deformada” — e realmente, pelo esqueleto, pode-se observar que sua coluna era bastante curvada, devido a uma escoliose.
No entanto, não foram encontradas indícios de outros problemas descritos pelos estudiosos em caracterizações exageradas do rei.
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É melhor não perguntar a Mohed Altrad qual é a sua idade. Não que ele tenha vergonha de dizê-la, é que ele simplesmente não saberia responder com exatidão. Apesar de multimilionário, Altrad não tem ideia de quantos anos tem – por volta de 65, talvez? E ele nem se importa com isso.
A conversa com esse beduíno multimilionário aconteceu em um lugar curioso: um dos hotéis mais luxuosos desse ninho de luxo que é Monte Carlo.
No ano passado, Altrad ganhou o título de “Empreendedor Francês do Ano”. E recentemente, foi a Monte Carlo para receber o título mundial, derrotando outros 51 candidatos no concurso anual realizado pela consultoria Ernst & Young.
Foi aí que me contou da sua trajetória vestindo roupas elegantes e falando um inglês fluente. Ele não dorme muito – mas pensa e escreve bastante sobre seu passado e seu presente.
Altrad nasceu no deserto sírio. Seu pai era líder de uma tribo beduína, e sua mãe era uma mulher pobre desprezada.
Seu pai a violentou duas vezes, e ela teve dois filhos: Mohed Altrad e um irmão mais velho, que morreu pelas mãos do próprio pai.
Sua mãe morreu no dia que ele nasceu, e Altrad passou parte da sua juventude em Raqqa, na Síria, atualmente um território dominado pelo grupo que se autodeclara “Estado Islâmico”.
Ali, foi criado por sua avó na mais absoluta pobreza. Ela pensava que a criança se tornaria um pastor, então nunca pensou em mandá-lo para a escola.
Instinto de sobrevivência
O jovem, no entanto, via os outros estudarem e isso o intrigava. Ele espiou a aula por um buraco na parede e pôde ver a caligrafia na lousa, mas não conseguiu ler o que estava escrito.
Altrad persistiu e finalmente foi à escola. Era inteligente e sempre tirava boas notas – tão boas, que seus companheiros ficaram com inveja quando o humilde pastor se tornou o primeiro da classe.
Eles o levaram para um deserto onde cavaram uma cova e o enterraram lá, antes que saísse correndo.
Altrad, porém, conseguiu escapar – e ele nem sabe explicar como. “Instinto de sobrevivência”, disse.
Foi aí que a sorte começou a mudar. Um casal sem filhos resolveu adotá-lo – ele pôde voltar à escola e seguiu tirando boas notas.
Tudo isso aconteceu em Raqqa, a cidade que agora é a capital do “Estado Islâmico”, um fato que o entristece bastante.
Estudos e empresas
Há 60 anos, a situação da Síria também era complicada: o país era governado por uma ditadura militar influenciada pela França e pela União Soviética.
Altrad conseguiu uma vaga na Universidade de Kiev, mas logo lhe disseram que seu curso estava cheio. E em vez de viajar à União Soviética, ele foi estudar em uma das universidades mais antigas da Europa, a Universidade de Montpellier, na França.
Chegou tarde, em uma noite fria de novembro – e não falava uma só palavra em francês. Mas isso não foi o suficiente para brecar seus estudos.
Conseguiu fazer um doutorado em ciências informáticas, trabalhou para algumas das principais empresas francesas, obteve nacionalidade do país e começou a trabalhar para a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi – e lá não tinha onde gastar todo o dinheiro que ganhava.
E assim ele se salvou. Tudo o que ele sonhava era em ter o controle do seu próprio destino.
De volta à França, ajudou a fundar uma empresa que fabricava computadores portáteis. Quando a vendeu, conseguiu mais dinheiro.
Depois, junto a um sócio, comprou um pequeno negócio de andaimes de construção. E se endividou: a empresa perdia muito dinheiro.
“Não é a última tecnologia, mas andaimes sempre vão fazer falta”, pensou. E os pequenos empreiteiros que compravam seus andaimes de metal também precisavam de caminhões e betoneiras para misturar cimento. Assim, ele acrescentou outros serviços à empresa.
E incentivando os funcionários com bônus ligados ao seu desempenho, os dois sócios conseguiram reverter a tendência e começaram a lucrar com o negócio.
Altrad usou o dinheiro para crescer mais, comprando outras companhias.
Ele também se esforçava para tratar bem os empregados, pedindo para que respeitassem uma lista de princípios a partir do momento em que eram contratados.
Também começou a expandir os negócios para fora da França, mas sempre oferecendo produtos para construção e seguindo os mesmos princípios: além dos andaimes, oferecia todas as outras coisas que as construtoras precisavam.
Em 30 anos, a pequena indústria cresceu até chegar a incluir 170 empresas sob o comando de Altrad. Eram 17 mil empregados, US$ 2 bilhões anuais em valor de negócio e US$ 200 milhões de lucro.
E agora, ele acaba de dobrar o tamanho da empresa – chamada Altrad Group – comprando uma concorrente holandesa.
Felicidade
Mohed Altrad também é presidente e coproprietário da equipe de rúgbi de sua cidade “adotiva”, Montpellier.
Mas apesar de seu sucesso e reconhecimento, ele segue sendo um líder bastante silencioso e muito querido pelos empregados.
“Você pode me perguntar por que estou fazendo isso”, disse. “Mas nunca foi por dinheiro. Estou tentando desenvolver um empreendimento humanista e fazer as pessoas que trabalham para mim felizes.”
“Porque se elas são felizes, elas são mais eficientes, melhores trabalhadores e terão uma vida melhor”, explica.
Isso, ele diz, é o que as empresas deveriam ter como objetivo. “Se sou feliz, trabalho melhor”, insiste.
Altrad também acredita que o crescimento de uma empresa tem que ser financiado por seu próprio lucro. “Se recorre ao mercado financeiro, volta a ser escravo dos bancos.”
E ainda que sua empresa tenha estado por trás da consolidação de uma indústria local antes fragmentada, ele tenta não se comportar de forma monolítica.
“Uma empresa é uma identidade, um pedaço de história: são seus produtos, seus clientes”, disse. “A tendência geral de grandes grupos como o nosso é moldar (as companhias que compram) e fazê-las mais ou menos iguais à nossa. Mas isso vai contra nosso conceito”, diz.
Princípios
Ou seja, as empresas que fazem parte do grupo Altrad mantêm seus nomes e sua identidade.
Todas compartilham, no entanto, o que Mohed Altrad chama de “declaração de princípios”, que os novos empregados devem endossar – ou melhorar.
“É um empreendimento humano”, disse.
“Se alguém está interessado em uma mulher e sua primeira atitude é dizer a ela como deve se vestir, como deve ser a maquiagem, a reação imediata dela será: ‘o que está fazendo?’. É exatamente o mesmo quando você compra outra empresa”, exemplifica.
Altrad também usa suas noites de insônia para escrever livros, incluindo alguns de economia. Também escreveu uma novela autobiográfica, intitulada Beduíno, que foi selecionada pelo Ministério da Educação da França para ser leitura obrigatória nas escolas.
Sua história tem uma importância ainda maior na Europa, onde o tema da migração é cada vez mais importante.
“Podem dizer que tenho mais de 3 mil anos de vida. É a vida do deserto, que tem suas próprias regras e começou 3 mil anos atrás”.
“Falar com você nesse lugar tão bonito e luxuoso ainda me parece estranho. Esse sentimento está no meu sangue, na minha vida cotidiana”, afirmou.
Mohed Altrad sabe que alguma coisa pode acontecer a qualquer momento e por isso tem algum receio do futuro. Mas garante: “O sentimento de liberdade também está aqui sempre”.
Perguntei a ele se agora está feliz. “Na realidade, não”, contesta.
“Tenho uma dívida com a vida que nunca vou poder pagar: devolver a vida à minha mãe, que não teve vida. A dela foi tirada muito cedo, ela viveu 12, 13 anos. Violentaram minha mãe por duas vezes. Ela viu um de seus filhos morrer e morreu no dia que me deu a vida”.
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