Citologia esfoliativa
11 de fevereiro de 2009 | Autor:

O que é:

[singlepic id=437 w=164 h=180 float=left]É a coleta de amostra para diagnóstico precoce do câncer de colo uterino. É um método de de coleta e não de diagnóstico.
Uma citologia positiva deve ser o ponto de partida para para uma investigação mais profunda.

Faz-se a tríplice tomada de Wied.

Localização do câncer:

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Fatores de risco:

– Ter história de relações sexuais com diversos parceiros ao longo da vida ou se começou atividade sexual muito cedo.
– Se no passado, alguma prova de Papanicolaou tenha revelado presença de células anormais
– Se tem idade entre 40 e 55 anos.
– Se engravidou diversas vezes
– Se teve infecções vaginais frequentes, transmitidas por relações sexuais, tais como Herpes simples, tipo II e condiloma.
– Se sua mãe fez uso de hormônio para evitar aborto quando estava grávida de você.

Sintomas suspeitos:
– Coágulos no meio da menstrução
– Fluxo vaginal
– Hemorragia menstrual (metrorragia)
– Sangramentos genitais anormais
– Mancha tipo borra de café durante o período
– Cólicas menstruais (dismenorréia)

Materiais necessários:

– Mesa de exame ginecológico e fonte luminosa.
– Luvas descartáveis.

– Espéculos de tamanhos variados (pequeno, médio, grande e de virgens)
– Espátula de madeira ou plástico (espátula de Ayre)
– Bola de algodão revestida de gaze esterilizada ou escova intra-cervical.
– Lâmina de vidro com uma extremidade esmirilhada.

– Tubo ou caixa para transporte de lâminas e formulário com dados da cliente.

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Técnica:

– Informar, acalmar e colocar a cliente na mesa ginecológica.
– Introduzir o espéculo sem lubrificar, para não contaminar a amostra, em sentido longitudinal da vulva e fazendo uma rotação de 90º.
– Em caso de himem íntegro ou estenose vaginal, tomar a amostra “no escuro”, utilizando um swab, o material do fundo do saco vaginal.
– Abrir o espéculo até completa visualização do colo, sem tocá-lo.
– Identificar a lâmina, colocando o nome da cliente no lado esmerilhado. Preencher o formulário com os dados da cliente.
– Colher a amostra.

Coleta da Amostra:

– Colher uma amostra do fundo do saco vaginal posterior, raspando com o lado convexo da espátula de Ayre.
– Colher uma amostra exocervical, inserindo a ponta da espátula no orifício cervical, até que sua extremidade côncava toque a cérvix.

– Pressionando para manter contato, dê uma volta completa (360º graus) na espátula
– Coleta do material endocervical através da inserção da escova no orifício cervical e dando uma volta completa.

556O material deve ser extendido depois de cada coleta sobre a lâmina, da esquerda para a direita.

Imediatamente após a extensão da amostra, deve ser feita a fixação com polietilenoglico em aerosol, pulverizando a uma distância de 15-20cm da lâmina ou, caso não se tenha o polietilenoglicol, a lâmina pode ser colocada em tubos porta-lâminas com álcool 96ºGL.

Qualquer demora na fixação ou na colocação da lâmina no recipiente com álcool pode alterar profundamente a morfologia celular.

Encaminhar a amostra o mais rapidamente possível para análise, acompanhada do formulário de identificação e de uma anamnesebem detalhada.

Resultados:

– Um resultado negativo significa que seu colo uterino está normal.
– Um resultado positivo significa que apareceram células anormais, mas não é prova conclusiva de que haja câncer, nem sequer displasia (alterações iniciais nas células), apenas significa que deve ser feita uma investigação mais aprofundada, com uma colposcopia ou uma biópsia.
– A base da mudança de um epitélio normal para um neoplásico reside nos processos de maturação e diferenciação celulares, e nisso se baseia a citologia para avaliar os diferentes estágios de lesões precursoras de câncer.
– A nomenclatura mais utilizada é NIC (neoplasia intra-cervical), para tais lesões: NIC I, II e III.
– Esta denominação engloba os antigos termos displasia e carcinoma in situ na classificação de Papanicolaou.
– Em alguns casos existe dificuldade para se enquadrar um caso dentro de determinada categoria. Por este motivo se modificou a denominação de Neoplasia para a de Lesão, já que em todos os casos de NIC são precursores de câncer.
– A lesão intraepitelial pavimentosa (LIP) se divide em baixo e alto grau, visto que nem todas estas lesões vão se tornar carcinoma invasivo, mas sim haverá um número significativos delas, entre 30-50%, que se presume a necessidade de uma investigação mais acurada, pois tem potencial probabilidade de se tornarem um carcinoma invasor.

Classificações anatomopatológicas:

Classe Tipo Grau
NIC I Displasia leve LIP baixo grau (inclui modificações celulares por papilomavírus)
NIC II Displasia moderada LIP alto grau
NIC III Displasia severa LIP alto grau (carcinoma in situ)
Classificações dos carcinomas intracervicais (NICs)Classificações dos carcinomas intracervicais (NICs)

Informações obtidas:

A) Hormonal: A vagina responde às mudanças hormonais do ovário. Conforme o tipo de células encontradas em cada momento, se pode ter uma idéia aproximada do funcionamento dos ovários
B) Infecciosa: A citologia pode diagnosticar determinadas infecções, justamente porque pode ver os microorganismos patogênicos encontrados no esfregaço (fungos ou tricomonas) e também porque as células mostram sinais sugestivos de infecções causadas por diversos vírus (herpes, papiloma) ou por bactérias (hamophilus, Neaesseria, etc).
C) Morfológica: Essa é a mais importante. As células do colo uterino podem se alterar (geralmente por determinadas infecções, sobretudo por condiloma e herpes) e produzir uma série de lesões displásicas.
Estas lesões não produzem doenças ou problemas mais sérios antes de muitos anos de latência (entre 2 e 10 anos); porém se forem deixadas a livre evolução, podem acabar em câncer de colo de útero.

Quem deve fazer o exame:

– Considera-se mulheres de baixo risco as que não tiveram relações sexuais prévias, as histerectomizadas e as que tem um parceiro sexual fixo durante muito tempo e com citologias prévias negativas
– Mulheres de risco moderado são aquelas com relações sexuais freqüentes, iniciadas antes dos 20 anos de idade, e que tenham relações habituais com dois ou mais parceiros.
– Mulheres de alto risco são aquelas que começaram vida sexual antes dos 20 anos de idade e tem dois ou mais parceiros. Também deve ser levado em conta o número de parceiras dos parceiros
– Outros fatores importantes de risco são: história prévia de citologias com células escamosas atípicas e de diagnóstico incerto, doenças sexualmente transmitidas (especialmente condilomas), imunossupressão e tabagismo.

Recomendações à cliente:

– Abster-se de relações sexuais ao menos 48 horas antes da coleta.
– Ter cessado a menstruação pelo menos 4-5 dias antes.
– Lavar bem a genitália externa apenas com água e sabão. Nunca fazer duchas vaginais ou aplicar desodorantes íntimos.
– Não utilizar cremes vaginais nos 5-7 dias que antecedem a coleta da amostra (pode mascarar o diagnóstico de infecções bacterianas)

Conselhos úteis:

– Não fazer exploração manual antes da coleta.
– A introdução do espéculo pode ser facilitada por manobra de
– A introducão do espéculo pode ser facilitada por manobra de vasalva.
– É importante que a posição ginecológica seja correta, com os glúteos apoiados na mesa de exame para favorecer o relaxamento da musculatura perineal.
– É conveniente estar com a bexiga urinária completamente vazia antes da coleta da amostra.
– O esfregaço deve conter células de todas as amostras de transição colhidas.
– As células devem estar extendidas de maneira uniforme.
– Os melhores esfregaços são os colhidos na metado do ciclo menstrual.

Erros possíveis:

– Relacionados com a cliente: não fazer o exame anual pode ser comum.

– Também influem nas amostras duchas vaginais e coitos recentes, que podem eliminar a camada de células superficiais, aumentando o número de falsos negativos.
– Clínicos: erros na realização do exame e na coleta da amostra e falhas na anamnese da cliente.
– Instrumentos ou modo de coleta da amostra: deve existir um bom número de células nas três zonas coletadas (vagina, exocérvix e endocérvix) e bem extendidas na lâmina.
– Erros de diagnóstico e de preparo do esfregaço

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Útero normal

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Desenho esquemático do útero (clique para ampliar)

A rapidez da fixação é importante, sendo preferível usar álcool 74% ao qual o polietilenoglicol pode ser adicionado. Isso providencia uma cobertura higroscópica, assim as lâminas fixadas são deixadas para secar o antes de serem enviadas para coloração exames. Os fixadores podem ser usados na forma de gotejamento ou spray. Na rotina de trabalho a coloração de Papanicolaou é usada nos esfregaços cervicais.

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Figura: 1: cérvix, normal colposcopia. Essa mostra o epitélio escamoso recobrindo a ectocérvix e o epitélio colunar vascularizado, forrando o canal endocervical. Aqui o epitélio colunar penetra nos vilos finos e dando uma aparência de cacho de uvas. O espéculo bivalvo usado para expor o colo uterino também causa uma leve eversão do orifício externo e abre o canal endocervical.

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Figura 2: cérvix: epitélio pavimentos estratificado normal. A camada germinativa é vista na base do epitélio. Há maturação regular das células através da camada parabasal até camadas intermediária e superficial. Ao contrário da pele, o epitélio escamoso que reveste o colo uterino e vagina não desenvolve normalmente uma camada degenerativa.

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Categoria: 1a, Heinz