Família disse à Polícia Civil que o empresário não usava as substâncias há cerca de 5 meses e que fez exames que indicaram aptidão ao procedimento. Além disso, corpo não passou por perícia.
A declaração de óbito de Ricardo Godoi, morto em Itapema ao tomar anestesia geral para fazer uma tatuagem, citou o uso de anabolizante como uma “condição significativa” que contribuiu para a morte (veja exatamente o que diz o atestado mais abaixo). O documento foi emitido pelo hospital.
A família, no entanto, afirmou à Polícia Civil que o empresário não usava as substâncias há cerca de cinco meses e que fez exames que indicaram aptidão ao procedimento. Além disso, o corpo não passou por perícia.
A delegacia da cidade no Litoral de Santa Catarina investiga o caso, ocorrido na segunda-feira (20), como suposto homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Nesta quarta (22), o corpo do empresário foi exumado para passar por exames.
Godoi tinha 46 anos, era pai de quatro filhos, casado e dono de uma empresa de carros de luxo. Ele morreu no Hospital Dia Revitalite. A unidade de saúde ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.
Segundo o delegado Aden Claus, responsável pela investigação, representantes do hospital não haviam sido ouvidos até a tarde desta quarta. O investigador, porém, conversou com uma familiar do empresário sobre a possível causa da morte:
“A certidão de óbito que tivemos acesso, conta lá, parada respiratória, parada cardíaca e devido ao uso de anabolizantes. Conseguimos, já no final da tarde de ontem, conversar com a familiar do Ricardo. Ela confirmou que ele não fazia mais uso de anabolizantes há uns cinco meses e, por isso, teria realizado alguns exames também, e estaria apto para fazer a tatuagem”, explicou.
O Hospital Dia Revitalité demonstrou em nota “condolências aos familiares do Sr. Ricardo Godoi”. Também disse que o procedimento que resultou na morte de Ricardo foi feito por um “médico particular contratado pelo estúdio de tatuagem e pelo próprio falecido”.
Afirmou ainda que “a atuação do hospital se limitou à disponibilização de uma sala operatória e demais equipamentos necessários homologados pelo CRM/SC [Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina] e que compõem uma sala cirúrgica completa” (veja a íntegra da nota abaixo).
O que cita a declaração
A declaração de óbito, assinada pelo médico Clício J. Dezorzi, diretor do hospital, e a qual o g1 teve acesso, cita no campo “condições e causas do óbito” os termos “indução anestésica”, “parada respiratória” e “parada cardíaca”.
Em um espaço abaixo, onde se pede “outras condições significativas que contribuíram para a morte, e que não entraram, porém, na cadeia acima, foi escrito “uso de anabolizante” (veja a imagem abaixo).

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